AGRONEGÓCIO
Mercado do Trigo Enfrenta Escassez no Brasil e Queda nas Bolsas Internacionais
AGRONEGÓCIO
Disponibilidade limitada eleva preços no Sul do Brasil
O mercado de trigo no Brasil segue com oferta reduzida e ajustes pontuais nos preços, em meio ao aumento das exportações e ao ritmo moderado das compras pelos moinhos. De acordo com levantamento da TF Agroeconômica, a menor disponibilidade do cereal, especialmente no Rio Grande do Sul, tende a sustentar as cotações no curto prazo.
No estado gaúcho, há relatos de escassez de trigo para atender à demanda dos moinhos até a próxima colheita. A comercialização antecipada — com cerca de 80% da safra já vendida — e o volume expressivo destinado à exportação reduziram os estoques internos.
Atualmente, compradores têm oferecido entre R$ 1.070 e R$ 1.080 por tonelada, enquanto vendedores pedem em torno de R$ 1.100. No porto de Rio Grande, o preço FOB do trigo com 12,5% de proteína está estimado em US$ 232 por tonelada.
Até 19 de fevereiro, os embarques somaram 1,47 milhão de toneladas, com outras 412 mil toneladas previstas, totalizando quase 1,9 milhão de toneladas exportadas. Em Panambi (RS), o preço ao produtor subiu para R$ 55,00 por saca. O trigo importado é cotado a US$ 240 posto Rio Grande e US$ 257 desembaraçado em Canoas.
Santa Catarina e Paraná mantêm mercado ajustado, mas atentos à qualidade
Em Santa Catarina, a limitação de espaço nos armazéns tem levado à venda de trigo de qualidade inferior a preços mais baixos. Apesar disso, o mercado local segue estável, com valores de balcão variando entre R$ 59,00 e R$ 64,00 por saca, conforme a região. Produtores sinalizam intenção de reduzir a área de cultivo na próxima safra, com possível migração para o milho, que apresenta melhor rentabilidade no momento.
No Paraná, os moinhos voltaram às compras, mas de forma seletiva, priorizando qualidade e custo. As referências giram entre R$ 1.200 e R$ 1.300 CIF, com R$ 1.250 sendo o valor médio para entregas em março e abril. O volume disponível para comercialização é considerado baixo.
No mercado externo, o trigo argentino é ofertado a US$ 258 CIF Paranaguá, enquanto o paraguaio chega a US$ 250 CIF Ponta Grossa.
Trigo internacional recua com influência climática e tensões geopolíticas
Nos mercados internacionais, os contratos futuros de trigo registraram queda nesta terça-feira (24), influenciados pela realização de lucros, condições climáticas favoráveis nos Estados Unidos e incertezas geopolíticas no leste europeu.
Em Chicago, o contrato de março do trigo brando SRW recuou 0,35%, a US$ 5,6750 por bushel. O vencimento de maio caiu 0,09%, a US$ 5,7325. Em Kansas, o trigo duro HRW para março perdeu 1,03%, cotado a US$ 5,5425, enquanto em Minneapolis o trigo HRS caiu 0,47%, a US$ 5,7950.
Na Euronext de Paris, o contrato de março do trigo para moagem fechou com desvalorização de 0,38%, a € 195,25 por tonelada.
A queda foi impulsionada por previsões de chuvas nas Grandes Planícies do Sul dos EUA, o que melhora as condições para o desenvolvimento das lavouras, reduzindo preocupações de oferta. No cenário geopolítico, o conflito no Mar Negro segue como fator de instabilidade. Autoridades russas alertaram para uma possível escalada da guerra, enquanto a Ucrânia anunciou novas sanções contra 44 empresas russas.
Competitividade russa pressiona mercado global
No comércio físico internacional, a Rússia mantém tarifas de exportação zeradas pela sétima semana consecutiva, o que amplia sua competitividade e influencia negativamente os preços mundiais do trigo. Esse fator tem limitado o avanço das cotações nos demais países exportadores, incluindo os da América do Sul.
Perspectivas: mercado interno firme e pressão externa moderada
A expectativa para as próximas semanas é de estabilidade nos preços internos, sustentada pela escassez de oferta e pelos estoques reduzidos nos estados do Sul. No entanto, o cenário internacional — com recuo nas bolsas e maior competitividade russa — pode moderar os ganhos do mercado doméstico.
Analistas indicam que a próxima safra de inverno será decisiva para definir a direção das cotações no segundo semestre, especialmente se houver redução da área plantada no Brasil.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Trump taxa o Brasil por “trabalho escravo”, mas compra 30 vezes mais de “países suspeitos”
Os Estados Unidos começaram a cobrar, nesta sexta-feira (24.07), uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros sob a justificativa de que o país não impediria de maneira efetiva a importação de mercadorias produzidas com trabalho escravo.
Para parte das exportações brasileiras, a nova tarifa será somada à sobretaxa de 25% (veja aqui) que entrou em vigor na quarta-feira (22), elevando o adicional a 37,5%. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a cobrança acumulada alcança setores como calçados, máquinas e equipamentos, incluindo maquinário agrícola, peças, vestuário e produtos químicos não farmacêuticos. Café e suco de laranja ficaram isentos das duas medidas, enquanto a celulose será atingida somente pelos 12,5%. A incidência final dependerá do código tarifário de cada mercadoria.
O argumento norte-americano, porém, esbarra nos próprios números e mostra que a decisão é eminentemente política. Segundo levantamento do Global Slavery Index, elaborado pela fundação Walk Free e apresentado ao G20, os Estados Unidos importam anualmente US$ 169,6 bilhões em mercadorias suspeitas de terem sido produzidas com trabalho forçado e nenhum desses países foi sobretaxado. No caso brasileiro, o montante é de US$ 5,6 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 28,5 bilhões, ou seja 30 vezes mais.
