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Inovação e Tecnologia Guiam Debates na 36ª Abertura da Colheita do Arroz no RS

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A 36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas, que acontece de 24 a 26 de fevereiro, na Estação Experimental da Embrapa Clima Temperado, em Capão do Leão (RS), terá a inovação tecnológica como eixo central. O evento, promovido pela Federarroz, contará com as Arenas de Inovação e de Drones, espaços dedicados à modernização do agronegócio, sustentabilidade e integração de novas ferramentas digitais no campo.

Arenas de Inovação e Drones Serão os Grandes Destaques do Evento

A proposta das arenas é reunir produtores rurais, pesquisadores, empresas e representantes do setor público para discutir o uso de dados, tecnologias emergentes e práticas sustentáveis na agricultura e pecuária.

Segundo Anderson Belloli, diretor jurídico da Federarroz, a Arena de Inovação será um espaço de troca de experiências entre a expertise do produtor gaúcho e o avanço tecnológico do setor.

“A ideia é unir o conhecimento acumulado no campo com as novas soluções tecnológicas, ajudando o produtor a reduzir custos, aumentar produtividade e melhorar a rentabilidade”, destacou Belloli.

Programação Enfatiza Inovação, Sustentabilidade e Integração Setorial

A programação terá início na terça-feira (24), com debates sobre a inovação como motor de transformação no meio rural. Pela manhã, serão apresentados cases de sucesso que mostram como startups e centros de pesquisa estão impulsionando a produção agropecuária.

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À tarde, os debates avançam para a integração das cadeias produtivas, mostrando como a colaboração entre diferentes segmentos pode gerar novas oportunidades de crescimento.

O dia também incluirá painéis sobre o conceito de “cidade do agro” e a evolução da pecuária brasileira, abordando temas como eficiência produtiva, sustentabilidade e novos modelos de produção de carne.

Liderança Feminina e Conexão com o South Summit em Foco

Na quarta-feira (25), o protagonismo feminino ganha destaque com um painel sobre liderança e inovação, valorizando o papel das mulheres no agronegócio e sua influência nas tomadas de decisão.

Durante o mesmo dia, será lançada a Trilha do Agro no South Summit 2026, reforçando a ligação entre o agronegócio brasileiro e os principais eventos globais de tecnologia e inovação.

Os debates também abordarão inteligência artificial, uso de dados, crédito rural e financiamento inteligente, além da apresentação de um projeto piloto de rastreabilidade bovina no Rio Grande do Sul — iniciativa que busca agregar valor e transparência à cadeia produtiva da carne.

Sucessão Familiar e Agricultura de Baixo Carbono Encerram o Evento

As atividades se encerram na quinta-feira (26) com uma palestra sobre liderança e atitude no agro, destacando a importância da visão estratégica e da comunicação digital no posicionamento dos produtores.

O último painel tratará da Integração Lavoura-Pecuária em terras baixas, destacando como essa prática pode aumentar a produtividade e contribuir para a descarbonização da agricultura, alinhando-se às metas globais de baixo carbono.

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Drones Ganham Espaço e Popularidade nas Lavouras Gaúchas

Outro destaque do evento será a Arena de Drones, que mostrará como a tecnologia vem transformando o manejo e as aplicações agrícolas.

Para André Matos, diretor técnico da Federarroz, os drones já fazem parte da rotina das lavouras de arroz no estado.

“Os drones deixaram de ser uma promessa e se tornaram uma ferramenta acessível, precisa e econômica. Eles oferecem agilidade, redução de custos e maior eficiência nas aplicações agrícolas”, explicou Matos.

Realização e Apoios Institucionais

Com o tema “Cenário atual e perspectivas: conectando campo e mercado”, a 36ª Abertura da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas é uma realização da Federarroz, com correalização da Embrapa e do Senar, e patrocínio premium do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga).

A Arena de Inovação conta com patrocínio do BRDE, Canoa Mirim, Grupo Felice, CMPC e NAX, além do apoio do Irga, da Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia e da Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária e Irrigação.

As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo site oficial: www.colheitadoarroz.com.br.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Trump taxa o Brasil por “trabalho escravo”, mas compra 30 vezes mais de “países suspeitos”

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Os Estados Unidos começaram a cobrar, nesta sexta-feira (24.07), uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros sob a justificativa de que o país não impediria de maneira efetiva a importação de mercadorias produzidas com trabalho escravo.

Para parte das exportações brasileiras, a nova tarifa será somada à sobretaxa de 25% (veja aqui) que entrou em vigor na quarta-feira (22), elevando o adicional a 37,5%. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a cobrança acumulada alcança setores como calçados, máquinas e equipamentos, incluindo maquinário agrícola, peças, vestuário e produtos químicos não farmacêuticos. Café e suco de laranja ficaram isentos das duas medidas, enquanto a celulose será atingida somente pelos 12,5%. A incidência final dependerá do código tarifário de cada mercadoria.

