AGRONEGÓCIO
Expointer deve movimentar R$ 1 bilhão em propostas de crédito rural
AGRONEGÓCIO
A 49ª Expointer começa neste sábado (29), em Esteio (RS), com expectativa de movimentar pelo menos R$ 1 bilhão somente em propostas de financiamento pelo Banco do Brasil (BB). Durante os nove dias de feira, produtores poderão contratar crédito para máquinas, armazenagem, irrigação, tecnologia e outras melhorias nas propriedades, além de buscar a renegociação de dívidas rurais.
As menores taxas anunciadas são destinadas à agricultura familiar, com juros a partir de 1,5% ao ano. Para médios produtores, as linhas começam em 9% ao ano, enquanto na agricultura empresarial partem de 11,5% ao ano. As condições variam conforme o programa, a finalidade do financiamento e o enquadramento do produtor.
Entre as linhas disponíveis estão recursos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), inclusive o Pronaf Mais Alimentos, destinado a investimentos nas propriedades, e do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp).
Para máquinas e implementos agrícolas, haverá recursos do Moderfrota e do Move Agrícola. Produtores interessados em construir ou ampliar silos e armazéns poderão buscar financiamento pelo Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA).
A armazenagem é um dos investimentos que ganharam importância diante do crescimento das safras brasileiras. A possibilidade de manter parte da produção na propriedade reduz a dependência da venda imediatamente após a colheita e pode dar ao agricultor maior margem para escolher o momento da comercialização.
Também estarão disponíveis linhas para irrigação, inovação tecnológica e investimentos destinados à recuperação de áreas produtivas e adoção de práticas sustentáveis. Entre elas estão o Inovagro e o RenovAgro, que financia projetos como recuperação de pastagens degradadas e implantação de sistemas de plantio direto.
O volume oferecido durante a Expointer faz parte dos R$ 22,5 bilhões do Plano Safra 2026/27 destinados pelo Banco do Brasil ao Rio Grande do Sul. Desse total, R$ 4,5 bilhões são direcionados a pequenos e médios produtores e R$ 18 bilhões à agricultura empresarial.
Dívidas também entram na pauta
Além dos novos financiamentos, produtores gaúchos atingidos por sucessivas perdas climáticas ou de mercado poderão procurar atendimento durante a feira para avaliar a renegociação de dívidas pelas regras da Medida Provisória (MP) 1.376/2026.
A medida alcança produtores que tiveram perdas em duas ou mais safras entre 2019 e 2025 e estabelece condições para reestruturação de operações de crédito rural. O Rio Grande do Sul está entre os Estados mais afetados pelo endividamento acumulado após uma sequência de estiagens e pelas enchentes de 2024.
Segundo o Banco do Brasil, cada situação será analisada individualmente, com apresentação da documentação e dos laudos necessários para comprovar o enquadramento nas regras.
Na renegociação anterior, realizada com base na MP 1.314, o banco contratou R$ 3,5 bilhões em operações no Rio Grande do Sul. A expectativa agora é ampliar o atendimento aos produtores que ainda enfrentam dificuldades para reorganizar o fluxo financeiro das propriedades.
A Expointer será realizada de 29 de agosto a 6 de setembro no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, em Esteio, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Além da exposição de animais, máquinas e tecnologias, a feira tradicionalmente concentra anúncios, negociações de crédito e decisões de investimento para a próxima safra.
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIO
Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja
A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.
A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.
O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui
Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.
A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.
Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br
Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.
O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.
Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.
Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.
Isan Rezende
Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.
O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.
“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.
“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.
Fonte: Pensar Agro
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