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Interior de São Paulo aposta em enoturismo e diversificação para impulsionar vitivinicultura

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O 8º Encontro Enoconexão, realizado em Louveira (SP), reuniu produtores, especialistas, proprietários de vinícolas, pesquisadores, fornecedores e entusiastas do setor vitivinícola. O evento, que aconteceu ao longo de três dias no Salão de Cultura e Eventos, destacou a importância da integração da cadeia produtiva e o impacto positivo do enoturismo para propriedades rurais do interior paulista.

Autoridades locais também prestigiaram o encontro, como o prefeito de Louveira, Paulo Alberto Finamore, e representantes de municípios do Polo Turístico do Circuito das Frutas, além do Deputado Estadual Lucas Bove, que reforçou a necessidade de união entre produtores para fortalecer o setor e valorizar o trabalho rural.

“Eventos como o Encontro Enoconexão são fundamentais para a troca de conhecimento. As vinícolas precisam agir como um grupo único, pois todos crescem juntos. Levo daqui até Brasília os pedidos do setor para fortalecer a cadeia produtiva”, destacou Bove.

Turismo rural: uma estratégia lucrativa e inovadora

O turismo rural foi um dos temas centrais do evento, apresentado como alternativa estratégica para pequenas propriedades. O especialista chileno Pedro Izquierdo, engenheiro agrônomo e consultor em vitivinicultura, explicou que receber visitantes agrega valor à produção, transformando vinhedos em experiências que combinam cultura, gastronomia e natureza.

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Segundo Izquierdo, apesar dos desafios técnicos, o interior paulista tem grande potencial devido à proximidade de grandes centros urbanos, oferecendo público garantido para o enoturismo. Ele citou exemplos internacionais, como o México, onde pequenas propriedades dependem do turismo rural para gerar renda, fortalecer a marca local e criar novas oportunidades de negócios.

Cases de sucesso: Villagio Michelin e Sítio Fragole

Villagio Michelin aposta na diversificação e experiência do visitante

O casal Graziela e Rafael Michelin, do Villagio Michelin, em Jundiaí, destacou a transformação da propriedade familiar, presente na região desde 1930. Inicialmente focados na produção de uvas, os proprietários ampliaram a produção para goiaba, pêssego, abacate e lichia, adotaram o sistema de colha e pague e estruturaram a propriedade para receber visitantes.

Hoje, a vinícola recebe centenas de visitantes por final de semana, oferecendo café da manhã caipira, passeio de trenzinho e parcerias com escolas locais, além de eventos como casamentos e confraternizações empresariais.

Sítio Fragole diversifica cultivo e aposta no turismo

O produtor Ricardo Paulino, do Sítio Fragole, também inovou ao diversificar a produção, antes limitada ao morango. Com a ajuda de sua filha, formada em turismo, a propriedade adotou o sistema de colha e pague, plantou amora e framboesa e passou a oferecer café da manhã para visitantes, recebendo atualmente de 400 a 500 pessoas por fim de semana.

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Evento promove debates e destaca inovação tecnológica

A programação do 8º Encontro Enoconexão incluiu debates sobre qualidade da produção de uvas e vinhos, valorização da mão de obra rural, redução de riscos operacionais e tecnologias para práticas mais eficientes e sustentáveis.

O evento contou com a participação de 23 vinícolas, permitindo que o público conhecesse o processo produtivo, a história de cada marca e degustasse os produtos. Segundo Rafael Vicchini, sócio-diretor da Enoconexão, a iniciativa atingiu o objetivo de atender às demandas do setor e promover conhecimento.

“Nosso objetivo sempre foi movimentar a cadeia do vinho, uva e enoturismo, incentivando iniciativas de sucesso no campo. A partir desta edição, o evento se torna bianual, retornando em 2027 com novidades e mais tempo para planejamento”, afirmou Vicchini.

Além disso, todas as palestras estarão disponíveis na internet, ampliando o acesso às informações sobre o setor.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

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A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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