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Empresas brasileiras ajustam estratégias em meio à volatilidade cambial e novo cenário do comércio global em 2026
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Cenário internacional desafia empresas com câmbio instável e barreiras comerciais
O ano de 2026 começa marcado por forte instabilidade no mercado cambial e mudanças estruturais no comércio global, exigindo novas estratégias das empresas brasileiras. A manutenção de juros altos nas principais economias, conflitos geopolíticos persistentes e políticas comerciais mais restritivas têm pressionado moedas e alterado fluxos tradicionais de importação e exportação.
De acordo com levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), 57% das empresas exportadoras do país já consideram o câmbio um dos maiores obstáculos para os negócios. Dados do Banco Mundial indicam ainda que a volatilidade cambial global permanece acima da média histórica registrada antes de 2020.
Dólar instável exige planejamento estratégico das companhias
Para Murillo Oliveira, Head of Treasury da Saygo Group e especialista em câmbio e comércio exterior, a previsibilidade deixou de ser uma característica natural do mercado. “O empresário precisa trabalhar com a premissa de que o dólar continuará instável em 2026. Ignorar isso é aceitar que a margem e o caixa fiquem reféns de fatores externos”, afirma.
Segundo o especialista, a gestão cambial deve ser encarada como parte integrante da estratégia corporativa, e não apenas como uma operação financeira isolada. “O câmbio precisa conversar com o comercial, com o financeiro e com a estratégia de expansão. Quando isso não acontece, as perdas aparecem de forma silenciosa”, destaca Oliveira.
Comércio internacional vive reconfiguração estrutural
Além da volatilidade das moedas, o comércio global passa por mudanças profundas. Barreiras tarifárias, exigências ambientais mais rígidas e maior fiscalização sobre a origem e rastreabilidade de produtos estão remodelando as cadeias internacionais.
Relatórios da Organização Mundial do Comércio (OMC) mostram que as medidas restritivas ao comércio cresceram mais de 30% nos últimos anos, tendência que deve se manter diante da fragmentação das cadeias globais.
Para o setor exportador brasileiro, esse novo contexto representa tanto riscos quanto oportunidades. A dependência de poucos mercados se torna vulnerável, enquanto a diversificação de destinos surge como estratégia essencial. “Quem concentra exportações em um único país tende a sofrer mais em períodos de ruptura. A diversificação deixa de ser opção e passa a ser necessidade”, reforça o especialista.
Gestão cambial ganha protagonismo nas decisões empresariais
Em meio à instabilidade global, empresas brasileiras estão incorporando ferramentas de proteção financeira como parte do planejamento de longo prazo. Contratos a termo, operações de hedge, contas em moeda estrangeira e revisões periódicas de políticas de precificação estão se tornando práticas mais comuns em 2026.
Segundo Murillo Oliveira, a profissionalização da gestão financeira e comercial é um passo inevitável. “O problema não é o câmbio oscilar, mas a empresa não saber como essa oscilação afeta o resultado”, destaca.
Cinco diretrizes para enfrentar o câmbio volátil em 2026
O especialista elenca cinco medidas fundamentais para que as companhias enfrentem o cenário cambial com maior resiliência:
- Mapear a exposição cambial real — considerar contratos em andamento, prazos de pagamento e dependência de insumos importados.
- Integrar câmbio e formação de preços — evitar contratos baseados apenas na cotação do dia, sem proteção ou revisão.
- Diversificar mercados e moedas — reduzir a dependência exclusiva do dólar e diluir riscos geográficos.
- Revisar contratos internacionais — incluir cláusulas de flexibilidade cambial e logística sempre que possível.
- Buscar apoio técnico especializado — utilizar consultorias e tecnologia para estruturar estratégias de hedge e otimizar regimes aduaneiros e tributários.
Essas práticas ajudam, segundo o especialista, a transformar a volatilidade em uma variável controlável dentro das empresas.
Profissionalização e tecnologia marcam nova fase do comércio exterior
Com margens de lucro mais pressionadas e exigências regulatórias crescentes, o comércio exterior brasileiro deve passar por um processo de profissionalização e digitalização em 2026. Cresce a demanda por consultorias especializadas e tecnologias de gestão cambial e logística, capazes de reduzir riscos e otimizar operações.
“O comércio internacional ficou sofisticado demais para ser conduzido de forma amadora. O custo do erro é alto e, muitas vezes, irreversível”, alerta Oliveira.
Estrutura e governança são essenciais para quem busca expandir
Para as empresas em estágio inicial de internacionalização, a recomendação é clara: organizar processos internos e fluxos de caixa antes de ampliar mercados. “Crescer sem estrutura, em um ambiente volátil, costuma acelerar problemas em vez de gerar resultado”, adverte o especialista.
