AGRONEGÓCIO
Crédito rural: CMN amplia prazo para adequação às exigências ambientais e evita restrições imediatas aos produtores
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Os produtores rurais ganharam mais tempo para se adequar às novas exigências ambientais vinculadas à contratação de crédito rural. A Resolução nº 5.303/2026, do Conselho Monetário Nacional (CMN), alterou o cronograma de implementação das regras que utilizam informações do Programa de Monitoramento do Desmatamento por Satélite (Prodes) na análise das operações de financiamento, adiando a aplicação imediata das restrições previstas para este ano.
A medida cria um período de transição para que agricultores e pecuaristas possam corrigir inconsistências cadastrais e comprovar a regularidade ambiental de suas propriedades antes que os novos critérios passem a impactar o acesso ao crédito.
Regularidade ambiental ganha peso na concessão de crédito
Nos últimos anos, o cumprimento da legislação ambiental tornou-se um dos principais requisitos para obtenção de financiamentos rurais. Além da capacidade financeira do produtor, bancos e cooperativas passaram a consultar bases de dados oficiais para verificar a situação ambiental dos imóveis antes da liberação dos recursos.
Entre essas ferramentas está o Prodes, sistema utilizado para monitorar alterações na cobertura vegetal por imagens de satélite. A utilização desses dados tem ampliado o rigor das análises, mas também provocado questionamentos do setor produtivo em razão de possíveis inconsistências.
Especialista alerta para atualização do CAR
Segundo o advogado Roberto Bastos Ghigino, da HBS Advogados, manter o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e demais registros ambientais atualizados é essencial para evitar entraves na obtenção de crédito.
De acordo com o especialista, divergências cadastrais podem levar as instituições financeiras a interpretar o imóvel como irregular, dificultando ou até impedindo a contratação de financiamentos.
Limitações do Prodes geram preocupação no setor
Uma das principais críticas feitas ao uso do Prodes nas análises de crédito diz respeito à incapacidade do sistema de distinguir automaticamente desmatamentos autorizados daqueles realizados de forma ilegal.
Segundo Ghigino, a plataforma identifica alterações na vegetação, mas não consegue apontar a origem dessas mudanças, o que pode resultar em registros equivocados.
Entre as situações que podem gerar interpretações incorretas estão áreas atingidas por incêndios, eventos climáticos extremos ou supressões realizadas com autorização dos órgãos ambientais.
Como exemplo, o advogado cita os impactos das enchentes registradas no Rio Grande do Sul, que podem ser identificados pelo sistema apenas como perda de cobertura vegetal, sem considerar a causa do dano.
Resolução estabelece regras de transição
A Resolução nº 5.303/2026 estabelece critérios temporários para a utilização das informações do Prodes e amplia o prazo para que os produtores apresentem documentos que comprovem a regularidade ambiental de suas propriedades.
Segundo Ghigino, a norma traz maior previsibilidade ao definir quais documentos poderão ser utilizados para contestar alertas emitidos pelo sistema de monitoramento.
Com isso, produtores que poderiam ter o crédito negado automaticamente passam a contar com tempo adicional para realizar adequações administrativas, atualizar cadastros e solucionar pendências ambientais.
Novas regras passam a valer em 2027
Apesar do adiamento, a resolução não altera o funcionamento do Prodes nem elimina as limitações apontadas pelo setor.
A partir de 4 de janeiro de 2027, as análises de crédito rural voltarão a considerar os apontamentos do sistema para imóveis com área superior a 15 módulos fiscais, o que poderá novamente influenciar a aprovação de financiamentos.
Recomendações para evitar problemas no crédito rural
Durante o período de transição, especialistas recomendam que os produtores realizem uma revisão completa da documentação ambiental das propriedades.
A conferência das informações constantes no Cadastro Ambiental Rural, a atualização de registros e a organização da documentação comprobatória podem reduzir riscos de restrições futuras e facilitar o acesso ao crédito quando as novas regras entrarem plenamente em vigor.
