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Dólar oscila perto da estabilidade no Brasil com tensão no Oriente Médio e atuação do Banco Central; Ibovespa registra leve alta

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O dólar iniciou a sessão desta terça-feira (10) com oscilações moderadas frente ao real, refletindo a cautela dos investidores diante do cenário geopolítico no Oriente Médio e da expectativa pelas operações do Banco Central no mercado cambial. Ao mesmo tempo, o mercado financeiro brasileiro acompanha os desdobramentos internacionais e indicadores econômicos que influenciam o fluxo de capitais para economias emergentes.

No mercado acionário, o principal índice da bolsa brasileira apresenta leve avanço, enquanto agentes financeiros também monitoram as ações da autoridade monetária para garantir liquidez no câmbio e estabilidade no mercado.

Dólar inicia o dia próximo da estabilidade

No início das negociações desta terça-feira, o dólar apresentou leve variação frente ao real. Por volta das 9h06, a moeda norte-americana registrava alta de 0,08%, sendo negociada a R$ 5,1698 na venda.

No mercado futuro, o contrato de dólar com vencimento em abril — atualmente o mais líquido na B3 — avançava 0,07%, cotado a R$ 5,2025.

Ao longo da manhã, o movimento de valorização da moeda norte-americana ganhou leve intensidade. Por volta das 10h40, o dólar apresentava alta de 0,21%, negociado a R$ 5,1751.

Banco Central realiza leilão de swap cambial

Para garantir liquidez no mercado cambial, o Banco Central do Brasil programou para 11h30 um leilão de até 50 mil contratos de swap cambial tradicional.

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A operação tem como objetivo a rolagem de contratos com vencimento em 1º de abril, mecanismo frequentemente utilizado pela autoridade monetária para oferecer proteção cambial ao mercado sem alterar diretamente o volume das reservas internacionais.

O Banco Central segue monitorando as condições financeiras globais e o comportamento do real frente ao dólar, fatores considerados relevantes para a condução da política monetária e para o controle das expectativas de inflação.

Tensão no Oriente Médio segue no radar dos investidores

O comportamento do câmbio também reflete a atenção dos investidores ao cenário geopolítico internacional. Na sessão anterior, declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicando que a guerra no Oriente Médio poderia terminar em breve, ajudaram a reduzir a aversão ao risco nos mercados globais.

Esse tipo de sinalização tende a favorecer ativos de maior risco, como moedas de países emergentes e mercados acionários, contribuindo para o recuo do dólar observado no fechamento da sessão anterior.

Ibovespa mantém leve avanço no pregão

Enquanto o câmbio apresenta oscilações moderadas, o mercado acionário brasileiro registra estabilidade com leve viés de alta.

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Por volta das 10h40, o Ibovespa avançava 0,01%, aos 181.715 pontos.

Na sessão anterior, o índice encerrou o dia com valorização de 0,86%, alcançando 180.915 pontos, refletindo o ambiente mais favorável ao risco nos mercados globais.

Desempenho recente do dólar e do Ibovespa

  • Dólar (mercado à vista)
    • Acumulado da semana: -1,52%
    • Acumulado do mês: +0,59%
    • Acumulado do ano: -5,91%
  • Ibovespa
    • Acumulado da semana: +0,86%
    • Acumulado do mês: -4,17%
    • Acumulado do ano: +12,28%
Mercado segue atento ao cenário externo e à política monetária

Analistas destacam que o comportamento do dólar no Brasil continua sendo influenciado principalmente pelo ambiente internacional, incluindo o cenário geopolítico, a política monetária norte-americana e o fluxo de capitais direcionado a países emergentes.

