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Explosão em silo expõe risco de incêndios na armazenagem de grãos

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A explosão registrada em um silo da cooperativa Coopermota, em Cândido Mota (226 km da capital, São Paulo), reacende um alerta recorrente no setor agroindustrial: o risco estrutural e operacional associado a unidades de armazenagem de grãos. O acidente, que deixou ao menos cinco trabalhadores feridos — um deles em estado grave —, ocorreu em uma estrutura subterrânea da unidade e foi seguido por incêndio. O impacto foi sentido em diferentes pontos da cidade, e parte do silo ficou destruída.

Casos como esse não são isolados. Explosões e incêndios em silos estão entre os acidentes industriais mais recorrentes no agronegócio, sobretudo em períodos de maior movimentação de carga, secagem e beneficiamento de grãos. As ocorrências costumam estar associadas à combinação de três fatores: poeira combustível em suspensão, fonte de ignição e ambiente confinado.

Poeira: o combustível invisível

Grãos como milho, soja, trigo e arroz liberam partículas finas durante transporte, secagem e armazenamento. Essa poeira, quando acumulada em ambientes fechados, pode se tornar altamente inflamável. Em determinadas concentrações, basta uma faísca, atrito mecânico, descarga eletrostática ou superaquecimento de equipamentos para desencadear uma explosão.

O fenômeno é conhecido como explosão de pó combustível. Em silos, a reação pode ser particularmente violenta porque ocorre em ambiente confinado, o que potencializa a pressão interna. Em estruturas subterrâneas, como a atingida em Cândido Mota, o risco tende a ser ainda maior devido à ventilação limitada.

Além da poeira, gases podem se acumular durante o processo de fermentação ou deterioração dos grãos, especialmente quando há umidade excessiva. Metano e monóxido de carbono figuram entre os principais riscos. O monóxido é especialmente perigoso por ser incolor e inodoro, podendo provocar intoxicação sem sinais prévios evidentes.

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Frequência e vítimas

Não há um banco de dados público consolidado e específico apenas para explosões em silos no Brasil, mas levantamentos de entidades do setor e dados de fiscalização do trabalho indicam que acidentes em unidades armazenadoras — incluindo explosões, incêndios e soterramentos — resultam, em média, em dezenas de ocorrências por ano no país. Especialistas em segurança industrial estimam que episódios com vítimas fatais ou feridos graves sejam registrados anualmente, sobretudo em regiões de forte produção agrícola como Centro-Oeste, Sul e interior de São Paulo.

Globalmente, organismos internacionais que monitoram explosões de poeira registram dezenas de casos por ano em instalações agroindustriais. O padrão técnico das ocorrências é semelhante: falhas de manutenção, deficiência em sistemas de exaustão, acúmulo de resíduos e descumprimento de protocolos de segurança.

Protocolos de prevenção

A prevenção envolve medidas técnicas e operacionais rigorosas. Entre as principais exigências estão:

  • Sistemas de ventilação e exaustão adequados, para evitar a concentração de poeira e gases;

  • Monitoramento contínuo de temperatura em esteiras, elevadores e secadores, reduzindo o risco de superaquecimento;

  • Limpeza periódica das estruturas internas, impedindo o acúmulo de partículas inflamáveis;

  • Aterramento elétrico e controle de eletricidade estática;

  • Planos de emergência e treinamento de trabalhadores para evacuação rápida e atuação inicial em caso de foco de incêndio.

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Normas regulamentadoras do Ministério do Trabalho tratam da segurança em espaços confinados e do manuseio de inflamáveis, mas a fiscalização é um desafio diante da dimensão da malha armazenadora brasileira, que soma milhares de unidades.

Ambiente de risco permanente

O Brasil é um dos maiores produtores e exportadores de grãos do mundo, e a expansão da capacidade de armazenagem não ocorreu, em muitos casos, no mesmo ritmo da modernização tecnológica. Estruturas antigas, sobrecarga operacional na safra e pressão por produtividade elevam a exposição ao risco.

No caso da unidade da Coopermota, o local permanece interditado para avaliação técnica. Segundo informações preliminares do Corpo de Bombeiros, a hipótese inicial é de superaquecimento de esteiras no sistema de armazenagem, um dos gatilhos mais comuns para ignição em ambientes com alta concentração de poeira.

Enquanto as causas são apuradas, o episódio reforça uma constatação conhecida no setor: silos são estruturas essenciais para a cadeia do agronegócio, mas operam sob um equilíbrio delicado entre eficiência produtiva e risco industrial. A negligência em qualquer elo desse sistema pode ter consequências imediatas — e potencialmente fatais.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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