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Mercado de trigo apresenta movimentação lenta, mas preços mostram reação

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Leve alta nos preços no Rio Grande do Sul

De acordo com a TF Agroeconômica, os valores do trigo no Rio Grande do Sul registraram uma leve alta, aproximando-se de R$ 1.300,00 por tonelada. Essa reação é consequência da lentidão nas negociações do produto disponível e dos ajustes nos preços divulgados pelo CEPEA, que subiram 0,31% no dia anterior. As compras estão pontuais para agosto e mais concentradas para setembro. Trigos de qualidade superior, capazes de substituir o argentino, chegam a alcançar R$ 1.380,00 no interior, mas são pouco comuns.

Negociações e estoque: predominância da faixa de R$ 1.300,00

A maior parte das vendas ocorre na faixa de R$ 1.300,00 para trigo de qualidade boa, com localização mediana, tendo embarque previsto para agosto e pagamento em setembro. A moagem permanece em ritmo baixo, e os moinhos afirmam que o estoque atual é suficiente até o início da nova safra.

Exportação e contratos da safra 2025

No mercado exportador, houve oferta para o trigo padrão moagem da safra 2025, com entrega em dezembro e pagamento em janeiro, cotado a R$ 1.300,00 sobre rodas no porto — valor R$ 30,00 superior ao registrado na sexta-feira anterior. O contrato permite a opção de reverter o trigo para ração com desconto de 20% caso o padrão de moagem não seja alcançado. Até o momento, cerca de 4% da nova safra já foi negociada. Em Panambi, os preços de pedra permanecem estáveis em R$ 70,00 por saca para o produtor.

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Situação do mercado em Santa Catarina

Em Santa Catarina, o mercado segue estável, com os moinhos consumindo estoques e realizando compras apenas para reposição. A oferta de trigo gaúcho limita a valorização local, mantendo os preços entre R$ 1.330,00 e R$ 1.360,00 FOB. O trigo importado em Paranaguá está mais competitivo que o paranaense. A safra nova gera preocupação, já que as vendas de sementes caíram 20% em relação a 2024, e a CONAB projeta uma redução de 6,3% na produção estadual. Os preços pagos aos produtores variam de R$ 72,00 a R$ 79,00 por saca, dependendo da região.

Cotação e estoque no Paraná

No Paraná, o preço do trigo importado no mercado spot recuou US$ 1 por tonelada, enquanto para entrega em dezembro houve alta de US$ 4 por tonelada. Os moinhos afirmam ter estoque suficiente até outubro e evitam pagar mais de R$ 1.450 CIF. Para a futura safra, os compradores oferecem R$ 1.450 para outubro e R$ 1.350 para novembro, porém o mercado ainda está travado. A produção não sofreu tanto quanto o previsto, o que contribui para maior oferta.

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Preços pagos aos produtores e rentabilidade

Os valores pagos aos agricultores caíram 1,55% na última semana, ficando em R$ 75,88 por saca. O lucro médio do produtor diminuiu para 4,10%, ainda acima do custo de produção estimado em R$ 72,89 por saca.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode multiplicar área irrigada, mas água e energia limitam avanço

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O Brasil possui aproximadamente 10 milhões de hectares equipados para irrigação, mas poderia incorporar mais de 55 milhões de hectares à tecnologia, segundo estimativas oficiais. A expansão permitiria aumentar a produção dentro de áreas já ocupadas e reduzir perdas provocadas por estiagens, mas depende de investimentos em reservatórios, energia elétrica, licenciamento e gestão dos recursos hídricos.

Os números variam conforme a metodologia. O Portal da Irrigação, do governo federal, trabalha com cerca de 10 milhões de hectares equipados. Já o Atlas Irrigação, da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), contabiliza 8,2 milhões de hectares irrigados e fertirrigados em sua base nacional mais abrangente.

