AGRONEGÓCIO
Exportações de arroz do Brasil crescem 144% no 1º trimestre de 2026 e retomam ritmo após recuperação de estoques
AGRONEGÓCIO
O setor orizícola brasileiro iniciou 2026 com forte recuperação nas exportações. Entre janeiro e março, o país embarcou 685 mil toneladas de arroz (base casca), volume 144% superior ao registrado no mesmo período de 2025, quando foram exportadas 281 mil toneladas.
Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz), com base no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a receita do trimestre também avançou, com alta de 55%, totalizando US$ 159,7 milhões.
Recuperação dos estoques impulsiona exportações de arroz
De acordo com a Abiarroz, a retomada do ritmo de embarques está diretamente relacionada à recomposição dos estoques internos, após um período de baixa disponibilidade em 2025, quando eventos climáticos impactaram a produção.
Com maior oferta no mercado doméstico, o Brasil voltou a operar com fluxo mais regular de exportações durante a entressafra de 2026.
Venezuela, Senegal e México lideram destinos do arroz brasileiro
No primeiro trimestre de 2026, os principais destinos do arroz brasileiro foram Venezuela, Senegal e México, reforçando a presença do produto em mercados da América Latina e África.
O desempenho indica a manutenção da competitividade do arroz brasileiro em mercados tradicionais, mesmo em um cenário global de maior concorrência.
Arroz beneficiado tem forte alta de 106% nas exportações
O arroz beneficiado pela indústria, que representa cerca de metade do volume total exportado, teve crescimento expressivo no período.
Os embarques somaram 349,5 mil toneladas, alta de 106% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já a receita avançou 21%, atingindo US$ 75,4 milhões.
Segundo a Abiarroz, o descompasso entre crescimento de volume e receita está relacionado à queda dos preços internacionais, influenciada pelo aumento da oferta global.
Preços pressionados pela volta da Índia ao mercado global
A entidade destaca que a queda nos preços do arroz no mercado internacional está ligada ao retorno da Índia às exportações em meio a uma safra recorde.
O país asiático havia restringido vendas externas para recompor estoques internos, mas voltou a ofertar grandes volumes, ampliando a concorrência global e pressionando as cotações.
Exportações devem se manter estáveis com nova safra
A expectativa do setor é de manutenção dos volumes atuais de exportação com o avanço da nova safra, ainda que o ambiente internacional siga competitivo.
O comportamento dos preços globais e o ritmo de oferta dos principais exportadores asiáticos devem continuar influenciando o desempenho do arroz brasileiro ao longo de 2026.
Importações crescem em volume e recuam em valor
No primeiro trimestre, o Brasil importou 386 mil toneladas de arroz (base casca), com desembolso de US$ 85 milhões.
O resultado representa alta de 7% no volume importado, mas queda de 28,5% no valor em relação ao mesmo período de 2025.
Do total importado, 94% corresponde a arroz beneficiado, refletindo a predominância de produtos industrializados nas compras externas do país.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia
A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.
O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.
Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.
O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.
Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.
A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.
A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.
Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.
Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.
A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.
Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.
No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.
Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.
A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.
O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.
A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.
O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.
Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.
Fonte: Pensar Agro
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