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Copom mantém corte gradual da Selic e sinaliza continuidade do ciclo com cautela diante de incertezas globais

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central indicou, em ata divulgada nesta semana, que considera apropriado dar continuidade ao atual ciclo de calibração da política monetária no Brasil. A decisão ocorre em um contexto de juros ainda em nível contracionista, que já apresenta efeitos na desaceleração da atividade econômica.

De acordo com o documento, o ambiente atual permite ajustes graduais na taxa básica de juros (Selic), à medida que novas informações econômicas são incorporadas. O Comitê enfatizou que o objetivo central permanece inalterado: garantir a convergência da inflação à meta estabelecida.

Corte de juros e estratégia gradual

Na reunião realizada nos dias 28 e 29 de abril, o Copom optou por reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual. Segundo a ata, a decisão foi considerada adequada mesmo diante de incertezas recentes no cenário econômico.

O Comitê destacou que eventos recentes não representam obstáculo para a continuidade do ciclo de ajustes. No entanto, reforçou que tanto a intensidade quanto a duração desse movimento dependerão da evolução dos indicadores econômicos.

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A estratégia adotada busca equilíbrio entre estimular a atividade econômica e manter o controle inflacionário dentro do horizonte relevante da política monetária.

Cenário global impõe cautela

O ambiente externo segue como um dos principais fatores de risco. A ata aponta que a indefinição sobre conflitos geopolíticos no Oriente Médio continua impactando as condições financeiras globais, elevando a volatilidade dos mercados e dos preços de commodities.

Diante desse cenário, o Banco Central reforça a necessidade de cautela, especialmente para economias emergentes como o Brasil, que tendem a ser mais sensíveis a oscilações externas.

Economia brasileira desacelera, mas mercado de trabalho resiste

No cenário doméstico, os dados mais recentes indicam uma moderação no ritmo de crescimento da economia, conforme esperado pelo Copom. Apesar disso, o mercado de trabalho ainda apresenta sinais de resiliência, sustentando parte da demanda interna.

Por outro lado, a inflação voltou a mostrar aceleração, tanto no índice cheio quanto nas medidas subjacentes, afastando-se da meta oficial.

Expectativas de inflação seguem pressionadas

As projeções do mercado financeiro, captadas pelo relatório Focus, continuam acima da meta. Para 2026, a expectativa é de inflação em 4,9%, enquanto para 2027 a estimativa é de 4,0%.

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Esse descolamento reforça a necessidade de uma condução cautelosa da política monetária, segundo o Banco Central, evitando movimentos que possam comprometer a ancoragem das expectativas.

Impactos para o agronegócio

Para o agronegócio, a trajetória dos juros segue sendo um fator determinante. Taxas mais baixas tendem a reduzir o custo do crédito rural, estimular investimentos e favorecer a comercialização. No entanto, a volatilidade externa e os riscos inflacionários ainda exigem atenção dos produtores e investidores do setor.

O cenário, portanto, combina oportunidade e cautela, com decisões que devem ser guiadas por monitoramento constante dos indicadores econômicos e das condições de mercado.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Preço do leite ao produtor sobe 10,5% em março com oferta restrita e maior disputa entre laticínios, aponta Cepea

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O mercado de leite iniciou 2026 com forte movimento de recuperação nos preços ao produtor. Em março, o valor pago pelo litro avançou 10,5% frente a fevereiro, marcando o terceiro mês consecutivo de alta, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP).

Com o avanço, a chamada “Média Brasil” atingiu R$ 2,3924 por litro. Apesar da reação, o valor ainda permanece 18,7% abaixo do registrado em março de 2025, considerando os dados corrigidos pela inflação.

No acumulado do primeiro trimestre, o aumento chega a 17,6%, com média de R$ 2,2038/litro — ainda 23,6% inferior ao mesmo período do ano passado, evidenciando que o setor segue em processo de recomposição.

Oferta limitada impulsiona preços no campo

A principal força por trás da alta é a restrição na oferta de leite cru. A menor disponibilidade intensificou a concorrência entre laticínios pela matéria-prima, elevando os preços pagos ao produtor.

O Índice de Captação de Leite (ICAP-L) recuou 3,9% de fevereiro para março na Média Brasil, acumulando queda de 11,1% no primeiro trimestre. Esse movimento reflete fatores sazonais, como a piora das pastagens, além do aumento dos custos com alimentação animal.

Outro ponto relevante é a postura mais cautelosa do produtor. Após margens apertadas ao longo de 2025, muitos reduziram investimentos, impactando diretamente o nível de produção.

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Custos seguem pressionando a atividade

Mesmo com a valorização do leite, os custos continuam em trajetória de alta. O Custo Operacional Efetivo (COE) subiu 0,46% em março, acumulando avanço de 2,11% nos três primeiros meses do ano.

Esse cenário mantém a rentabilidade do produtor ainda pressionada, limitando uma recuperação mais consistente da atividade no curto prazo.

Derivados disparam, mas mercado mostra desaceleração

A menor oferta de matéria-prima também impactou a indústria, restringindo a produção de derivados e elevando os preços no atacado.

Em março:

  • O leite UHT registrou alta de 18,3%
  • A muçarela subiu 6,1%

Os preços seguiram firmes até a primeira quinzena de abril. No entanto, a partir da segunda metade do mês, o mercado começou a mostrar sinais de enfraquecimento, com negociações mais lentas e resistência por parte do consumo.

Importações avançam e limitam altas

Outro fator relevante é o crescimento das importações. Em março, houve aumento de 33% nas compras externas. No acumulado do trimestre, o volume chegou a 604 milhões de litros em equivalente leite, praticamente estável em relação ao mesmo período de 2025 (-0,9%).

Esse movimento contribui para equilibrar a oferta interna e tende a limitar pressões mais intensas de alta nos preços domésticos.

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Perspectivas: alta perde força a partir de maio

A expectativa do mercado é de continuidade da valorização no curto prazo, especialmente em abril. Contudo, o ritmo de alta deve desacelerar a partir de maio.

Entre os principais fatores estão:

  • Resistência do consumidor aos preços mais elevados nas gôndolas
  • Manutenção de importações em níveis elevados
  • Possível reação gradual da produção

Diante desse cenário, a indústria tende a adotar uma postura mais cautelosa nos repasses ao produtor entre maio e junho.

Impacto para o agronegócio

O comportamento do mercado de leite reforça um cenário típico de ajuste entre oferta e demanda. Para o produtor, o momento é de recuperação parcial de preços, mas ainda com desafios relevantes em custos e rentabilidade.

Já para a cadeia como um todo, o equilíbrio dependerá da evolução do consumo interno, da dinâmica das importações e da capacidade de retomada da produção nos próximos meses.

Resumo: a alta do leite em março reflete um mercado com oferta restrita e custos elevados, mas o avanço dos preços começa a encontrar limites no consumo e na entrada de produto importado, sinalizando um cenário de maior equilíbrio nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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