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Dólar inicia semana em alta no Brasil com tensão no Oriente Médio e cautela dos investidores
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O dólar começou a semana em valorização frente ao real no mercado brasileiro, refletindo um cenário internacional mais tenso e maior cautela dos investidores. A escalada das tensões no Oriente Médio tem impulsionado os preços do petróleo no mercado internacional e ampliado a busca global por ativos considerados mais seguros, movimento que favorece a moeda norte-americana.
Na abertura das negociações desta segunda-feira (9), o dólar à vista registrava alta próxima de 0,5%, sendo negociado na faixa de R$ 5,27. Na última sexta-feira, a moeda americana havia encerrado o pregão em queda, cotada próxima de R$ 5,24.
No mercado futuro da B3, os contratos de dólar com vencimento em abril — os mais negociados no momento — também apresentavam avanço no início do dia, refletindo a cautela dos agentes financeiros diante do cenário externo.
Conflitos internacionais elevam aversão ao risco
A valorização do dólar ocorre em meio ao aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio, fator que tem provocado maior volatilidade nos mercados globais. O cenário elevou os preços do petróleo, com o barril superando a marca de US$ 100 em alguns momentos, pressionando economias dependentes de importação de energia e ampliando a aversão ao risco.
Em períodos de incerteza internacional, investidores costumam migrar recursos para ativos considerados mais seguros, como títulos do Tesouro dos Estados Unidos e a própria moeda norte-americana, movimento que tende a pressionar moedas de países emergentes, como o real.
Banco Central realiza leilão de swaps cambiais
No mercado doméstico, investidores também acompanham a atuação do Banco Central no câmbio. A autoridade monetária programou para esta segunda-feira a realização de um leilão de até 50 mil contratos de swap cambial tradicional, operação destinada à rolagem de contratos com vencimento previsto para 1º de abril.
Os swaps cambiais funcionam como instrumentos de proteção no mercado, ajudando a reduzir oscilações mais bruscas da moeda e oferecendo liquidez ao sistema financeiro.
A taxa de referência PTAX divulgada pelo Banco Central indica o dólar próximo de R$ 5,28 na venda, refletindo a média das negociações realizadas no mercado cambial brasileiro.
Mercado acompanha projeções econômicas
Outro ponto de atenção dos investidores é o Boletim Focus, relatório semanal divulgado pelo Banco Central que reúne as projeções de economistas e instituições financeiras para os principais indicadores da economia brasileira.
Na edição mais recente, o mercado revisou levemente para baixo a estimativa do dólar para o fim de 2026, passando de R$ 5,42 para R$ 5,41. As projeções também indicam expectativa de inflação medida pelo IPCA próxima de 3,9% neste ano e taxa Selic ao redor de 12%.
Essas estimativas servem como referência para investidores avaliarem o cenário econômico e as perspectivas para o câmbio nos próximos meses.
Bolsa brasileira também sente impacto externo
O ambiente internacional de maior cautela também tem influenciado o desempenho da bolsa brasileira. Na última sessão, o Ibovespa, principal índice da B3, registrou queda de aproximadamente 0,7%, encerrando o pregão aos 179 mil pontos.
No acumulado recente, os indicadores apresentam o seguinte desempenho:
- Dólar
- Semana: +2,97%
- Mês: +2,97%
- Ano: -3,68%
- Ibovespa
- Semana: -4,41%
- Mês: -4,41%
- Ano: +12%
Perspectivas para o câmbio
Analistas apontam que o comportamento do dólar nas próximas sessões dependerá principalmente do cenário internacional, da evolução dos conflitos no Oriente Médio e do fluxo de capital estrangeiro para mercados emergentes.
Além disso, as ações do Banco Central e os indicadores econômicos globais devem continuar influenciando as decisões dos investidores e a volatilidade da moeda no curto prazo.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Brasil responderá sozinho por cerca de 42% de toda a soja colhida no mundo
A produção de soja dos Estados Unidos acima do esperado aumentou a pressão sobre os preços justamente quando o produtor brasileiro inicia a safra 2026/27. As cotações recuaram 1,8% na Bolsa de Chicago após a divulgação, nesta sexta-feira (11), do novo relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
O órgão elevou a estimativa da safra americana para 123,42 milhões de toneladas, contrariando os analistas, que esperavam uma redução para aproximadamente 122,5 milhões. O aumento considera uma produtividade maior e a ampliação da área que deverá ser efetivamente colhida.
