AGRONEGÓCIO
Feicorte 2026 amplia estrutura e estreia julgamento de animais rústicos em São Paulo
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A Feicorte – Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne 2026, que será realizada entre os dias 23 e 26 de junho em Presidente Prudente, chega à sua 22ª edição com uma série de novidades voltadas à modernização da experiência do público e à valorização da pecuária de corte brasileira.
Entre os principais destaques está a realização inédita no estado de São Paulo do julgamento de animais rústicos — também conhecido como julgamento de animais de curral —, além da ampliação da planta do evento, criação do Boulevard Feicorte e reorganização estratégica das áreas de gastronomia e negócios.
Julgamento de animais rústicos estreia na Feicorte 2026
A nova modalidade de avaliação de animais busca aproximar ainda mais o público da realidade produtiva das fazendas, destacando eficiência, desempenho e funcionalidade dos bovinos em condições reais de manejo.
Para o diretor de Fomento da Associação Brasileira de Angus, Gabriel Barros, o retorno da raça ao evento reforça sua relevância no cenário nacional.
Ele destaca que o julgamento de animais de curral representa uma evolução importante na forma de apresentação dos exemplares, valorizando animais produtivos e com alto desempenho em carne, sem perder o padrão racial.
Já o diretor de Marketing da Associação Brasileira de Brangus, João Paulo Schneider, ressalta que a participação da raça acompanha sua expansão no Brasil. Segundo ele, o Brangus se destaca pela adaptabilidade a diferentes biomas e pela capacidade de produção em sistemas a pasto, refletindo diretamente a realidade do produtor rural.
Evento aposta em conexão entre tecnologia, campo e consumo
A CEO da Verum, organizadora da Feicorte, Carla Tuccilio, afirma que as mudanças estruturais do evento têm como objetivo aproximar ainda mais o consumidor e o produtor da realidade da cadeia da carne bovina.
A proposta é reforçar a comunicação sobre qualidade, eficiência e sustentabilidade, trazendo para o centro da feira animais que representam o cotidiano das propriedades rurais.
Nova estrutura amplia experiência e fluxo de visitantes
A edição 2026 contará com uma planta ampliada e novos espaços de convivência. O destaque é o Boulevard Feicorte, área aberta posicionada entre o credenciamento e a demonstração da Rede ILPF (Integração Lavoura Pecuária Floresta), reunindo empresas expositoras e visitantes em um ambiente de circulação e networking.
Com a mudança, o tradicional Espaço Beef Hour será reposicionado para uma área superior da feira, próxima à pista de julgamentos, garantindo melhor visibilidade das competições e maior conforto ao público em uma área coberta.
Gastronomia e Copa do Mundo integram programação
Um dos pontos de maior expectativa será o espaço gastronômico, que além de integrar a programação técnica, também funcionará como ponto de encontro dos visitantes.
No dia 24 de junho, o local será palco da transmissão ao vivo do jogo entre Brasil e Escócia pela Copa do Mundo, transformando o ambiente em um espaço de convivência, entretenimento e integração durante o evento.
Feicorte reforça crescimento e foco em inovação no agro
Segundo o presidente do Instituto Brasileiro de Inovação, Cultura e Qualidade do Agro e Pecuária (IBIQPEC), Ailton Barbosa, as mudanças refletem a evolução da feira e a necessidade de integrar tecnologia, negócios e experiência do público.
A ampliação da área de expositores e a reorganização dos espaços têm como objetivo otimizar o fluxo de visitantes e fortalecer o ambiente de negócios, consolidando a Feicorte como um dos principais encontros da cadeia da carne na América Latina.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Plantio da soja começa no Brasil sob risco de El Niño muito forte
O plantio da soja 2026/27 começou de forma pontual no Brasil sob o risco de chuvas irregulares no Centro-Norte e excesso de umidade na Região Sul. Mato Grosso e Paraná já possuem áreas semeadas, enquanto os demais Estados entrarão gradualmente no campo entre setembro e dezembro, de acordo com o calendário estabelecido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
O início da safra coincide com o fortalecimento do El Niño. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) calcula em mais de 90% a probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte durante a primavera e o verão no Hemisfério Sul. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também aponta 90% de chance de intensidade muito forte entre setembro e novembro.
A previsão não significa que todo o país terá falta de chuva. O efeito esperado é diferente em cada região. No Centro-Oeste, no Matopiba e em parte do Norte e do Sudeste, a preocupação está na demora para a regularização das precipitações, nas temperaturas elevadas e na ocorrência de veranicos. No Sul, o principal risco é o excesso de chuva, que pode encharcar o solo, impedir a entrada das máquinas e favorecer doenças.
Mato Grosso abriu o calendário de semeadura em 7 de setembro. As primeiras áreas foram plantadas principalmente em Campo Novo dos Parecis, Diamantino, Brasnorte e outros municípios do oeste que receberam volumes mais expressivos de chuva. Também há trabalhos em áreas irrigadas.
O avanço ainda é inferior a 1% dos aproximadamente 13 milhões de hectares previstos pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). A expectativa é de que a semeadura ganhe força somente na primeira quinzena de outubro, quando as chuvas deverão estar mais bem distribuídas.
