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Getap bate recorde com mais de 900 inscrições e reforça cenário positivo para o milho no Brasil

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O bom momento vivido pela cadeia do milho no Brasil ganhou mais um indicativo relevante em 2026. O Grupo Tático de Aumento de Produtividade (Getap) encerrou as inscrições do Getap Inverno com um marco histórico: mais de 900 áreas cadastradas, consolidando a maior edição já realizada pelo projeto de produtividade agrícola.

O resultado reflete o ambiente favorável para o cereal no país, impulsionado principalmente pela expansão do etanol de milho, pela demanda aquecida da indústria e pelas perspectivas positivas de mercado para a segunda safra. O cenário tem levado produtores de diferentes regiões brasileiras a ampliar investimentos em tecnologia, manejo e construção de produtividade.

Segundo o coordenador técnico do Getap, Gustavo Capanema, o crescimento expressivo das inscrições demonstra o fortalecimento da iniciativa junto aos agricultores brasileiros.

“Além da certificação, o principal diferencial do Getap está na entrega técnica. Os relatórios gerados trazem comparativos regionais e nacionais de manejo, permitindo ao produtor utilizar essas informações de forma estratégica na tomada de decisão das próximas safras”, destaca.

Mercado aquecido fortalece expectativa para o milho safrinha

De acordo com Capanema, o ambiente favorável para o milho contribuiu diretamente para o aumento do interesse dos produtores no concurso de produtividade.

“O mercado está aquecido. O produtor enxerga valor na segunda safra, com boas expectativas tanto para preços quanto para produtividade”, afirma.

Mesmo diante de desafios climáticos registrados em algumas regiões produtoras, como redução antecipada das chuvas e atrasos no plantio, a percepção no campo segue positiva. Conforme o especialista, o bom volume hídrico acumulado no início do ciclo ajudou a sustentar o desenvolvimento das lavouras.

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Além disso, práticas de manejo nutricional e construção de perfil de solo têm sido determinantes para minimizar os impactos do período mais seco na reta final da safra.

Mato Grosso lidera ritmo da colheita da segunda safra

Em estados estratégicos para a produção nacional, como Mato Grosso, o plantio antecipado favoreceu o melhor aproveitamento das chuvas e elevou as expectativas produtivas para o milho safrinha.

As primeiras áreas começaram a ser colhidas ainda em maio, principalmente nas lavouras com híbridos de abertura de janela. A expectativa é de intensificação dos trabalhos de colheita ao longo de junho.

Outro destaque apontado pelo Getap é a diversidade regional dos participantes. O concurso reúne produtores de diferentes estados brasileiros, desde Paraná até Pará, evidenciando a amplitude dos sistemas produtivos nacionais e a variedade de realidades climáticas e de manejo.

Segundo o coordenador, essa regionalização contribui para a formação de um amplo banco de dados técnicos, considerado estratégico para a evolução da produtividade agrícola brasileira.

Sorgo amplia espaço no agro brasileiro e ganha concurso exclusivo

Enquanto o milho segue em expansão, o sorgo também vem consolidando protagonismo no agronegócio nacional. De acordo com análises da Céleres Consultoria, a cultura está entre as que apresentam maior potencial de crescimento no país.

Nos últimos cinco anos, a área plantada com sorgo avançou mais de 50%, registrando crescimento médio anual de aproximadamente 10%. Apesar desse avanço, a cultura ainda ocupa menos de 5% da área disponível para a segunda safra brasileira.

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Com ganhos de produtividade e rentabilidade em sistemas de média e alta tecnologia, o cereal passou a ser visto como uma alternativa estratégica ao milho, especialmente nas regiões do Cerrado.

Atento a esse movimento, o Getap lançou a primeira edição do Getap Sorgo, iniciativa voltada ao reconhecimento de produtores que investem em tecnologia, eficiência produtiva e manejo de alta performance na cultura.

As inscrições seguem abertas até o dia 31 de maio em todo o território nacional.

Etanol e tecnologia impulsionam avanço do sorgo

Segundo Gustavo Capanema, a expansão para o sorgo era um objetivo antigo da organização devido ao potencial estratégico da cultura dentro dos sistemas produtivos brasileiros.

“O sorgo possui características extremamente importantes para os sistemas agrícolas, além do grande potencial ligado à produção de etanol. Com investimento em tecnologia, híbridos de qualidade e manejo nutricional adequado, é possível alcançar excelentes resultados com rentabilidade”, afirma.

O concurso também já conta com o apoio de importantes empresas do setor, como a Advanta e a Oilema, reforçando o interesse da cadeia produtiva no fortalecimento técnico e mercadológico do sorgo no Brasil.

Os vencedores do Getap Sorgo serão anunciados no final de novembro, durante um evento voltado à integração entre produtores, especialistas e empresas parceiras, consolidando o cereal como uma cultura cada vez mais estratégica para o agronegócio brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Vacilos do Trump faz Brasil se aproximar da liderança mundial no agro

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A distância que durante décadas separou Brasil e Estados Unidos no comércio mundial do agronegócio praticamente desapareceu. Em 2025, os norte-americanos exportaram o equivalente a cerca de R$ 883 bilhões em produtos agrícolas, enquanto as vendas brasileiras chegaram a aproximadamente R$ 871 bilhões. Uma diferença de apenas 1,4% entre dois países que começaram este século em posições muito distantes.

Os dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mostram mais do que uma aproximação circunstancial. Enquanto o Brasil ampliou produção, produtividade e presença em novos mercados, as exportações norte-americanas cresceram em ritmo bem menor e passaram a enfrentar dificuldades em destinos estratégicos.