Para o agricultor brasileiro, uma safra maior nos Estados Unidos significa mais soja disponível no mercado durante os próximos meses. Como a colheita americana coincide com o início do plantio no Brasil, esse volume adicional pode limitar uma recuperação das cotações internacionais no curto prazo.
A pressão, porém, não vem apenas da produção americana. O USDA manteve a estimativa da safra mundial em 442,35 milhões de toneladas e a produção brasileira em 186 milhões. Se a projeção se confirmar, o Brasil responderá sozinho por cerca de 42% de toda a soja colhida no mundo.
A combinação de grandes safras nos dois principais produtores amplia a disputa pelos compradores. Nesse cenário, preços, qualidade, disponibilidade de produto, custos portuários e eficiência logística passam a ter peso ainda maior na competitividade das exportações brasileiras.
O relatório também trouxe fatores capazes de limitar a queda das cotações. A previsão de exportações dos Estados Unidos subiu 1,5%, para 45,86 milhões de toneladas, enquanto os estoques americanos ao fim da temporada foram reduzidos em 3,2%, para 8,43 milhões.
Isso significa que parte da produção adicional deverá ser absorvida pelo mercado externo. Os estoques menores indicam que, apesar da colheita elevada, não haverá necessariamente uma sobra tão grande de soja nos armazéns americanos ao fim da safra.
A China continua sendo o principal ponto de sustentação da demanda. O USDA manteve em 115 milhões de toneladas a projeção das importações chinesas em 2026/27. Para o Brasil, maior fornecedor da oleaginosa ao país asiático, a manutenção desse volume reduz o risco de uma queda mais acentuada nas vendas externas.
As exportações brasileiras foram estimadas em 118 milhões de toneladas, sem alteração em relação ao relatório anterior. O volume equivale a mais de 63% da produção projetada para o país e mostra quanto a remuneração do produtor continuará dependente do mercado internacional.
A queda em Chicago não é transferida automaticamente, na mesma proporção, para os preços pagos no interior do Brasil. A cotação recebida pelo agricultor também depende do câmbio, dos prêmios nos portos, do frete, da demanda das indústrias e das condições de armazenagem em cada região.
No milho, o relatório trouxe um sinal relativamente mais favorável aos preços. A produção mundial foi reduzida para aproximadamente 1,290 bilhão de toneladas, queda de 0,61% em relação à projeção de agosto. Os estoques globais também recuaram para 272,1 milhões de toneladas.
O principal corte ocorreu nos Estados Unidos. A estimativa da produção americana caiu 1,33%, para cerca de 401 milhões de toneladas. Os estoques finais do país foram reduzidos em pouco mais de 5%, para 39,7 milhões de toneladas. Menos milho disponível no maior produtor mundial tende a oferecer sustentação às cotações internacionais.
Para o Brasil, a produção foi mantida em 139 milhões de toneladas, mas a previsão de exportações caiu de 44 milhões para 43 milhões. Ao mesmo tempo, o USDA elevou a estimativa de consumo interno brasileiro de 100 milhões para 102 milhões de toneladas.
A revisão indica que uma parcela maior do milho poderá ser absorvida dentro do país, principalmente pelas cadeias de proteína animal e pela indústria de etanol. O consumo doméstico mais forte pode ajudar a reduzir a pressão provocada pela safra elevada, embora os preços também dependam do ritmo dos embarques e da capacidade de armazenagem.
No trigo, o cenário é diferente. A produção mundial foi elevada para 822,43 milhões de toneladas e os estoques globais subiram para 276,29 milhões. Uma oferta internacional mais confortável tende a conter os preços do cereal.
O USDA reduziu a estimativa da safra brasileira de trigo de 6,1 milhões para 6 milhões de toneladas. A previsão de importações permaneceu em 7,5 milhões e a de exportações foi mantida em 1,9 milhão de toneladas.
A Argentina, principal fornecedora do mercado brasileiro, deverá colher 21,5 milhões de toneladas e exportar 15,5 milhões. A maior disponibilidade argentina pode reduzir o custo de abastecimento dos moinhos brasileiros, mas também aumenta a concorrência enfrentada pelos triticultores, principalmente no Sul do país.
O relatório deixa sinais diferentes para as três culturas. A soja enfrenta pressão da oferta elevada, embora a demanda chinesa e a redução dos estoques americanos ofereçam sustentação. O milho encontra apoio nos cortes da produção e dos estoques dos Estados Unidos. Já o trigo brasileiro terá de competir com uma safra maior na Argentina e com o aumento da disponibilidade mundial.
Fonte: Pensar Agro
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