AGRONEGÓCIO
Economia brasileira mantém mercado de trabalho aquecido, mas inflação e cenário externo elevam incertezas em 2026
AGRONEGÓCIO
A economia brasileira segue demonstrando resiliência em 2026, sustentada pelo mercado de trabalho aquecido, crescimento da renda da população e desempenho robusto das exportações. No entanto, o avanço da inflação, os efeitos da política monetária restritiva e as tensões geopolíticas globais mantêm o ambiente econômico cercado de incertezas para os próximos meses.
A avaliação faz parte do relatório “Ainda calibrando em meio a incertezas”, divulgado pelo Rabobank, que traça um panorama detalhado sobre atividade econômica, inflação, comércio exterior, indústria, varejo e serviços no Brasil.
Mercado de trabalho segue forte e renda bate recorde
O levantamento mostra que o mercado de trabalho brasileiro continua operando em níveis historicamente aquecidos. A renda média real do trabalhador alcançou R$ 3.722 em março, novo recorde histórico, com crescimento de 5,5% em relação ao mesmo período do ano passado.
A massa salarial também atingiu máxima histórica, chegando a R$ 374,8 bilhões, avanço anual de 7,1%.
Segundo o Rabobank, a combinação entre desemprego baixo, crescimento da renda e aumento da população ocupada continua sustentando o consumo e parte da atividade econômica, mesmo diante do ambiente de juros elevados.
A projeção da instituição é de taxa média de desemprego em 6% ao longo de 2026, refletindo um mercado de trabalho ainda resiliente, apesar dos impactos defasados da política monetária.
Produção industrial cresce, mas desaceleração já aparece
A indústria brasileira registrou o terceiro avanço consecutivo em março, com alta de 0,1% frente ao mês anterior e crescimento anual de 4,3%.
Entre os destaques positivos apareceram:
- produtos químicos;
- veículos automotores;
- metalurgia;
- máquinas e equipamentos;
- derivados de petróleo e biocombustíveis.
Por outro lado, segmentos ligados a alimentos, móveis, vestuário e papel registraram retração no período.
Apesar da recuperação parcial observada no primeiro trimestre, o Rabobank alerta que o setor industrial já começa a sentir os efeitos do ambiente de juros elevados, das incertezas eleitorais e do cenário geopolítico internacional.
Balança comercial bate recorde com força do agro
A balança comercial brasileira alcançou superávit recorde de US$ 10,5 bilhões em abril, impulsionada principalmente pelo agronegócio e pelas exportações de petróleo.
As exportações totalizaram US$ 34,1 bilhões no mês, enquanto as importações somaram US$ 23,6 bilhões.
No acumulado de 2026, o saldo comercial já chega a US$ 24,8 bilhões, crescimento de 43,5% sobre o mesmo período do ano anterior.
No agro, os principais destaques foram:
- soja (+18,8%);
- algodão (+43,7%);
- carne bovina (+29,4%).
A China permaneceu como principal destino das exportações brasileiras, com crescimento de 32,5% nas compras em abril.
Inflação acelera e alimentos seguem pressionando orçamento
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,67% em abril, levando a inflação acumulada em 12 meses para 4,4%, acima da meta oficial do Banco Central.
Os alimentos continuam entre os principais vilões da inflação. Entre os produtos que mais subiram no mês aparecem:
- cebola;
- tomate;
- leite longa vida;
- carnes.
O grupo Alimentação e Bebidas avançou 1,34% no período.
Além da alimentação, o setor de saúde também pressionou o índice após reajustes nos medicamentos.
Segundo o Rabobank, o conflito no Oriente Médio e os preços elevados do petróleo seguem contaminando custos de energia, transporte e logística, aumentando a pressão inflacionária global e doméstica.
Petróleo, energia e Oriente Médio elevam riscos para inflação
O relatório destaca que o cenário internacional permanece extremamente sensível devido às tensões no Oriente Médio, especialmente em torno do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo.
A expectativa do Rabobank é de manutenção dos preços elevados de petróleo e derivados nos próximos meses, aumentando os riscos inflacionários em:
- combustíveis;
- energia elétrica;
- transporte;
- passagens aéreas;
- alimentos.