Em 2025, o agronegócio brasileiro exportou R$ 871 bilhões, considerando a conversão dos valores divulgados oficialmente. Foi o maior resultado da série histórica e representou crescimento de 3% sobre o ano anterior.

Os Estados Unidos encerraram o mesmo período com aproximadamente R$ 883 bilhões em exportações agrícolas.

A diferença de cerca de R$ 12 bilhões é pequena diante do tamanho do comércio dos dois países e mostra quanto a posição relativa mudou.

No início dos anos 2000, as exportações agrícolas americanas eram mais de duas vezes e meia superiores às brasileiras. Em apenas cinco anos, enquanto as vendas externas dos Estados Unidos cresceram aproximadamente 14%, as brasileiras avançaram 68%.

O movimento continua em 2026.

Entre janeiro e julho, o agronegócio brasileiro exportou aproximadamente R$ 533 bilhões, novo recorde para o período. Somente em julho foram cerca de R$ 84 bilhões, também a maior marca já registrada para o mês.

Parte da aproximação pode ser explicada por uma diferença estrutural entre os dois concorrentes.

Os Estados Unidos possuem uma fronteira agrícola praticamente consolidada e enfrentam limitações para aumentar significativamente sua área cultivada. Na pecuária bovina, o rebanho norte-americano está próximo dos menores níveis das últimas sete décadas, situação que reduziu a disponibilidade de animais e aumentou a necessidade de importação de carne.

O Brasil ainda possui maior capacidade de crescimento da produção, seja pela incorporação de áreas já abertas, seja principalmente pelo aumento da produtividade e pela possibilidade de realizar duas ou até três safras na mesma área durante o ano.

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Essa vantagem aparece com clareza na soja.

Brasil e Estados Unidos estão entre os grandes responsáveis pela oferta mundial da oleaginosa, mas o Brasil assumiu a liderança tanto na produção quanto nas exportações e passou a ocupar uma parcela crescente do mercado chinês.

A China é justamente onde a diferença entre os dois países se tornou mais evidente.

Em 2025, os chineses compraram aproximadamente R$ 285 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro. O país asiático respondeu sozinho por 32,7% de tudo o que o setor exportou.

No comércio agrícola norte-americano ocorreu o movimento contrário.

A China, que durante anos esteve entre os principais compradores dos Estados Unidos, caiu para a sexta posição entre os destinos do agro americano em 2025. As vendas recuaram 66% em apenas um ano, para aproximadamente R$ 43 bilhões.

O próprio USDA associa essa retração às tarifas recíprocas e à redução das compras chinesas de soja norte-americana.

A disputa comercial entre Washington e Pequim acelerou uma mudança que já vinha ocorrendo por razões produtivas. Diante das tarifas impostas aos produtos americanos, importadores chineses aumentaram a procura por fornecedores alternativos, e o Brasil estava em posição privilegiada para atender essa demanda.

O efeito ultrapassou a soja.

O Brasil ampliou participação internacional em carnes, algodão, milho e outros produtos agropecuários e passou a disputar mercados que historicamente tinham forte presença dos Estados Unidos.

Na carne bovina, a inversão é particularmente significativa. O Brasil consolidou-se como maior exportador mundial, enquanto os Estados Unidos, pressionados pela redução de seu rebanho, aumentaram as importações para abastecer o próprio mercado.

Essa situação levou recentemente o governo norte-americano a ampliar em 300 mil toneladas a quantidade de carne bovina magra que poderá entrar no país dentro da cota com tarifa reduzida até o fim deste ano, criando uma oportunidade adicional para fornecedores como o Brasil.

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A política comercial adotada pelo governo Donald Trump acrescentou uma nova variável a essa disputa.

As tarifas impostas pelos Estados Unidos atingiram também produtos brasileiros e criaram dificuldades para cadeias que dependem mais diretamente daquele mercado. Café, carnes, suco de laranja e determinados produtos industrializados estão entre os segmentos mais expostos às decisões de Washington.

O efeito sobre o conjunto do agronegócio brasileiro, entretanto, é limitado pela diversificação dos destinos.

Em 2025, os Estados Unidos compraram aproximadamente R$ 59 bilhões em produtos do agro brasileiro, equivalentes a 6,7% das exportações do setor. A China comprou quase cinco vezes esse valor.

Essa diferença ajuda a explicar por que medidas comerciais americanas podem provocar impactos severos em determinadas cadeias sem necessariamente interromper o crescimento das exportações do agronegócio como um todo.

Também mostra por que a abertura de mercados passou a ter peso estratégico para o Brasil. Quanto maior o número de compradores disponíveis para carnes, grãos, fibras, café, frutas e produtos processados, menor a dependência de decisões comerciais tomadas por um único país.

Para o produtor rural, a aproximação dos Estados Unidos no ranking mundial não representa apenas uma disputa estatística. Mercados adicionais significam mais alternativas para escoar a produção e podem aumentar a concorrência entre compradores, especialmente nas cadeias em que o Brasil já possui grande excedente exportável.

Há, porém, um risco nessa trajetória. A crescente concentração das vendas brasileiras na China aumenta a exposição às decisões do país asiático. Quase um terço das receitas do agro brasileiro no exterior depende atualmente daquele mercado.

Por isso, o próximo passo da expansão brasileira passa não apenas por vender mais, mas por diversificar compradores e aumentar o valor agregado dos produtos exportados.

A distância para os Estados Unidos, de qualquer forma, nunca foi tão pequena. Depois de décadas perseguindo o maior exportador agrícola do mundo, o Brasil chega à segunda metade de 2026 em condições de disputar uma posição que, no início deste século, parecia muito distante.

Fonte: Pensar Agro

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