AGRONEGÓCIO
Demanda global em alta eleva IPCF de julho em 4,6%
AGRONEGÓCIO
O Índice de Poder de Compra de Fertilizantes (IPCF), divulgado pela Mosaic Fertilizantes, fechou o mês de julho em 1,32 — uma alta de 4,6% em comparação com junho. A elevação foi impulsionada por uma combinação de fatores: aumento nos preços dos fertilizantes e queda nos preços das commodities agrícolas, em meio a um cenário global de instabilidade.
Commodities em queda puxam índice para cima
Os preços das principais commodities agrícolas apresentaram recuo médio de 2%. As maiores quedas foram observadas no milho (-5%), no algodão (-3%) e na cana-de-açúcar (-3%). A soja foi a única exceção, com leve alta de 0,5%.
Essas variações refletem o bom desempenho das safras nos Estados Unidos e a colheita da segunda safra no Brasil. Além disso, as recentes medidas protecionistas adotadas pelos Estados Unidos, com novas taxações sobre produtos brasileiros, também geram incertezas no mercado.
Fertilizantes sobem com força, liderados pela ureia
Os fertilizantes tiveram aumento médio de 2,6% em julho. Destaque para a ureia, com valorização de 8%, e para o fosfato monoamônico (MAP), que subiu 3%. A alta foi impulsionada pela proximidade da janela de plantio da soja e pela forte demanda global, em contraste com uma oferta restrita.
No caso específico da ureia, os preços foram diretamente afetados pelo conflito entre Israel e Irã, considerando a importância do Irã na produção mundial e os riscos associados ao fornecimento de gás natural na região.
Câmbio tem leve queda e impacto limitado
O dólar recuou 0,3% no período, com efeito limitado sobre o IPCF. Apesar disso, o mercado segue atento às implicações das tarifas comerciais dos Estados Unidos e à conclusão das negociações para o fornecimento de insumos da próxima safra de verão, que ainda tem cerca de 20% do volume pendente de comercialização.
Entre os agricultores que já efetuaram a compra, a recomendação é garantir a retirada dos fertilizantes o quanto antes, a fim de evitar gargalos logísticos e atrasos na entrega.
Entenda o IPCF
O Índice de Poder de Compra de Fertilizantes (IPCF) é divulgado mensalmente pela Mosaic e mede a relação entre os preços dos fertilizantes e das principais commodities agrícolas brasileiras. A base de comparação é o ano de 2017, e quanto menor o índice, mais favorável é a relação de troca para o produtor.
O cálculo considera os preços dos fertilizantes no porto brasileiro, com dados fornecidos pela consultoria internacional CRU, e os preços médios das commodities no mercado nacional, com base nas informações da Agência Estado e do Cepea.
Metodologia do índice
- Fertilizantes analisados: MAP, SSP, ureia e KCL, ponderados conforme a participação no uso nacional.
- Commodities consideradas: soja, milho, açúcar, etanol (cana-de-açúcar) e algodão.
- Ponderação cambial: 70% para o custo dos fertilizantes e 85% para a receita gerada pelas commodities.
Os dados apresentados referem-se ao mês de julho de 2025.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Alta de invasões impulsiona campanha “Invasão Zero” e pressiona por lei mais dura
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) intensificou a reação às invasões de propriedades rurais com a campanha “Invasão Zero”, que reúne um conjunto de propostas legislativas e medidas de pressão institucional para endurecer o combate às ocupações no campo.
A iniciativa ganha força em meio ao aumento recente dos casos. Levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) aponta 33 invasões registradas entre janeiro e meados de abril deste ano, sendo 14 apenas neste mês. Do total, 32 episódios foram atribuídos ou vinculados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
Para a bancada ruralista, o avanço das ocupações amplia a insegurança jurídica e afeta decisões de investimento no setor. A avaliação é de que o cenário pode comprometer a produção, sobretudo em regiões de fronteira agrícola, onde a expansão depende de maior previsibilidade institucional.
Como resposta, a FPA articula um pacote de projetos no Congresso. Entre eles está o Projeto de Lei 4.432/2023, que cria o Cadastro Nacional de Invasões de Propriedades (CNIP), com integração ao Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). A proposta busca centralizar dados, facilitar a identificação de envolvidos e dar suporte às ações de segurança.
Outro eixo da ofensiva é o endurecimento das penas. O Projeto de Lei 1.198/2023 propõe alterar o Código Penal para elevar a punição por esbulho possessório, hoje limitada a detenção de um a seis meses, para reclusão de quatro a oito anos, além de multa. Já o Projeto de Lei 6.612/2025 cria uma tipificação específica para invasões de propriedades rurais, com penas que podem chegar a dez anos, agravadas em casos de áreas produtivas ou ações coletivas.
No mesmo pacote, propostas buscam restringir o acesso de invasores a políticas públicas. Um dos textos em tramitação prevê a exclusão de ocupantes irregulares de programas de reforma agrária e o bloqueio temporário de crédito subsidiado, benefícios fiscais e contratos com o poder público.
A ofensiva legislativa ocorre em um contexto mais amplo de debate sobre a política fundiária. Dados do mostram que o Brasil tem cerca de 1,1 milhão de famílias assentadas, mas ainda enfrenta desafios estruturais na geração de renda e na integração produtiva dessas áreas. Para a FPA, a solução passa por tratar a reforma agrária como política técnica, com foco em infraestrutura, assistência e viabilidade econômica, e não por meio de ocupações.
A campanha “Invasão Zero” deve orientar a atuação da bancada ao longo de 2026, com prioridade para projetos que ampliem a segurança jurídica no campo e estabeleçam regras mais rígidas para ocupações ilegais. O tema tende a ganhar espaço na agenda do Congresso, especialmente diante da pressão de produtores e entidades do setor.
Fonte: Pensar Agro
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