A projeção da instituição financeira para a inflação brasileira em 2026 foi mantida em 4,7%, enquanto a estimativa para 2027 subiu de 3,9% para 4,1%.
Varejo surpreende positivamente, mas serviços perdem força
As vendas do varejo brasileiro cresceram 0,5% em março e atingiram novo recorde histórico.
Os segmentos com melhor desempenho foram:
- informática e escritório;
- combustíveis;
- materiais de construção;
- produtos farmacêuticos.
O avanço do varejo segue sendo sustentado pelo mercado de trabalho aquecido e pela expansão da renda das famílias.
Já o setor de serviços apresentou perda de ritmo, com retração de 1,2% em março, interrompendo uma sequência de resultados positivos.
As maiores quedas ocorreram em:
- transporte;
- serviços às famílias;
- comunicação;
- atividades profissionais e administrativas.
Segundo o relatório, o setor ainda deve enfrentar desaceleração gradual ao longo do ano diante do impacto dos juros elevados e do aumento dos custos logísticos globais.
Mercado financeiro acompanha inflação, juros e cenário internacional
O Rabobank também destaca que o mercado financeiro segue atento às decisões de política monetária nos Estados Unidos, às relações comerciais entre China e EUA e à evolução dos conflitos geopolíticos.
O fortalecimento do dólar global e a volatilidade nos preços internacionais das commodities continuam influenciando diretamente o câmbio, os custos de produção e os preços internos no Brasil.
Para o agronegócio brasileiro, o cenário continua positivo nas exportações, mas cercado de desafios relacionados à inflação, custos logísticos, câmbio e desaceleração gradual da atividade econômica global.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Brasil intensifica ofensiva para recuperar mercado de R$ 9,5 bilhões suspenso pela UE
O setor brasileiro de proteína animal espera retomar no primeiro semestre de 2027 as exportações suspensas pela União Europeia desde o último dia 3. A perspectiva ganhou força após sinalizações de que o Brasil poderá voltar à lista de países autorizados a vender produtos de origem animal ao bloco, embora ainda não exista confirmação oficial nem prazo definido pelas autoridades europeias.
A suspensão alcançou produtos como carne bovina, carne de frango, ovos, mel, pescados e animais vivos. A medida colocou em risco um fluxo comercial anual próximo de R$ 9,5 bilhões e atingiu um mercado que, apesar de comprar volumes menores que a China, remunera melhor determinados cortes e produtos de maior valor agregado.
A retirada do Brasil da lista de fornecedores autorizados ocorreu após a União Europeia considerar insuficientes as garantias apresentadas pelo país sobre o controle do uso de antimicrobianos em animais destinados à produção de alimentos. As regras europeias exigem que o acompanhamento alcance todo o ciclo de vida dos animais que dão origem aos produtos exportados.
Para acelerar a solução, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) reuniu em Brasília representantes de 14 países e da União Europeia. O encontro, realizado na quarta-feira (16.09), apresentou os controles sanitários adotados pelo país, os sistemas de certificação e as medidas em andamento para adequar a produção às exigências internacionais.
Participaram diplomatas da Alemanha, Argentina, Austrália, China, Equador, Espanha, Estados Unidos, França, Irlanda, Nova Zelândia, Polônia, Reino Unido, República Dominicana e Singapura, além da representação da União Europeia. As informações deverão ser encaminhadas aos respectivos governos.
A estratégia busca mostrar que o sistema brasileiro de defesa agropecuária possui mecanismos para fiscalizar medicamentos veterinários, monitorar resíduos e certificar os produtos destinados ao comércio internacional. O setor também procura evitar que diferenças de classificação entre as normas brasileiras e europeias sejam interpretadas como falhas sanitárias.
Um dos principais pontos de divergência envolve os ionóforos, substâncias utilizadas na alimentação animal para melhorar a eficiência produtiva e controlar determinadas doenças, como a coccidiose. Esses produtos possuem ação antimicrobiana, mas não são empregados na medicina humana. O setor brasileiro defende que essa diferença seja considerada na avaliação dos riscos e na definição das exigências comerciais.
