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Dólar recua e mercado reage à trégua no Oriente Médio; petróleo e falas de Trump ditam o ritmo dos negócios

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Dólar hoje: moeda recua com alívio geopolítico e oscilação do petróleo

O dólar iniciou esta segunda-feira (23) em queda frente ao real, em meio a um ambiente de forte volatilidade nos mercados globais. A moeda americana recuava cerca de 0,5% no início da manhã, sendo negociada próxima de R$ 5,28, refletindo uma reação imediata dos investidores ao alívio nas tensões no Oriente Médio.

O movimento ocorre após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar o adiamento de possíveis ataques contra instalações de energia do Irã, reduzindo temporariamente o risco de escalada no conflito.

Petróleo em queda influencia câmbio e humor do mercado

O mercado internacional de petróleo também reagiu à notícia, registrando forte queda ao longo do dia. Em determinado momento, a commodity chegou a recuar mais de 13%, mas reduziu as perdas para cerca de 6%.

Essa desvalorização impacta diretamente moedas de países emergentes, como o real, ajudando a aliviar a pressão sobre o câmbio no curto prazo. Ainda assim, a volatilidade permanece elevada, diante das incertezas sobre o desdobramento da crise.

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Desencontro de informações entre EUA e Irã aumenta cautela

Apesar do tom mais conciliador de Trump, que afirmou haver conversas “produtivas” com o Irã visando uma resolução completa do conflito, autoridades iranianas negaram qualquer tipo de negociação, direta ou indireta.

O desencontro de narrativas mantém os investidores cautelosos, limitando movimentos mais consistentes nos ativos financeiros e reforçando a sensibilidade do mercado a novas declarações.

Atuação do Banco Central traz liquidez ao mercado cambial

No cenário doméstico, o Banco Central do Brasil atua para garantir liquidez e estabilidade no mercado cambial.

Foram programados para esta segunda-feira:

  • Leilão de linha de até US$ 2 bilhões, com compromisso de recompra;
  • Leilão de até 60 mil contratos de swap cambial tradicional.

As operações têm como objetivo a rolagem de vencimentos previstos para o início de abril, contribuindo para suavizar oscilações no câmbio.

Ibovespa e dólar: desempenho recente do mercado financeiro

Na última sexta-feira, o dólar fechou em forte alta, acima de R$ 5,30, impulsionado pelas preocupações com os impactos econômicos de uma possível escalada do conflito no Oriente Médio.

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Já nesta segunda-feira, o movimento é de correção.

  • Dólar (desempenho recente):
    • Semana: -0,11%
    • Mês: +3,40%
    • Ano: -3,28%
  • Ibovespa (desempenho recente):
    • Semana: -0,81%
    • Mês: -6,66%
    • Ano: +9,37%

O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, tende a refletir o cenário externo e a dinâmica das commodities, especialmente petróleo e câmbio, ao longo do pregão.

Perspectivas: mercado segue dependente do cenário externo

O comportamento do dólar e dos ativos brasileiros no curto prazo continuará fortemente atrelado a três fatores principais:

  • Evolução das tensões entre Estados Unidos e Irã;
  • Oscilações no preço do petróleo;
  • Sinalizações de política monetária e atuação do Banco Central.

Enquanto houver incertezas no cenário geopolítico, a tendência é de manutenção da volatilidade, com movimentos rápidos tanto de alta quanto de queda no câmbio e nos mercados globais.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

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A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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