O argumento norte-americano, porém, esbarra nos próprios números e mostra que a decisão é eminentemente política. Segundo levantamento do Global Slavery Index, elaborado pela fundação Walk Free e apresentado ao G20, os Estados Unidos importam anualmente US$ 169,6 bilhões em mercadorias suspeitas de terem sido produzidas com trabalho forçado e nenhum desses países foi sobretaxado. No caso brasileiro, o montante é de US$ 5,6 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 28,5 bilhões, ou seja 30 vezes mais.

A classificação da fundação Walk Free não significa que todas essas mercadorias tenham sido comprovadamente produzidas por trabalhadores escravizados, mas mostra que o mercado norte-americano permanece como um dos principais destinos mundiais de bens provenientes dessas cadeias que se utilizam de mão de obra escravizada.

Entre as compras dos Estados Unidos classificadas como de risco estão US$ 107,6 bilhões em eletrônicos procedentes principalmente da China e da Malásia. Também aparecem US$ 52,4 bilhões em roupas produzidas em países como China, Vietnã, Bangladesh, Índia e Malásia. A lista inclui ainda pescados, madeira e produtos têxteis.

Outra incoerência: a nova cobrança não proíbe a entrada dessas mercadorias. Os produtos originados em cadeias apontadas como vulneráveis ao trabalho forçado poderão continuar chegando aos Estados Unidos desde que os importadores paguem o imposto adicional.

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O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) que “investigou” o Brasil não formalizou uma acusação de que os produtos brasileiros estão sendo fabricados com trabalho escravo. Apenas frisou que inexiste uma proibição de importação considerada suficientemente abrangente, para impedir que mercadorias produzidas nessas condições em terceiros países entrem no Brasil, e daqui cheguem aos Estados Unidos .

Essa foi uma forma de justificar o injustificável, já que o Brasil possui uma estrutura própria de repressão ao trabalho análogo à escravidão. O artigo 149 do Código Penal enquadra como crime situações envolvendo trabalho forçado, jornada exaustiva, condições degradantes e restrição da liberdade por dívida. O país também mantém grupos móveis de fiscalização e um cadastro público de empregadores responsabilizados administrativamente, conhecido como Lista Suja do Trabalho Escravo.

Desde 1995, mais de 68 mil trabalhadores foram retirados de condições análogas à escravidão em mais de 8 mil ações fiscais, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego. Somente em 2025, foram resgatadas 2.772 pessoas, enquanto as fiscalizações resultaram no pagamento de aproximadamente R$ 9,4 milhões em verbas trabalhistas e rescisórias. A versão mais recente da Lista Suja foi atualizada em 14 de julho deste ano.

Esses números não significam que o problema esteja eliminado no território brasileiro. Eles demonstram, entretanto, que o país reconhece a existência das irregularidades, investiga denúncias, responsabiliza empregadores e retira trabalhadores das situações encontradas. O próprio relatório produzido pelo USTR registra manifestações apresentadas durante a investigação que destacaram a existência de uma estrutura legal e institucional consolidada no Brasil.

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Outro ponto que relativiza a justificativa humanitária está no amplo conjunto de exceções definido pelos Estados Unidos. Ficaram protegidas da nova tarifa matérias-primas que possam provocar desabastecimento, produtos capazes de gerar impactos econômicos mais amplos e mercadorias que não possam ser produzidas em quantidade suficiente no território norte-americano.

A lista de exceções alcança itens de interesse direto do agronegócio, como determinados produtos de origem animal, sementes, insumos para fertilizantes e defensivos, couros, madeira, café solúvel sem aromatização e volumes de açúcar importados dentro das cotas estabelecidas. Na prática, a aplicação da medida será determinada não apenas pelo argumento relacionado ao trabalho forçado, mas também pela necessidade de preservar o abastecimento e os custos da economia americana.

Para o agro brasileiro, o impacto será desigual. Produtos incluídos nas exceções poderão continuar entrando sem a nova cobrança, enquanto os demais ficarão sujeitos aos 12,5%. Nos casos em que a tarifa se somar à sobretaxa de 25% estabelecida em outra investigação comercial, a cobrança nominal poderá alcançar 37,5%, dependendo da classificação aduaneira de cada mercadoria.

O momento escolhido para colocar a medida em vigor também chama atenção. A nova tarifa começou a valer exatamente quando terminou a cobrança global temporária de 10% criada anteriormente pelo governo norte-americano. Em fevereiro, a Suprema Corte dos Estados Unidos havia derrubado as chamadas tarifas recíprocas, que variavam de 10% a 50%. Agora, Washington recorreu à Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 para recompor uma barreira de alcance semelhante sob outra fundamentação jurídica.

A coincidência entre o calendário eleitoral e o aumento das barreiras comerciais mostra que as tarifas norte-americanas deixaram de ser apenas um instrumento de política comercial e passaram a integrar o ambiente político brasileiro.

Fonte: Pensar Agro

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