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Importação de biodiesel divide opiniões entre setor e governo

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Debate sobre importação de biodiesel volta à pauta energética

A possibilidade de liberar a importação de biodiesel para compor a mistura obrigatória do diesel voltou a ser discutida entre entidades do setor de combustíveis, representantes da indústria de biocombustíveis e o governo federal. O tema deve ser avaliado pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), embora não haja confirmação de que a pauta será votada na reunião marcada para esta quinta-feira (12).

Enquanto parte do mercado defende a abertura das importações para aumentar a competitividade, especialistas avaliam que o momento atual não é o mais favorável para essa medida.

Analista aponta cenário pouco favorável à importação

Para Isabela Garcia, analista de inteligência de mercado da StoneX, a importação de biodiesel só faria sentido em casos de escassez de insumos ou de uma demanda crescente que o setor interno não conseguisse atender — condições que não estão presentes atualmente.

“Talvez essa discussão seja mais relevante quando houver algum problema de fornecimento, como uma quebra acentuada de safra, o que não é esperado neste ciclo, ou se a demanda crescer em ritmo superior aos investimentos privados, o que também não se observa hoje”, explicou a especialista em entrevista ao Agro Estadão.

Segundo Garcia, o aumento recente nos preços do óleo de soja, principal insumo do biodiesel, vem sendo compensado pela colheita da nova safra, o que reduz a pressão sobre os custos internos. Por isso, o produto importado não apresentaria vantagens competitivas significativas.

“O biodiesel importado tende a ser mais caro, pois a matéria-prima é valorizada no exterior. Além disso, ainda não há clareza sobre o preço final após os custos de internalização no Brasil”, observou.

Capacidade ociosa das usinas reduz necessidade de importação

Outro ponto destacado pela analista é a ociosidade das usinas brasileiras. Segundo dados da StoneX, a capacidade produtiva de biodiesel no país foi utilizada em apenas 64% em 2023, o que indica espaço suficiente para ampliar a produção doméstica sem recorrer a importações.

“Com esse nível de ociosidade, não faria sentido estimular importações. Qualquer desvio de demanda para o mercado externo afetaria diretamente a operação das usinas nacionais”, avaliou.

Garcia alerta que mesmo uma importação de 20% do volume total, como defendem algumas associações, poderia impactar a indústria nacional, reduzindo o processamento interno de óleo de soja e afetando o equilíbrio do setor.

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IBP defende abertura e retorno da regulação à ANP

Em posição oposta, o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) afirma que não há justificativas técnicas ou econômicas para manter a proibição da importação e defende que o tema volte a ser regulado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

“O Brasil já adota o mercado livre para outros combustíveis, como o etanol. Não há motivo técnico ou econômico para impedir a importação de biodiesel”, afirmou o presidente do IBP, Roberto Ardenghy.

Segundo ele, a liberação traria duas vantagens principais: a paridade de preços com o mercado internacional, o que ajudaria a evitar distorções no valor interno, e uma possível redução no preço final do diesel nas bombas, especialmente em períodos de entressafra da soja.

“Se o Brasil não importar, não há como testar se o preço interno está adequado. A abertura permitiria equilibrar o mercado e verificar se o valor praticado aqui é justo”, acrescentou Ardenghy.

Importação não afetaria selo social, diz IBP

Questionado sobre os impactos na política pública do Selo Biocombustível Social, Ardenghy esclareceu que a importação de até 20% do volume total não comprometeria o programa, já que 80% do biodiesel consumido no país continuaria sendo vinculado a produtores certificados.

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O presidente do IBP também garantiu que não há riscos quanto à qualidade do produto importado, uma vez que o processo passa por rigorosos testes de controle desde a origem até a chegada aos portos brasileiros.

“Nós temos um processo robusto de controle de qualidade definido pela ANP, que assegura que o biodiesel importado atenda aos padrões exigidos no país”, destacou.

Entidades pedem que CNPE devolva discussão à ANP

O IBP defende que o CNPE devolva a competência regulatória à ANP, que em 2023 chegou a publicar uma resolução permitindo a importação, mas teve a medida suspensa pelo Conselho. “Estamos pedindo que o CNPE devolva o tema à ANP, para que a agência retome sua resolução original”, concluiu Ardenghy.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Colheita passa da metade, mas chuva atrasa máquinas e aumenta risco de perdas

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A colheita do milho safrinha entrou na segunda metade no Brasil, puxada pelo avanço das máquinas em Mato Grosso. O ritmo nacional, entretanto, continua abaixo do registrado no ano passado, enquanto chuvas e elevada umidade dos grãos dificultam os trabalhos no Paraná e em Mato Grosso do Sul.

O último levantamento consolidado da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostrava 49,8% da área colhida até 18 de julho, ante 55,5% no mesmo período de 2025 e uma média de 56,7% nos últimos cinco anos. Dados estaduais divulgados posteriormente indicam que o País já ultrapassou a metade da área, embora ainda não exista um novo percentual nacional consolidado.