No cenário doméstico, investidores também acompanham atentamente as decisões e sinalizações do Banco Central do Brasil, que desempenham papel central na estabilidade do real e na condução da política econômica do país.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Safra recorde deve superar capacidade dos armazéns em 133 milhões de toneladas

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A produção brasileira de grãos poderá superar a capacidade de armazenagem do país em aproximadamente 133 milhões de toneladas na safra 2026/27. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas, enquanto os armazéns brasileiros comportam 233,8 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A estrutura existente equivale a cerca de 64% do volume que poderá ser produzido. A diferença expõe um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro: a produção avança em ritmo superior à construção e à modernização de silos, sobretudo dentro das propriedades rurais e nas novas regiões produtoras.

Na prática, a limitação reduz a capacidade do agricultor de escolher o melhor momento para comercializar. Sem espaço próprio, parte dos produtores precisa retirar rapidamente os grãos da fazenda e negociar durante a colheita, período marcado pela concentração da oferta, aumento da procura por caminhões e pressão sobre os preços e os fretes.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o problema deixou de ser apenas logístico e passou a afetar diretamente a renda no campo.

“Produzir uma safra recorde é uma conquista, mas o produtor precisa ter condições de transformar esse volume em renda. Sem armazenagem, ele perde liberdade para decidir quando vender e pode ser obrigado a negociar justamente no período de maior oferta, quando os preços tendem a estar mais pressionados”, afirma Rezende.

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“Um silo dentro da propriedade não serve apenas para guardar grãos. Ele permite preservar a qualidade, reduzir perdas, organizar o transporte e esperar uma condição comercial mais favorável. Em uma atividade de margens cada vez mais estreitas, essa capacidade de decisão pode determinar o resultado de toda a safra”, acrescenta.

Segundo Rezende, a ampliação dos armazéns exige financiamento de longo prazo, previsibilidade e condições compatíveis com o período necessário para recuperar o investimento. “O Brasil não pode continuar ampliando a produção sem fazer o mesmo esforço na infraestrutura. A armazenagem precisa ser tratada como parte do sistema produtivo, porque o gargalo acaba transferindo custos, riscos e perdas para quem está no campo”, diz.

A capacidade de armazenagem brasileira cresceu 1,1% no segundo semestre de 2025 e chegou a 233,8 milhões de toneladas. No mesmo período, o país contabilizava 9.668 estabelecimentos com estruturas destinadas à guarda de produtos agrícolas.

O avanço, porém, não acompanha o ritmo das lavouras. A safra 2025/26 foi estimada em 361,7 milhões de toneladas. Para o ciclo 2026/27, a projeção de 366,6 milhões representa mais 4,9 milhões de toneladas chegando ao mercado, com novos recordes esperados em culturas importantes.

A diferença entre produção e capacidade estática não significa que 133 milhões de toneladas ficarão literalmente sem local para serem guardadas. Os armazéns podem receber mais de uma carga durante o ano, e as culturas são colhidas em épocas diferentes. Mesmo assim, a comparação mostra que a estrutura disponível é insuficiente nos momentos de concentração da colheita e está distribuída de forma desigual pelo território.

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O problema é mais grave nas regiões em que a produção cresceu rapidamente sem a instalação de silos na mesma proporção. Nesses locais, os grãos percorrem distâncias maiores até unidades armazenadoras, elevando o consumo de combustível, o custo do transporte e o tempo de espera para descarga.

As filas também podem atrasar a retirada da produção da propriedade e a entrada das máquinas em novas áreas. Quando soja e milho disputam simultaneamente caminhões e espaço nos armazéns, o gargalo alcança cooperativas, tradings, indústrias e terminais de exportação.

A ampliação da armazenagem nas fazendas permitiria distribuir melhor o fluxo dos grãos ao longo do ano e reduzir a pressão sobre rodovias e terminais durante a colheita. Também daria ao produtor melhores condições para separar lotes, conservar a qualidade e negociar o produto de acordo com as oportunidades do mercado.

O desafio da safra 2026/27, portanto, não estará apenas em produzir mais. O país terá de encontrar espaço, transporte e condições comerciais para transformar 366,6 milhões de toneladas de grãos em renda efetiva para o produtor.

Fonte: Pensar Agro

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