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Mercado de milho no Brasil enfrenta preços firmes no país, mas pressão internacional cresce

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O mercado de milho no Brasil segue com negociações lentas em várias regiões, mesmo diante de uma colheita avançada e recorde em alguns estados. Segundo informações da TF Agroeconômica, os preços no Rio Grande do Sul estão entre R$ 65,00 e R$ 68,00 por saca em cidades como Santa Rosa, Ijuí, Marau, Gaurama, Seberi, Arroio do Meio, Lajeado e Montenegro. Para agosto, os pedidos variam de R$ 68,00 a R$ 70,00/saca no interior, enquanto o porto projeta preços futuros de R$ 70,00/saca para fevereiro de 2026.

Em Santa Catarina, os produtores enfrentam dificuldades para fechar negócios, com ofertas de até R$ 70,00 em Campos Novos e pedidos que chegam a R$ 80,00. No Planalto Norte, a diferença entre solicitações e ofertas mantém a liquidez baixa, fazendo com que alguns agricultores diminuam investimentos para o próximo ciclo.

No Paraná, produtores buscam valores próximos de R$ 73,00 a saca FOB, podendo chegar a R$ 75,00 em algumas regiões, enquanto as ofertas CIF permanecem abaixo de R$ 70,00. Levantamentos regionais indicam pequenas altas, com preços entre R$ 54,00 e R$ 64,00/saca, dependendo da região.

O Mato Grosso do Sul registra situação semelhante, com cotações entre R$ 45,00 e R$ 52,00/saca e baixa movimentação comercial. Apesar de leves altas, o mercado ainda carece de estímulos para acelerar os negócios.

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Produção brasileira impulsionada pelo câmbio e exportações

No mercado doméstico, os contratos do milho na B3 registraram alta na terça-feira (19), impulsionados pela valorização do dólar. O contrato de setembro/25 fechou a R$ 66,25, enquanto novembro/25 e janeiro/26 terminaram a R$ 68,98 e R$ 71,46, respectivamente. A valorização cambial estimula produtores a direcionarem parte da produção para exportação, com a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) projetando embarques de agosto em pouco mais de 8 milhões de toneladas.

Segundo Paulo Molinari, consultor de Safras & Mercado, a semana segue com tensão, principalmente no interior, apesar de preços firmes nos portos, como Santos (R$ 67,50 a R$ 70,00) e Paranaguá (R$ 67,00 a R$ 70,00). Em estados como Paraná, São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, os preços variam entre R$ 53,00 e R$ 68,00/saca, dependendo da região e modalidade de entrega.

Perspectiva internacional pressiona preços nos EUA

Enquanto o mercado brasileiro mantém preços sustentados, nos Estados Unidos o cenário é oposto. Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos recuaram, refletindo estimativas de produtividades acima da média e safra abundante. O contrato de setembro caiu 0,91% e o de dezembro recuou 0,80%, cotados a US$ 379,50 e US$ 403,25 por bushel, respectivamente.

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O Crop Tour da Pro Farmer indicou rendimentos recordes em estados como Indiana, Nebraska, Dakota do Sul e Ohio, reforçando a expectativa de uma supersafra americana de milho. Segundo relatório do USDA, a produção prevista para 2025/26 é de 425,26 milhões de toneladas, o maior volume registrado na série histórica, superando o consumo doméstico e elevando os estoques finais para 53,77 milhões de toneladas.

Fundamentais divergentes mantém mercado global volátil

O cenário global de milho mostra divergências: no Brasil, a valorização do dólar e a demanda externa sustentam os preços, enquanto nos EUA a perspectiva de produção recorde pressiona as cotações para baixo, intensificando a disputa entre os dois maiores exportadores mundiais. Analistas alertam que, caso as projeções se confirmem, a pressão sobre os preços na Bolsa de Chicago pode aumentar ainda mais no segundo semestre de 2025.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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