AGRONEGÓCIO
Corte no seguro rural e tributação do IOF freiam avanço do setor de seguros e previdência em 2025
AGRONEGÓCIO
O setor de seguros deve encerrar 2025 com crescimento de apenas 1,9%, considerando o desempenho da Saúde Suplementar, segundo projeção divulgada nesta terça-feira pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) e pela Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi).
A estimativa representa uma queda de 8,2 pontos percentuais em relação à previsão divulgada em dezembro de 2024.
De acordo com as entidades, dois fatores principais explicam o desempenho mais fraco: a cobrança do IOF sobre planos de previdência no regime VGBL e os cortes sucessivos na subvenção ao seguro rural.
Seguro rural atinge nível crítico com cortes no PSR
O seguro rural segue enfrentando dificuldades diante da redução nos aportes do governo ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).
Segundo o presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, a falta de recursos públicos para subsidiar os prêmios está levando muitos produtores a abandonarem a contratação de seguros, o que aumenta a exposição a riscos climáticos e de mercado.
Atualmente, apenas 2,3% dos 97 milhões de hectares plantados no país possuem cobertura de seguro rural — um dos índices mais baixos da série histórica.
As projeções indicam que, em 2025, o setor deve atingir o menor patamar de cobertura já registrado.
Arrecadação e indenizações em queda
A retração já se reflete nos números do setor.
Entre janeiro e agosto de 2025, o Seguro Rural arrecadou R$ 8,7 bilhões, uma queda de 6,7% em relação ao mesmo período do ano anterior.
As indenizações também diminuíram, recuando 7,5% e somando R$ 3,1 bilhões pagos no período.
A CNseg estima que o segmento deve encerrar o ano com retração de pelo menos 2,7%, após sucessivas revisões negativas nas previsões de desempenho.
Modelo atual do PSR é considerado insustentável
Dyogo Oliveira destacou que o modelo de financiamento do PSR está sob forte restrição orçamentária e tornou-se insustentável.
“Grande parte dos recursos previstos sequer é executada, o que compromete a proteção dos pequenos e médios produtores — justamente os mais vulneráveis”, afirmou.
Para ele, é urgente ampliar os mecanismos de cobertura e garantir maior previsibilidade dos fundos, sob pena de o agronegócio enfrentar sérios riscos nos próximos anos.
Cobrança de IOF reduz captação em planos de previdência
Outro fator que impactou as projeções do setor foi a nova cobrança do IOF sobre aportes de previdência no regime VGBL.
As entidades estimam que a medida provocará uma queda de 19,4% na captação em 2025, com reflexos diretos nas receitas do mercado segurador.
A alíquota de 5%, aplicada a aportes acima de R$ 300 mil em 2025 e que passará a valer para aportes acima de R$ 600 mil em 2026, levou a uma redução de 15,2% nas contribuições entre janeiro e agosto, na comparação com o mesmo período de 2024.
Setor critica tributação sobre poupança de longo prazo
O presidente da FenaPrevi, Edson Franco, criticou a nova tributação, afirmando que não há precedente de incidência de imposto sobre aportes destinados à acumulação de recursos.
Segundo ele, trata-se de valores que já foram tributados pelo imposto de renda, e a medida não diferencia grandes investidores da classe média.
Franco ressaltou ainda que 78% dos aportes acima de R$ 600 mil nos últimos dez anos ocorreram apenas uma vez, geralmente em casos de herança, venda de imóveis ou saque do FGTS.
“O VGBL é um instrumento de proteção financeira da classe média e do microempreendedor. Penalizar quem busca segurança financeira é um retrocesso”, afirmou.
Segmentos com desempenho positivo em 2025
Apesar dos desafios enfrentados por alguns ramos, há destaques positivos no setor de seguros este ano.
Os segmentos com melhor desempenho são:
- Seguro Automóvel: crescimento de 6,4%;
- Seguro Habitacional: alta de 12,9%;
- Risco de Engenharia: avanço expressivo de 34,6%;
- Seguro de Vida: crescimento de 11,6%.
Esses resultados mostram que, mesmo com a pressão do IOF e a retração do seguro rural, alguns segmentos mantêm trajetória de expansão, sustentando parte do crescimento do setor.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Parceria entre Biojet e AGCO amplia acesso à tecnologia de aplicação de bioinsumos no plantio
A busca por maior eficiência operacional e melhor aproveitamento dos bioinsumos nas lavouras brasileiras ganhou um novo impulso com a parceria firmada entre a Biojet e a AGCO do Brasil. O acordo homologou o pulverizador de sulco BJ 1000L para utilização nas plantadeiras Momentum, ampliando o acesso dos produtores rurais a uma tecnologia voltada à aplicação precisa de insumos durante o plantio.
