AGRONEGÓCIO
Custo de produção da soja em MT dispara 6,9% com impacto de conflito no Oriente Médio
AGRONEGÓCIO
Mercado Externo
As tensões geopolíticas no Oriente Médio, especialmente envolvendo o Estreito de Ormuz — rota estratégica para o transporte global de petróleo —, têm provocado forte volatilidade nos mercados internacionais de energia e insumos agrícolas. O encarecimento do petróleo impacta diretamente a cadeia produtiva, elevando os custos logísticos e de produção em diversas regiões agrícolas do mundo.
Além disso, o cenário de instabilidade também afeta a oferta global de fertilizantes, sobretudo nitrogenados e fosfatados, cuja produção depende intensamente de energia e cadeias de suprimento internacionais.
Mercado Interno
Em Mato Grosso, principal estado produtor de soja do Brasil, os reflexos já são sentidos no planejamento da safra 2026/27. Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), o custeio da cultura atingiu R$ 4.435,40 por hectare, avanço de 6,98% em relação ao mês anterior.
A elevação está diretamente associada ao aumento nos preços dos insumos, pressionados pelo cenário externo e pela valorização dos combustíveis no mercado doméstico.
Preços
O diesel, insumo essencial para as operações mecanizadas no campo, registrou forte alta no estado. O preço médio passou de R$ 6,35 por litro em fevereiro para R$ 7,21/litro em março, conforme dados da ANP, representando avanço de R$ 0,86 por litro.
Esse movimento impacta diretamente os custos operacionais, especialmente em atividades como plantio, pulverização e colheita.
Indicadores
Os fertilizantes seguem como o principal componente do custo de produção da soja, representando 46,71% do custeio total. No comparativo mensal, os gastos com esses insumos subiram 10,77%, alcançando R$ 2.071,87 por hectare — o segundo maior valor já registrado na série histórica para o período.
O avanço reflete a pressão sobre os mercados de nitrogenados e fosfatados, influenciados pelo cenário internacional.
Análise
O atual contexto reforça a necessidade de atenção redobrada por parte dos produtores à relação de troca, que segue deteriorada diante da escalada dos custos. Com insumos mais caros e margens pressionadas, a gestão eficiente e o planejamento estratégico ganham ainda mais relevância.
Caso o cenário geopolítico persista, a tendência é de continuidade na pressão sobre os custos de produção, o que pode impactar decisões de investimento e até a área plantada na próxima safra.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Consumo de diesel no Brasil deve bater recorde em 2026 com 70,8 milhões de m³, impulsionado pelo agronegócio
Demanda por diesel deve atingir novo recorde histórico em 2026
O consumo de diesel no Brasil deve alcançar um novo patamar histórico em 2026, refletindo o dinamismo do agronegócio, da indústria e da logística. Segundo relatório da StoneX, a demanda por diesel B está projetada em 70,8 milhões de metros cúbicos, crescimento de 1,9% na comparação anual.
O avanço é sustentado principalmente pelo ritmo da colheita agrícola, aumento das exportações e intensificação do transporte rodoviário de cargas.
“A recuperação do consumo está diretamente ligada à dinâmica econômica do país, especialmente ao agro e à logística”, destaca o especialista de Inteligência de Mercado, Bruno Cordeiro.
Início de ano mais fraco, mas tendência é de recuperação
Apesar da projeção positiva, o início de 2026 apresentou desempenho mais moderado. As vendas de diesel registraram queda de 1,7% no primeiro bimestre, impactadas por fatores pontuais:
- Atraso na colheita da soja
- Antecipação de compras no fim de 2025
- Ajustes tributários, como aumento do ICMS
No entanto, indicadores recentes já sinalizam retomada. Em março, o fluxo de veículos pesados em rodovias pedagiadas cresceu 7,5%, refletindo o aquecimento do transporte de cargas no país.
Regiões Sul e Sudeste lideram crescimento da demanda
No recorte regional, o relatório aponta que as regiões Sudeste e Sul devem concentrar a maior expansão do consumo de diesel, impulsionadas por:
- Recuperação da produção agrícola
- Desempenho da atividade industrial
- Intensificação do fluxo logístico rumo aos portos
Já o Centro-Oeste deve apresentar crescimento mais moderado, influenciado pela expectativa de menor produção de grãos, embora haja avanço no transporte de etanol de milho.
Produção nacional cresce e reduz necessidade de importações
Do lado da oferta, a produção nacional de diesel A ganhou força no primeiro trimestre, com alta de 4,5%, impulsionada principalmente em março.
Esse movimento reflete esforços das refinarias para ampliar a oferta interna diante das incertezas globais no mercado de energia.
Com isso, a expectativa é de redução nas importações, que devem somar 17,2 milhões de m³ em 2026, queda de 0,6% na comparação anual.
Biodiesel avança acima do diesel e reforça papel estratégico
No segmento de biocombustíveis, o crescimento será ainda mais expressivo. A demanda por biodiesel deve avançar 7,2%, atingindo 10,4 milhões de m³ em 2026.
O desempenho é impulsionado por:
- Aumento da mistura obrigatória para B15
- Crescimento da demanda por diesel
- Busca por alternativas para reduzir dependência externa
“O crescimento do biodiesel reflete tanto o aumento da mistura quanto o dinamismo da demanda por diesel no país”, explica a analista Isabela Garcia.
Óleo de soja segue como principal matéria-prima
O relatório aponta que o óleo de soja continuará como principal insumo para a produção de biodiesel, com participação estimada em 84,7%.
O avanço é favorecido pela ampla oferta interna e pela expectativa de esmagamento recorde de soja no país.
Em um cenário alternativo com adoção da mistura B16, a demanda por biodiesel pode chegar a 10,76 milhões de m³.
Cenário internacional ainda traz incertezas
Mesmo com o ambiente externo marcado por volatilidade — incluindo tensões geopolíticas no Oriente Médio e seus impactos sobre os preços de energia —, a avaliação é de que a demanda por diesel no Brasil deve se manter resiliente.
Isso porque o consumo do combustível está diretamente ligado à atividade econômica, especialmente:
- Transporte de cargas
- Produção agroindustrial
- Cadeias logísticas
Por outro lado, um cenário de deterioração econômica global pode impactar negativamente o consumo no curto prazo.
A expectativa de recorde no consumo de diesel em 2026 reforça o papel central do agronegócio e da logística na demanda por energia no Brasil, enquanto o avanço do biodiesel consolida a transição para uma matriz mais diversificada e estratégica no país.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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