Segundo Ghigino, aproveitar esse prazo para promover a conformidade socioambiental das propriedades será fundamental para garantir segurança jurídica e manter o acesso às linhas de financiamento destinadas ao agronegócio brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Preço dos legumes sobe até 14,3% no Sudeste e lidera alta dos alimentos em maio, revela estudo
As temperaturas mais baixas registradas em maio impactaram a produção agrícola e provocaram forte alta nos preços das hortaliças em todo o Brasil. Levantamento da Neogrid mostra que os legumes lideraram a inflação dos alimentos no mês, com avanço médio de 15,1% no país e de 14,3% na Região Sudeste, refletindo os efeitos da sazonalidade e da menor oferta de produtos.
O estudo “Variações de Preços: Brasil & Regiões” aponta que o preço médio da categoria passou de R$ 6,89 para R$ 7,93 entre abril e maio, consolidando os legumes como o principal responsável pela pressão sobre o orçamento das famílias.
Clima mais frio reduz oferta de hortaliças
Segundo Marcelo Alves, gerente executivo de Dados da Neogrid, as condições climáticas exerceram influência direta sobre o comportamento dos preços.
De acordo com o especialista, o frio reduz a produtividade e desacelera o desenvolvimento de diversas culturas, diminuindo a disponibilidade de produtos no mercado e elevando os preços ao consumidor.
Além dos impactos na produção, Alves destaca que uma gestão mais eficiente da cadeia de abastecimento torna-se ainda mais importante em períodos de maior volatilidade.
Segundo ele, ferramentas de previsão de demanda e maior visibilidade dos estoques ajudam supermercados e distribuidores a realizar reposições mais precisas, reduzindo perdas, desperdícios e rupturas no abastecimento.
Leite em pó e feijão também registram alta
Além dos legumes, outras categorias importantes da cesta de consumo apresentaram aumento de preços em maio.
O leite em pó registrou alta de 9%, passando de R$ 40,47 para R$ 44,10. O feijão avançou 5%, enquanto o molho de tomate teve elevação de 3,3% e a água mineral subiu 3,5% no período.
Os resultados reforçam a pressão exercida por produtos básicos sobre a inflação dos alimentos.
Ovos, café, óleo de soja e carne suína ficam mais baratos
Em contrapartida, algumas categorias contribuíram para aliviar os gastos das famílias.
Os ovos apresentaram a maior redução do mês, com queda de 6,5%, fazendo o preço médio por unidade recuar de R$ 0,97 para R$ 0,90.
Também registraram redução de preços:
- Massas alimentícias secas: -3,0%;
- Café em pó e em grãos: -2,5%;
- Carne suína: -1,4%;
- Açúcar: -1,1%;
- Óleo de soja: -0,9%.
Entre esses produtos, o óleo de soja foi o único a apresentar queda em todas as regiões brasileiras.
Legumes acumulam alta de mais de 44% em 2026
No acumulado entre dezembro de 2025 e maio de 2026, os legumes permanecem como a categoria com maior valorização no varejo alimentar.
Os preços avançaram 44,2% no período, passando de R$ 5,50 para R$ 7,93.
Na sequência aparecem:
- Feijão: 26,5%;
- Leite UHT: 23,9%;
- Carne bovina: 6%;
- Ovos: 6%.
O levantamento evidencia como fatores climáticos continuam exercendo forte influência sobre os preços dos alimentos frescos.
El Niño pode ampliar volatilidade dos preços
Segundo a Neogrid, o mercado segue atento às projeções climáticas para os próximos meses, especialmente diante da possibilidade de consolidação do fenômeno El Niño.
Caso o aquecimento do Oceano Pacífico provoque alterações significativas no regime de chuvas e nas temperaturas, novas oscilações poderão atingir a produção agrícola, principalmente nas cadeias de hortifrútis e lácteos.
Nesse cenário, o fortalecimento da logística, do planejamento de estoques e da gestão da cadeia de abastecimento será fundamental para reduzir os impactos sobre o consumidor.
Sudeste registra maior pressão sobre hortaliças
Na Região Sudeste, os legumes lideraram as altas de preços em maio, com avanço de 14,3%.
Também apresentaram elevação:
- Feijão: 6,3%;
- Farinha de mandioca: 4,5%;
- Leite em pó: 2,9%;
- Molho de tomate: 2,7%.
Entre as maiores quedas registradas na região estão os ovos (-7,8%), massas alimentícias secas (-2,9%), café (-2,7%), óleo de soja (-2,7%) e leite UHT (-2,6%), amenizando parcialmente a pressão inflacionária sobre a cesta de alimentos.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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