O mesmo levantamento identifica potencial adicional de 55,85 milhões de hectares. Desse total, 26,69 milhões estão sobre áreas agrícolas de sequeiro, que dependem das chuvas, e outros 26,73 milhões sobre pastagens. A estimativa exclui áreas ambientalmente protegidas, mas representa uma possibilidade física, não uma expansão que possa ocorrer imediatamente.

Uma parcela entre 6 milhões e 8 milhões de hectares apresenta condições mais favoráveis para incorporação em prazo menor. Ainda assim, seriam necessários investimentos elevados na aquisição de equipamentos, ampliação das redes elétricas e construção de estruturas de captação, armazenamento e distribuição de água.

O avanço dos pivôs centrais mostra que o produtor já procura reduzir a dependência das chuvas. Levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) identificou 33.846 pivôs em funcionamento em 2024, responsáveis pela irrigação de 2,2 milhões de hectares.

A tecnologia permite fornecer água em momentos decisivos, como germinação, floração e enchimento de grãos. No milho, a falta de umidade nessas fases pode provocar perdas mesmo quando o volume total de chuva da temporada fica próximo da média.

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A irrigação também aumenta a previsibilidade para cooperativas, fábricas de ração, usinas de etanol e outras indústrias que dependem do fornecimento regular de grãos. Com menor oscilação na produção, a cadeia consegue organizar melhor compras, estoques e processamento.

Estudos realizados em regiões de agricultura irrigada encontraram indicadores econômicos superiores aos observados em municípios sem a mesma estrutura. As áreas analisadas, embora representassem cerca de 8% do espaço agrícola considerado, concentravam 704 mil hectares irrigados por pivôs e respondiam por aproximadamente 15% das exportações do agronegócio.

Uma simulação com a incorporação de 1.500 hectares irrigados apontou aumento inicial de R$ 8,27 milhões no valor adicionado pela agropecuária. Em uma segunda etapa, após os efeitos sobre fornecedores, serviços e empregos, o acréscimo poderia superar R$ 13 milhões.

Essas comparações, entretanto, não significam que a irrigação seja a única responsável pelo desempenho econômico. Municípios irrigantes também costumam concentrar propriedades tecnificadas, agroindústrias, crédito, armazenagem e melhor infraestrutura.

O principal limite é a disponibilidade de água em cada bacia. A ANA calcula que a irrigação responde por 46% de toda a água retirada de rios, reservatórios e aquíferos no Brasil e por 67% do consumo, parcela que não retorna imediatamente aos mananciais.

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Por isso, o potencial nacional não pode ser interpretado como autorização para irrigar qualquer área. Cada projeto depende da disponibilidade local, dos demais usos da água e da obtenção de outorga, documento que estabelece quanto poderá ser captado, por quanto tempo e em quais condições.

A construção de reservatórios pode guardar água durante o período chuvoso para utilização em momentos críticos. Esses projetos, porém, também precisam respeitar regras ambientais, segurança das barragens e limites de captação para não prejudicar o abastecimento das cidades, a indústria e outros produtores.

A energia elétrica é outro obstáculo. Sistemas de irrigação demandam potência elevada e funcionamento regular, mas parte das regiões com maior potencial agrícola ainda não dispõe de redes trifásicas ou capacidade suficiente para atender novos equipamentos. O custo da energia também interfere diretamente na viabilidade do investimento.

A expansão sustentável exige ainda sensores de umidade, acompanhamento meteorológico e equipamentos capazes de aplicar somente o volume necessário. Irrigar sem monitoramento pode desperdiçar água, elevar custos e provocar erosão, encharcamento ou perda de nutrientes.

Diante da maior frequência de veranicos e estiagens em períodos críticos, a irrigação tende a ganhar importância na agricultura brasileira. O avanço, contudo, dependerá menos da simples compra de pivôs e mais de planejamento por bacia, segurança jurídica, energia disponível e infraestrutura para armazenar água sem comprometer os demais usuários.

Fonte: Pensar Agro

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