Na visão de Murillo Oliveira, o ano de 2026 deve consolidar um novo padrão de competitividade para o comércio exterior brasileiro. “Vai crescer quem tratar câmbio e comércio internacional como estratégia central do negócio, não como operação acessória”, conclui.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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EUA ampliam exportações de etanol e acirram concorrência com o Brasil
Os Estados Unidos exportaram aproximadamente 5,34 bilhões de litros de etanol entre janeiro e julho de 2026, avanço de 13% sobre igual período do ano anterior, segundo a Renewable Fuels Association (RFA). O crescimento dos embarques amplia a concorrência para o Brasil e mostra a força de uma indústria sustentada por um mercado doméstico de grande escala, apesar de uma mistura menor do biocombustível na gasolina.
Nos EUA, a produção de etanol foi de aproximadamente 160 milhões de litros por dia, conforme dados da agência de energia americana, a EIA, publicados no dia 30 de setembro. O número representa o ritmo registrado naquela semana, sem equivaler a um balanço anual.
A aparente contradição está nas bombas. Enquanto a gasolina comum brasileira contém 32% de etanol, a mistura predominante no mercado americano é o E10, com 10%. O percentual menor, contudo, incide sobre uma quantidade muito maior de combustível comercializado.
Na mesma semana de setembro, o volume de gasolina fornecido ao mercado americano, usado pela EIA como referência de consumo, foi de aproximadamente 1,38 bilhão de litros por dia. Essa quantidade já inclui o etanol misturado ao combustível. É a dimensão desse abastecimento que permite absorver uma produção elevada do biocombustível.
Uma conta ilustrativa ajuda a entender: 10% de um mercado de 400 bilhões de litros representam 40 bilhões de litros de etanol. Já 32% de um mercado de 100 bilhões correspondem a 32 bilhões. A comparação dos percentuais, isoladamente, não mostra quantos litros chegam aos consumidores.
Enquanto ampliam as exportações, os EUA importaram menos de 1,9 milhão de litros de etanol entre janeiro e julho de 2026, segundo a RFA. O contraste reforça o peso da produção doméstica no abastecimento americano.
Esses números mostram que uma expansão do consumo nos EUA encontra uma indústria doméstica capaz de disputar o fornecimento. Para o exportador brasileiro, uma mistura maior abre oportunidades, mas os embarques dependem dos preços, dos custos de transporte, das condições de acesso e da disponibilidade do produto americano.
Os dois países também organizam o abastecimento de maneiras diferentes. No Brasil, a mistura obrigatória de 32% vale para a gasolina comum e a comum aditivada desde 1º de agosto de 2026. A medida tem duração inicial de 180 dias, com possibilidade de uma prorrogação por igual período. Na gasolina premium, o teor permanece em 25%.
Além disso, o motorista brasileiro dispõe do etanol hidratado para abastecer veículos flex. Esse mercado depende da relação entre o preço dos combustíveis e o rendimento do automóvel. A demanda nacional, portanto, reúne tanto o etanol adicionado à gasolina quanto o vendido diretamente ao consumidor.
Nos EUA, o E10 convive com o E15, de até 15%, e com misturas mais elevadas para veículos compatíveis. Os postos não são obrigados a oferecer E15. A ampliação das vendas envolve equipamentos adequados, disponibilidade de combustível e regras de comercialização.
Restrições relacionadas às emissões evaporativas afetam a venda de E15 durante o verão em partes do país. Em 2026, a agência ambiental americana, a EPA, concedeu uma autorização excepcional para permitir sua comercialização nessa estação. A previsibilidade das regras continua relevante para os investimentos na distribuição.
O Brasil deve produzir 41,88 bilhões de litros de etanol na safra 2026/27, aumento de 11,7% sobre a temporada anterior, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A expansão reforça a importância de ampliar o consumo nas bombas e conquistar compradores externos. Nessa disputa, os Estados Unidos combinam uma indústria de grande escala com um mercado que absorve volumes elevados mesmo usando uma mistura menor de etanol na gasolina.
O levantamento brasileiro, divulgado em agosto, estima 29,98 bilhões de litros de etanol de cana e 11,91 bilhões de litros do combustível produzido a partir do milho. O crescimento previsto é de 9,7% e 17%, respectivamente. São projeções para a safra em andamento, que inclui parte de 2027.
A safra de cana está na segunda metade da colheita e da moagem no Centro-Sul, onde as chuvas de setembro reduziram o ritmo dos trabalhos. No Nordeste, a temporada começou mais recentemente. A fabricação de etanol de milho segue outro calendário, com usinas que operam ao longo do ano.
Para o campo brasileiro, o avanço do etanol tem efeitos distintos. A expansão das usinas de milho amplia as alternativas de venda do cereal. Uma demanda maior também pressiona o custo da matéria-prima para quem fabrica o combustível, conforme a oferta da safra e os estoques disponíveis.
O etanol de cana conta ainda com rotas de produção reconhecidas pela EPA na categoria de biocombustíveis avançados, sujeitas a requisitos ambientais. Esse enquadramento permite disputar mercados que valorizam a redução de emissões.
Com a oferta brasileira em crescimento, o resultado para a cadeia dependerá da capacidade de transformar produção em consumo. A mistura na gasolina, a escolha dos motoristas e as exportações precisam acompanhar os novos volumes para sustentar a remuneração das usinas e dos produtores de matéria-prima.
Fonte: Pensar Agro
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