O Brasil não questiona o direito da União Europeia de estabelecer suas regras sanitárias. A reivindicação é para que o bloco reconheça medidas equivalentes de controle, considere as evidências científicas apresentadas e conceda tempo suficiente para a adaptação das propriedades rurais.
A adequação é mais complexa na bovinocultura porque o ciclo de produção é longo. Para comprovar o atendimento integral às regras europeias, pode ser necessário demonstrar o histórico sanitário do animal desde o nascimento até o abate. Parte do rebanho atualmente disponível foi criada antes da implantação dos novos protocolos.
A indústria frigorífica afirma que as unidades exportadoras já aderiram às medidas necessárias. O desafio agora é ampliar a participação dos pecuaristas e garantir que os registros de manejo, alimentação e uso de medicamentos sejam mantidos durante toda a vida do animal.
Essa exigência aumenta a importância da rastreabilidade individual, do controle dos fornecedores e da escrituração sanitária dentro das propriedades. Para o pecuarista interessado em fornecer animais destinados à União Europeia, o cumprimento dos protocolos poderá se tornar um diferencial comercial e uma condição para permanecer nessa cadeia.
No caso da carne de frango e do mel, as perspectivas são mais imediatas. Uma auditoria europeia realizada no Brasil apresentou sinalização preliminar favorável aos controles dessas cadeias. Caso o resultado seja confirmado no relatório final, os embarques poderão ser retomados antes da carne bovina.
A bovinocultura ainda depende de uma solução para os animais criados durante o período de transição. O setor defende que a União Europeia aceite mecanismos capazes de comprovar a conformidade sanitária sem exigir que todo o rebanho aguarde um novo ciclo completo de produção.
A carne bovina brasileira movimentou aproximadamente R$ 5,2 bilhões em vendas para o mercado europeu em 2025, com embarques superiores a 108 mil toneladas. O volume representou uma parcela pequena das exportações totais do país, mas a União Europeia possui importância estratégica por comprar cortes de maior valor e ajudar no aproveitamento econômico da carcaça.
A suspensão também afeta a formação dos preços no mercado interno. Quando um frigorífico perde acesso a um destino que remunera melhor determinados produtos, pode enfrentar dificuldade para redirecionar imediatamente os volumes e preservar as margens. Essa pressão tende a chegar ao pecuarista por meio de compras mais cautelosas e menor disputa pelos animais.
O encontro com diplomatas amplia a discussão para além da União Europeia. Ao apresentar os controles sanitários brasileiros a outros compradores, o setor busca impedir que o questionamento europeu seja reproduzido em mercados que ainda recebem normalmente os produtos nacionais.
A eventual reinclusão do Brasil na lista europeia não significará liberação automática de todas as exportações. Certificados sanitários, protocolos por cadeia e requisitos aplicáveis às propriedades e aos frigoríficos ainda precisarão ser ajustados.
A expectativa de retomada no primeiro semestre de 2027 é, portanto, uma projeção do setor, e não uma decisão já tomada. O avanço do diálogo técnico representa um sinal positivo, mas o retorno dependerá do reconhecimento formal dos controles brasileiros pela União Europeia e da capacidade de levar as novas exigências até a propriedade rural.
Fonte: Pensar Agro
-
AGRONEGÓCIO7 dias atrásProdução de laranja deverá alcançar 263,15 milhões de caixas
-
POLÍTICA NACIONAL7 dias atrásSancionada lei que autoriza zerar ‘taxa das blusinhas’ até US$ 50
-
AGRONEGÓCIO7 dias atrásSemana do Aviador começa com debates sobre segurança e tecnologia no campo
-
POLÍTICA NACIONAL7 dias atrásEleições 2026: influenciadores podem ser contratados para fazer campanha eleitoral?
-
POLÍTICA NACIONAL7 dias atrásConselho de Comunicação Social debate regulação de redes sociais
-
SEM CATEGORIA7 dias atrásPrefeitura de Rio Branco inicia implantação de reforço na rede de água da Vila Jorge Kalume para garantir abastecimento à comunidade
-
AGRONEGÓCIO4 dias atrásRecorde das exportações abre mercado para safra de 33,4 milhões de sacas
-
ESPORTES6 dias atrásInternacional vence Chapecoense fora de casa e quebra jejum de dez jogos no Brasileirão