AGRONEGÓCIO
Crise do metanol impulsiona vendas de vinícola mineira em 15% nas últimas duas semanas
AGRONEGÓCIO
A recente crise envolvendo contaminação por metanol em bebidas artesanais e destiladas no Sudeste do Brasil gerou preocupação entre consumidores e, ao mesmo tempo, abriu oportunidade para produtores que priorizam transparência e qualidade.
A vinícola mineira Bárbara Eliodora registrou um aumento de 15% nas vendas para consumidores pessoa física nas últimas duas semanas, em comparação com o mês anterior. O crescimento ocorreu tanto no e-commerce oficial da marca quanto em empórios e lojas especializadas que revendem seus produtos.
Segundo a vinícola, o movimento reflete a procura por produtos seguros, rastreáveis e de qualidade comprovada, atributos que distinguem os vinhos finos elaborados com uvas Vitis vinifera, em processos totalmente controlados e fiscalizados.
Vinhos finos: qualidade e segurança garantidas
Guilherme Bernardes, proprietário da Bárbara Eliodora, reforça que seus vinhos seguem padrões internacionais de segurança desde a fermentação até o engarrafamento. “O vinho possui álcool natural: o açúcar da uva é transformado em etanol etílico, o único seguro para consumo humano”, explica.
Diferentemente de bebidas destiladas de origem duvidosa, não há registro de intoxicação por metanol relacionada ao consumo de vinhos de mesa ou vinhos finos.
Impactos da crise de metanol no Sudeste
Segundo o Ministério da Saúde, já foram registradas seis mortes por intoxicação por metanol no estado de São Paulo neste mês. Em resposta, a gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) intensificou a fiscalização de indústrias falsificadoras, buscando reduzir os riscos para consumidores.
O episódio evidencia a crescente preocupação do público com a procedência das bebidas alcoólicas, estimulando a valorização de marcas com processos certificados e rastreabilidade comprovada.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Entidade diz que o campo preserva, mas há excesso de regras travando os produtores
A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) decidiu reagir às críticas sobre o impacto ambiental do agronegócio e levou ao debate público um conjunto de dados para sustentar que a produção agrícola no Brasil ocorre com preservação relevante dentro das propriedades rurais.
A iniciativa ocorre em um momento de maior pressão sobre o setor, especialmente em mercados internacionais, e busca reposicionar a narrativa com base em números do próprio campo.
Entre os dados apresentados, levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) indica que 65,6% do território brasileiro permanece coberto por vegetação nativa, enquanto a agricultura ocupa cerca de 10,8% da área total. A entidade usa o dado para reforçar que a produção ocorre em uma parcela limitada do território.
No recorte estadual, a Aprosoja-MT destaca um levantamento próprio que identificou mais de 105 mil nascentes em 56 municípios de Mato Grosso, com 95% delas preservadas dentro das propriedades rurais . O dado é usado como exemplo prático de conservação dentro da atividade produtiva.
A entidade também aponta que o avanço tecnológico tem permitido aumento de produção sem expansão proporcional de área. O Brasil deve colher mais de 150 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26, mantendo a liderança global, com Mato Grosso respondendo por cerca de 40 milhões de toneladas.
Segundo a Aprosoja-MT, práticas como plantio direto, rotação de culturas e uso de insumos biológicos têm contribuído para esse ganho de produtividade, reduzindo a pressão por abertura de novas áreas.
Isan Rezende, presidente do IA
A associação também cita investimentos em prevenção de incêndios dentro das propriedades e manejo de solo como parte da rotina produtiva, argumentando que a preservação é uma necessidade econômica, e não apenas uma exigência legal.
Na avaliação de Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA) a preservação ambiental no campo deixou de ser uma pauta teórica e passou a ser parte direta da gestão da propriedade rural. Segundo ele, o produtor brasileiro já incorporou práticas que garantem produtividade com conservação, muitas vezes acima do que é exigido.
“Quem está na lida sabe que sem água, sem solo bem cuidado e sem equilíbrio ambiental não existe produção. O produtor preserva porque precisa produzir amanhã. Isso não é discurso, é sobrevivência da atividade”, afirma.
Rezende aponta, no entanto, que o ambiente institucional ainda cria distorções que dificultam o reconhecimento desse esforço. Para ele, há excesso de exigências, insegurança jurídica e regras que mudam com frequência, o que acaba penalizando quem já produz dentro da lei.
“O produtor cumpre, investe, preserva, mas continua sendo tratado como problema. Falta coerência. Quem está regular não pode continuar pagando a conta de um sistema que não diferencia quem faz certo de quem está fora da regra”, diz.
Na avaliação do dirigente, o debate sobre sustentabilidade no Brasil precisa avançar com base em dados e realidade de campo, e não em generalizações. Ele defende que o país já possui uma das legislações ambientais mais rígidas do mundo, mas enfrenta falhas na aplicação e na comunicação dessas informações.
“O Brasil tem uma das produções mais eficientes e sustentáveis do planeta. O que falta é organização e clareza nas regras, além de uma comunicação mais firme para mostrar o que já é feito dentro da porteira”, conclui.
Fonte: Pensar Agro
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