A Biojet, fabricante de equipamentos agrícolas integrante do ecossistema de biológicos Cogny, passa agora a contar com o aval técnico da AGCO para comercialização da solução junto à rede de concessionárias das marcas Fendt, Massey Ferguson e Valtra. Com isso, aproximadamente 400 pontos de venda em todo o país poderão recomendar o equipamento aos agricultores.
A parceria foi apresentada oficialmente durante a Agrishow 2026, realizada em Ribeirão Preto (SP), reforçando a estratégia de expansão da empresa em um mercado cada vez mais orientado pela adoção de tecnologias sustentáveis e de alta eficiência agronômica.
Homologação garante compatibilidade e segurança operacional
O pulverizador de sulco BJ 1000L foi aprovado para operar nas versões de 30 e 40 linhas da plantadeira Momentum, referência nacional entre as máquinas autotransportáveis para semeadura.
A homologação atesta a compatibilidade mecânica, hidráulica e eletrônica entre os equipamentos, reduzindo a necessidade de adaptações por parte do produtor e aumentando a segurança operacional durante o plantio.
Embora a solução não seja fornecida de fábrica nas plantadeiras, ela passa a estar disponível para aquisição por meio da rede de concessionárias da AGCO, ampliando o alcance comercial da tecnologia.
Crescimento dos bioinsumos impulsiona demanda por equipamentos especializados
A expansão dos bioinsumos no agronegócio brasileiro tem criado novas demandas por tecnologias capazes de garantir maior precisão na aplicação desses produtos.
Segundo dados da CropLife Brasil, apresentados no relatório Panorama de Bioinsumos no Brasil 2025, o país já supera 150 milhões de hectares tratados com soluções biológicas, movimentando um mercado estimado em R$ 4,35 bilhões anuais.
O avanço desse segmento é favorecido pela busca dos produtores por alternativas sustentáveis e pela necessidade de reduzir a exposição à volatilidade dos mercados internacionais, especialmente em relação aos fertilizantes importados.
De acordo com Jair A. Swarowsky, vice-presidente comercial e de marketing da Cogny, o cenário geopolítico global tem contribuído para acelerar essa transformação.
“A dependência de insumos importados expõe o produtor às oscilações internacionais. Nesse contexto, os bioinsumos ganham espaço como alternativa estratégica, aumentando a necessidade de tecnologias que garantam aplicações mais eficientes”, destaca o executivo.
Sulco de plantio ganha protagonismo no manejo biológico
Estudos da Embrapa indicam que a aplicação de microrganismos diretamente no sulco de plantio pode proporcionar melhores condições para o estabelecimento dos agentes biológicos desde o início do ciclo produtivo.
Essa estratégia favorece culturas extensivas como soja, milho e algodão, ampliando o potencial de resposta agronômica e contribuindo para ganhos de produtividade.
Com mais de uma década de experiência acumulada pelas empresas do ecossistema Cogny no mercado de microbiológicos, a Biojet desenvolveu seus equipamentos especificamente para atender às exigências desse segmento.
A proposta é substituir adaptações frequentemente realizadas em máquinas convencionais por soluções projetadas para oferecer maior uniformidade de distribuição, qualidade de aplicação e eficiência operacional.
Renovação da frota agrícola cria novas oportunidades
Outro fator que fortalece as perspectivas de crescimento para o setor é a renovação gradual da frota de máquinas agrícolas no Brasil.
Levantamento da Kynetec, baseado no estudo Brazil Farm Machinery Market – Planters & Seeders Insights 2024, estima que o país possua entre 200 mil e 300 mil plantadeiras em operação. Uma parcela significativa desses equipamentos possui mais de dez anos de uso.
A tendência é que a modernização da frota impulsione a adoção de máquinas mais tecnológicas e compatíveis com sistemas avançados de aplicação de insumos.
Segundo Bruno Copetti de Barros, diretor de operações da Biojet, esse movimento deve fortalecer o papel das concessionárias como importantes canais de disseminação tecnológica no campo.
“A substituição gradual das plantadeiras tende a ampliar a demanda por soluções complementares que aumentem a eficiência operacional das máquinas. Nesse contexto, a recomendação técnica realizada pelas concessionárias ganha relevância estratégica”, afirma.
Expansão comercial e fortalecimento da agricultura de precisão
Com a homologação do BJ 1000L pela AGCO, a Biojet amplia sua presença no mercado nacional e fortalece sua posição no segmento de tecnologias para aplicação de bioinsumos.
A expectativa é que a parceria abra caminho para a incorporação gradual de outras soluções do portfólio da empresa à rede de concessionárias da fabricante, acompanhando a crescente demanda do agronegócio por agricultura de precisão, sustentabilidade e maior eficiência no uso de insumos.
O movimento reforça uma tendência cada vez mais evidente no setor: a integração entre máquinas agrícolas e tecnologias especializadas como fator decisivo para elevar produtividade, reduzir custos operacionais e aumentar a competitividade das propriedades rurais brasileiras.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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