RIO BRANCO
Search
Close this search box.

AGRONEGÓCIO

Fed deve manter juros e adiar cortes diante de economia ainda aquecida nos EUA

Publicados

AGRONEGÓCIO

Expectativa é de manutenção da taxa de juros e pausa prolongada nos cortes

O Federal Reserve (Fed) deve manter inalterada a taxa básica de juros dos Estados Unidos nesta quarta-feira (28), sinalizando uma pausa prolongada no ciclo de cortes. A decisão ocorre em meio à transição de liderança — com o mandato do atual presidente, Jerome Powell, chegando ao fim — e diante de divergências internas sobre a necessidade de novas reduções nos custos de empréstimos.

De acordo com analistas, a pausa pode se estender até a chegada do novo chefe do banco central norte-americano, prevista para o primeiro semestre de 2026.

Inflação e emprego seguem pressionando decisões do Fed

Os dados mais recentes do mercado de trabalho norte-americano mostram que a taxa de desemprego recuou para 4,4% em dezembro, apesar do crescimento modesto na geração de empregos. Paralelamente, o índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE), que exclui alimentos e energia, deve subir 3% em base anual, superando a meta de 2% do Fed.

A combinação entre consumo ainda robusto e política fiscal expansionista mantém a economia dos EUA em ritmo forte.

“Dada a força da economia, não há urgência em reduzir os juros de forma agressiva”, avaliou Seema Shah, estrategista-chefe global da Principal Asset Management.

Powell deve detalhar decisão em coletiva

A decisão sobre os juros será anunciada às 16h (horário de Brasília), seguida por uma coletiva de imprensa de Jerome Powell, marcada para 16h30. Ele deve comentar as razões para a manutenção das taxas e as perspectivas econômicas para os próximos meses.

Leia Também:  Mercado de trigo segue lento no Sul do Brasil, com estoques perto do fim

A reunião não incluirá novas projeções econômicas — o próximo relatório detalhado só será divulgado após o encontro de 9 e 10 de dezembro. O documento anterior indicava apenas um corte de 0,25 ponto percentual até 2026, refletindo forte divergência entre os membros do Comitê de Política Monetária do Fed.

Divisão interna no Fed sobre o ritmo dos cortes

Na última reunião, sete dos 19 dirigentes consideraram que não serão necessários novos cortes de juros por pelo menos um ano. Outros quatro esperam apenas uma redução, enquanto oito projetam quedas mais acentuadas, de até 0,5 ponto percentual até 2026.

Essa dispersão de opiniões indica a incerteza sobre a trajetória da política monetária americana — um desafio adicional para o sucessor de Powell.

Trump pressiona por cortes e amplia tensão política

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem feito pressão pública por reduções imediatas e significativas nas taxas de juros. No entanto, as divergências dentro do Fed e as recentes tensões políticas podem limitar o alcance dessas mudanças.

Leia Também:  Café robusta cresce no Brasil, dobra produção em 9 anos e reduz distância para o arábica

O processo de sucessão de Powell também foi afetado pelo embate entre o governo Trump e o banco central, após revelações de que o Departamento de Justiça teria ameaçado o atual presidente do Fed com uma acusação criminal. A medida gerou críticas de senadores republicanos, que consideram o episódio uma ameaça à independência da autoridade monetária.

Economia resiliente deve adiar cortes

Apesar das preocupações com o enfraquecimento do mercado de trabalho no fim de 2025, a economia dos EUA mostra resiliência. Para o economista-chefe do J.P. Morgan, Michael Feroli, é improvável que o Fed sinalize cortes imediatos.

“Powell deve evitar compromissos sobre o momento ou a magnitude das reduções”, escreveu Feroli.

Com isso, o cenário mais provável é de estabilidade dos juros por mais alguns meses, até que novos dados econômicos indiquem espaço seguro para retomar o ciclo de flexibilização monetária.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

AGRONEGÓCIO

Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

Publicados

em

Por

A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

Leia Também:  FPA pressiona governo por investigação sobre dumping do leite

Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

Leia Também:  Clima favorece colheita e qualidade do trigo no Sul, mas preços seguem em queda com safra cheia

A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

RIO BRANCO

ACRE

POLÍCIA

FAMOSOS

MAIS LIDAS DA SEMANA