A segunda safra concentra aproximadamente 77% de todo o milho produzido no Brasil. A Conab estima uma colheita de 109,43 milhões de toneladas, dentro de uma produção total de 141,7 milhões de toneladas, considerando também as safras de verão e a terceira safra.

Mato Grosso está mais próximo de concluir os trabalhos. Até sexta-feira (24), os produtores haviam retirado o cereal de 90,66% da área, avanço de 11,74 pontos percentuais em uma semana. O índice supera ligeiramente os 90,37% observados no mesmo período do ano passado, mas permanece abaixo da média de 92,68% dos últimos cinco anos.

No Médio-Norte mato-grossense, principal polo produtor do cereal, a colheita chegou a 98,03%. Mantido o ritmo atual e sem novas interrupções climáticas, o Estado deverá encerrar a maior parte dos trabalhos entre o fim de julho e o início de agosto.

Mato Grosso deve colher um recorde de 57,06 milhões de toneladas, mais da metade de todo o milho segunda safra previsto pela Conab para o Brasil. A produtividade estadual foi estimada em 128,64 sacas por hectare, resultado favorecido pelo desempenho das lavouras do Médio-Norte.

A situação é diferente no Paraná. A colheita havia alcançado 29% da área no início da última semana, ante 40% no mesmo período de 2025 e 67% em 2024. Além do plantio mais tardio, as chuvas recentes impediram a entrada das máquinas em várias propriedades e mantiveram elevada a umidade dos grãos.

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O Paraná deverá concentrar a retirada do milho durante agosto. Parte dos trabalhos poderá avançar por setembro, especialmente nas áreas implantadas mais tarde. O Estado cultiva aproximadamente 2,9 milhões de hectares e espera colher cerca de 17,4 milhões de toneladas na segunda safra.

As precipitações da semana passada reduziram o ritmo, mas ainda não há confirmação de perdas expressivas provocadas diretamente pelas chuvas. Segundo técnicos do Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral), o principal efeito observado até agora é operacional. O excesso de umidade impede a colheita e aumenta os gastos com secagem, mas a extensão de eventuais danos dependerá do tempo de permanência do milho maduro no campo.

Quanto maior a demora, maior o risco de germinação dos grãos na espiga, ocorrência de fungos, tombamento das plantas e redução do padrão comercial. A umidade também pode provocar filas nos armazéns e limitar o recebimento das cargas, sobretudo quando muitos produtores retomam a colheita ao mesmo tempo após a abertura do tempo.

Em Mato Grosso do Sul, a retirada do cereal chegou a 15,8% da área até 17 de julho, ante 8,2% na semana anterior. Apesar da aceleração, o Estado permanece atrás do ritmo da safra passada. As chuvas registradas desde junho elevaram a umidade dos grãos e retardaram a entrada das máquinas.

A produção sul-mato-grossense está estimada em 11,14 milhões de toneladas, cultivadas em 2,2 milhões de hectares. Historicamente, a colheita ganha força na segunda quinzena de julho e atinge o pico entre o fim deste mês e o início de setembro. Por isso, o atraso atual ainda pode ser parcialmente recuperado se houver uma sequência de dias secos.

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Goiás havia colhido 28% da área até 18 de julho. No Estado, a maior preocupação não está apenas no calendário. Períodos de estiagem registrados em abril e maio atingiram as lavouras durante fases importantes do desenvolvimento e reduziram o potencial produtivo em diferentes regiões.

A falta de chuva também afetou áreas de Minas Gerais, São Paulo e Piauí. Nesses locais, a colheita deverá confirmar perdas provocadas por espigas menores, falhas no enchimento dos grãos e redução da produtividade. O impacto varia conforme a época de plantio e o estágio em que cada lavoura enfrentou o déficit hídrico.

No Rio Grande do Sul, os temporais da última semana causaram alagamentos e danos em mais de 200 municípios. O impacto sobre a produção nacional de milho, porém, tende a ser limitado porque o Estado concentra sua produção na primeira safra, que já havia sido praticamente concluída antes das chuvas. Os maiores riscos imediatos estão nas estradas rurais, nas estruturas das propriedades e nas culturas de inverno.

Pelo calendário dos principais estados produtores, a maior parte da segunda safra brasileira deverá ser retirada até o fim de agosto. Áreas implantadas mais tarde no Paraná, em Mato Grosso do Sul e em partes do Matopiba poderão permanecer no campo durante setembro.

O volume final continuará elevado, mas a diferença entre as regiões será significativa. Mato Grosso caminha para uma colheita recorde e praticamente concluída, enquanto produtores de outros estados ainda enfrentam atraso, umidade excessiva ou perdas causadas pela estiagem.

Fonte: Pensar Agro

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