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Governo libera R$ 40 bilhões em crédito para exportadores afetados pelo tarifaço dos EUA

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O governo federal disponibilizou R$ 40 bilhões em linhas de crédito para apoiar exportadores brasileiros afetados pelo aumento de tarifas nos Estados Unidos, que elevaram a alíquota de importação para 50% em diversos produtos. Desse total, R$ 30 bilhões fazem parte do programa Brasil Soberano e R$ 10 bilhões vêm de recursos próprios do BNDES.

As taxas de juros subsidiadas estão abaixo da Selic, atualmente em 15% ao ano, com condições diferenciadas para capital de giro, investimentos e aquisição de máquinas e equipamentos. Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o objetivo é apoiar as empresas e preservar empregos:

“O BNDES vai socorrer todas as empresas e a contrapartida é manter os empregos para a economia continuar crescendo e o país não ser prejudicado por essas medidas autoritárias, unilaterais e injustificadas.”

Como acessar as linhas de crédito

O crédito pode ser solicitado por exportadores de 9.777 produtos. As empresas devem se autenticar pelo GOV.BR usando certificado digital. Após a autenticação, o sistema indica a elegibilidade e quais linhas podem ser solicitadas.

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Os prazos variam entre 5 e 10 anos, com carência de 12 a 24 meses, dependendo da finalidade. O valor máximo por mutuário é de:

  • R$ 150 milhões para aquisição de bens de capital e investimentos;
  • R$ 200 milhões para capital de giro de grandes empresas;
  • R$ 35 milhões para médias, pequenas e microempresas.
Detalhes das linhas do programa Brasil Soberano
  1. Capital de Giro: financiamento de gastos operacionais gerais, com juros de até 10,4% ao ano.
  2. Giro Diversificação: crédito para buscar novos mercados na fase pré-embarque, com juros de até 8,2% ao ano.
  3. Bens de Capital: aquisição de máquinas e equipamentos, com taxa de 7,2% ao ano.
  4. Investimentos: financiamento de inovação tecnológica e adaptação produtiva, com taxa de 7,2% ao ano.

As linhas de crédito com recursos próprios do BNDES são voltadas para empresas cujos produtos sofreram qualquer percentual de tarifa, independentemente do impacto no faturamento, com duas opções: Capital de Giro Emergencial e Capital de Giro Diversificação.

Outras medidas de apoio a exportadores

Além das linhas de crédito, o governo anunciou medidas complementares para mitigar os efeitos do tarifaço:

  • Seguro à exportação: protege contra inadimplência ou cancelamento de contratos;
  • Diferimento de impostos: adiamento de cobranças para empresas mais impactadas;
  • Isenção de insumos para exportações: prorrogação do prazo do regime drawback por um ano;
  • Novo Reintegra: crédito tributário para desoneração das vendas ao exterior;
  • Compras públicas: União, estados e municípios podem adquirir produtos para merenda escolar, hospitais e outros programas;
  • Diversificação de mercados: busca por novos compradores internacionais para produtos afetados pelas tarifas.
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Segundo o BNDES, essas ações formam o principal pacote de ajuda aos exportadores após o aumento unilateral das tarifas pelos Estados Unidos, oferecendo suporte financeiro e estratégico para reduzir impactos negativos sobre a produção e a competitividade brasileira.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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