A classificação da fundação Walk Free não significa que todas essas mercadorias tenham sido comprovadamente produzidas por trabalhadores escravizados, mas mostra que o mercado norte-americano permanece como um dos principais destinos mundiais de bens provenientes dessas cadeias que se utilizam de mão de obra escravizada.
Entre as compras dos Estados Unidos classificadas como de risco estão US$ 107,6 bilhões em eletrônicos procedentes principalmente da China e da Malásia. Também aparecem US$ 52,4 bilhões em roupas produzidas em países como China, Vietnã, Bangladesh, Índia e Malásia. A lista inclui ainda pescados, madeira e produtos têxteis.
Outra incoerência: a nova cobrança não proíbe a entrada dessas mercadorias. Os produtos originados em cadeias apontadas como vulneráveis ao trabalho forçado poderão continuar chegando aos Estados Unidos desde que os importadores paguem o imposto adicional.
O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) que “investigou” o Brasil não formalizou uma acusação de que os produtos brasileiros estão sendo fabricados com trabalho escravo. Apenas frisou que inexiste uma proibição de importação considerada suficientemente abrangente, para impedir que mercadorias produzidas nessas condições em terceiros países entrem no Brasil, e daqui cheguem aos Estados Unidos .
Essa foi uma forma de justificar o injustificável, já que o Brasil possui uma estrutura própria de repressão ao trabalho análogo à escravidão. O artigo 149 do Código Penal enquadra como crime situações envolvendo trabalho forçado, jornada exaustiva, condições degradantes e restrição da liberdade por dívida. O país também mantém grupos móveis de fiscalização e um cadastro público de empregadores responsabilizados administrativamente, conhecido como Lista Suja do Trabalho Escravo.
Desde 1995, mais de 68 mil trabalhadores foram retirados de condições análogas à escravidão em mais de 8 mil ações fiscais, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego. Somente em 2025, foram resgatadas 2.772 pessoas, enquanto as fiscalizações resultaram no pagamento de aproximadamente R$ 9,4 milhões em verbas trabalhistas e rescisórias. A versão mais recente da Lista Suja foi atualizada em 14 de julho deste ano.
Esses números não significam que o problema esteja eliminado no território brasileiro. Eles demonstram, entretanto, que o país reconhece a existência das irregularidades, investiga denúncias, responsabiliza empregadores e retira trabalhadores das situações encontradas. O próprio relatório produzido pelo USTR registra manifestações apresentadas durante a investigação que destacaram a existência de uma estrutura legal e institucional consolidada no Brasil.
Outro ponto que relativiza a justificativa humanitária está no amplo conjunto de exceções definido pelos Estados Unidos. Ficaram protegidas da nova tarifa matérias-primas que possam provocar desabastecimento, produtos capazes de gerar impactos econômicos mais amplos e mercadorias que não possam ser produzidas em quantidade suficiente no território norte-americano.
A lista de exceções alcança itens de interesse direto do agronegócio, como determinados produtos de origem animal, sementes, insumos para fertilizantes e defensivos, couros, madeira, café solúvel sem aromatização e volumes de açúcar importados dentro das cotas estabelecidas. Na prática, a aplicação da medida será determinada não apenas pelo argumento relacionado ao trabalho forçado, mas também pela necessidade de preservar o abastecimento e os custos da economia americana.
Para o agro brasileiro, o impacto será desigual. Produtos incluídos nas exceções poderão continuar entrando sem a nova cobrança, enquanto os demais ficarão sujeitos aos 12,5%. Nos casos em que a tarifa se somar à sobretaxa de 25% estabelecida em outra investigação comercial, a cobrança nominal poderá alcançar 37,5%, dependendo da classificação aduaneira de cada mercadoria.
O momento escolhido para colocar a medida em vigor também chama atenção. A nova tarifa começou a valer exatamente quando terminou a cobrança global temporária de 10% criada anteriormente pelo governo norte-americano. Em fevereiro, a Suprema Corte dos Estados Unidos havia derrubado as chamadas tarifas recíprocas, que variavam de 10% a 50%. Agora, Washington recorreu à Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 para recompor uma barreira de alcance semelhante sob outra fundamentação jurídica.
A coincidência entre o calendário eleitoral e o aumento das barreiras comerciais mostra que as tarifas norte-americanas deixaram de ser apenas um instrumento de política comercial e passaram a integrar o ambiente político brasileiro.
Fonte: Pensar Agro
-
SEM CATEGORIA5 dias atrásPrefeitura de Rio Branco entrega novo ponto de táxi no bairro Cidade Nova
-
POLÍTICA NACIONAL4 dias atrásProjeto reconhece seleções brasileiras de futebol como símbolos da identidade nacional
-
POLÍTICA NACIONAL5 dias atrásComissão aprova regras para uso da palavra “mel” em rótulos de produtos alimentícios
-
AGRONEGÓCIO4 dias atrásMudança no ITR pode impedir cobrança sobre terras invadidas e limitar avaliações abusivas
-
AGRONEGÓCIO4 dias atrásNova plataforma acelera seleção de trigo resistente a doenças
-
SEM CATEGORIA2 dias atrásPrefeitura de Rio Branco reforça prevenção às queimadas na APA Raimundo Irineu Serra
-
AGRONEGÓCIO3 dias atrásAbertura do plantio da soja vai debater alimentos, biocombustíveis e energia
-
SEM CATEGORIA5 dias atrásPrefeitura de Rio Branco abre maior competição de futebol amador da capital com mais de 100 equipes