O problema é que as precipitações registradas até agora são muito localizadas. Enquanto algumas propriedades receberam volume suficiente para acumular água, áreas situadas a poucos quilômetros continuaram secas. Plantar após uma chuva isolada, sem umidade adequada nas camadas mais profundas do solo, aumenta o risco de falhas na germinação, perda de sementes e necessidade de replantio.
A pressa em Mato Grosso está ligada à soja, mas também ao milho e ao algodão cultivados depois da oleaginosa. Quanto mais cedo a soja for colhida, maior será a possibilidade de instalar a segunda safra dentro da janela de menor risco climático. O produtor tenta evitar que o milho e o algodão atravessem o período reprodutivo quando as chuvas já estiverem diminuindo.
O Imea projeta produção próxima de 49 milhões de toneladas de soja em Mato Grosso. Apesar do pequeno aumento de área, a estimativa considera redução de 5,4% na produtividade média em relação à temporada anterior. O Estado também já comercializou antecipadamente cerca de 39% da nova safra, acima da média histórica de 30,55% para o período, o que aumenta a necessidade de compatibilizar contratos de venda com o volume que poderá ser efetivamente colhido.
No Paraná, o plantio começou no Norte, Noroeste e Oeste, onde a semeadura está autorizada desde 1º de setembro. Até o levantamento mais recente do Departamento de Economia Rural (Deral), aproximadamente 81 mil hectares haviam sido plantados, o equivalente a 1,4% dos 5,76 milhões de hectares previstos para o Estado.
O Sudoeste paranaense foi liberado para plantar em 11 de setembro. Nos municípios mais ao sul, a autorização começa em 20 de setembro. A umidade disponível pode favorecer a emergência da soja, mas chuvas persistentes aumentam o risco de interrupções, compactação, erosão, doenças fúngicas e replantio. O excesso de precipitação também pode atrasar a colheita do trigo e, consequentemente, a entrada da soja nas mesmas áreas.
Rondônia e Amazonas estão autorizados a plantar desde sexta-feira (11), embora ainda não tenham divulgado avanço significativo da semeadura. Em São Paulo, o calendário começou em 1º de setembro na primeira região produtiva, será aberto neste domingo (13) na segunda e chegará à terceira região no dia 16.
Mato Grosso do Sul poderá iniciar o plantio na quarta-feira (16). No mesmo dia, a semeadura será liberada no sul do Pará. O Acre entra no calendário em 21 de setembro, parte de Santa Catarina no dia 22, Goiás no dia 25 e o Rio de Janeiro no dia 29.
Em 30 de setembro, começa a primeira janela do Piauí. Distrito Federal, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Tocantins poderão plantar a partir de 1º de outubro. A mesma data vale para o sul do Maranhão, incluindo Balsas e outros importantes municípios produtores.
No oeste da Bahia, onde estão Barreiras, Luís Eduardo Magalhães, Formosa do Rio Preto e São Desidério, o calendário começa em 8 de outubro. Outras regiões de Bahia, Maranhão, Pará, Piauí, Paraná, Santa Catarina e São Paulo possuem datas próprias, definidas conforme o clima e o histórico da ferrugem-asiática.
Alagoas, Amapá, Ceará e Roraima têm calendários mais tardios, com início da semeadura somente em 2027. Por isso, essas áreas não participam da atual largada da safra nacional.
As datas indicam apenas quando a semeadura é permitida do ponto de vista fitossanitário. Elas não significam que o solo já tenha umidade suficiente nem substituem as orientações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). A decisão de plantar depende das condições de cada propriedade e da previsão de continuidade das chuvas.
No Centro-Oeste, Sudeste e Matopiba, o maior perigo é uma precipitação antecipada estimular a semeadura e ser seguida por vários dias de calor e tempo seco. Além de prejudicar a formação inicial da lavoura, um veranico pode obrigar o produtor a repetir operações e elevar os gastos com sementes, combustível, máquinas e mão de obra.
Caso as chuvas demorem a se regularizar, o problema será transferido para a segunda safra. O atraso na colheita da soja reduz o tempo disponível para o milho e o algodão, enquanto uma interrupção antecipada das chuvas pode atingir essas culturas durante fases de maior necessidade de água.
No Rio Grande do Sul, Santa Catarina e parte do Paraná, o El Niño tende a aumentar a disponibilidade hídrica, mas chuvas frequentes podem produzir o efeito contrário ao desejado. Solo saturado, dificuldade de pulverização, menor luminosidade e aumento da pressão de doenças podem limitar o potencial das lavouras mesmo sem falta de água.
Uma simulação apresentada pelo economista Alexandre Mendonça de Barros, da consultoria EY, calcula que um cenário de estresse climático semelhante ao de 2015 poderia retirar até 12 milhões de toneladas da safra brasileira. O número representa cerca de 6,5% das 186 milhões de toneladas projetadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos para o país.
A estimativa de perda não é uma previsão consolidada, mas uma simulação de risco. O resultado final dependerá da distribuição das chuvas, das temperaturas, da duração dos veranicos e do manejo adotado em cada região. Em uma safra marcada por extremos opostos, o principal desafio não será apenas saber quanto vai chover, mas onde, quando e com que regularidade essa chuva chegará.
Fonte: Pensar Agro
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