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FPA inicia o ano com foco na derrubada de vetos presidenciais e defesa de políticas essenciais ao agronegócio

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Parlamentares se mobilizam para recompor políticas do agro e garantir segurança jurídica

Na primeira reunião de 2026, realizada nesta terça-feira (3), a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) deu início às articulações políticas para derrubar vetos presidenciais que impactam diretamente o setor rural. Os parlamentares pretendem atuar de forma conjunta no Congresso Nacional nas próximas semanas para reverter decisões que atingem a Faixa de Fronteira, a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e programas estratégicos como o Seguro Rural e o apoio à Embrapa.

De acordo com a bancada, a recomposição dos recursos é essencial para garantir a segurança jurídica, a previsibilidade e o pleno funcionamento das atividades do agronegócio em 2026.

Vetos à Faixa de Fronteira e à LDO preocupam o setor

O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), destacou que os vetos à regularização da Faixa de Fronteira vêm gerando instabilidade jurídica e dificuldades econômicas para produtores e municípios.

“Esse veto precisa ser derrubado com urgência. Ele prejudica a segurança jurídica e o sustento de quem vive no campo. O Brasil passa por um processo silencioso de desconstrução das políticas públicas que sustentam o agro”, afirmou o parlamentar.

A Faixa de Fronteira abrange até 150 quilômetros de largura ao longo das fronteiras terrestres, correspondendo a cerca de 16,7% do território nacional. Segundo o deputado Rodolfo Nogueira (PL-MS), o tema será um dos principais desafios do primeiro semestre, pois impacta diretamente o crédito e o financiamento rural.

“É um assunto que o atual governo tem negligenciado, mas é vital para a proteção do setor produtivo”, reforçou Nogueira.

Seguro Rural e Embrapa: pilares sob ameaça

Outro ponto de atenção é o veto à LDO, que afetou áreas estratégicas como o Seguro Rural, a pesquisa agropecuária da Embrapa e os programas de assistência técnica e extensão rural. Lupion destacou que o corte de recursos coloca em risco o tripé de sustentação da produção agrícola: segurança alimentar, tecnologia e crédito.

“Quando o governo torna vulneráveis o seguro rural e a inovação, desmonta a base que mantém o campo produtivo e competitivo”, avaliou.

Lei de Proteção de Cultivares: incentivo à inovação agrícola

Durante o encontro, a Lei de Proteção de Cultivares (LPC) foi debatida como pauta prioritária para o fortalecimento da pesquisa e da inovação. O presidente da FPA ressaltou a importância de avançar com a tramitação da proposta no Congresso, argumentando que a ampliação do prazo de proteção estimula o desenvolvimento de novas variedades vegetais e a competitividade tecnológica.

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O diretor-executivo da Aprosoja Brasil, Fabrício Rosa, defendeu a revisão da legislação atual, afirmando que o modelo vigente não garante remuneração adequada aos melhoristas genéticos, o que desestimula investimentos em inovação.

“Se não criarmos mecanismos de apoio às empresas de melhoramento genético, elas correm o risco de fechar as portas”, alertou.

Tabela de frete volta a ser alvo de críticas

A tabela de frete também foi um dos principais temas discutidos na reunião. Parlamentares e entidades do agro afirmaram que a política de pisos mínimos tem aumentado os custos logísticos e reduzido a margem de lucro do produtor rural.

Desde a intensificação da fiscalização eletrônica em outubro de 2025, o número de autuações cresceu de forma expressiva. No ano passado, foram 419.474 fiscalizações e 64.158 multas; apenas nos primeiros 20 dias de janeiro de 2026, já foram registradas 35.362 autuações, equivalentes a 55% do total do ano anterior.

Os críticos argumentam que a atual metodologia, prevista na Lei nº 13.703/2018, não considera as diferenças regionais, a sazonalidade nem as operações com múltiplos documentos fiscais (MDF-e), resultando em penalizações desproporcionais.

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O ex-presidente da FPA, deputado Sérgio Souza (MDB-PR), destacou que o maior prejudicado pela política é o produtor rural.

“O custo de produção é o principal desafio do agro em 2026. Enquanto o preço final sobe, o produtor fica com o risco e o atravessador é quem lucra. Precisamos de uma solução urgente para o problema da tabela de frete”, afirmou.

Perspectivas e próximos passos

Com a retomada das atividades, a FPA deve concentrar esforços nas próximas semanas para articular a derrubada dos vetos e avançar em temas estruturantes para o agronegócio. As discussões devem pautar as primeiras votações do ano no Congresso, em um cenário de tensões entre o Legislativo e o Executivo sobre as políticas agrícolas e orçamentárias.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

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A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

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Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

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O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

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