RIO BRANCO
Search
Close this search box.

AGRONEGÓCIO

Mercado global de fertilizantes mostra sinais de ajuste no curto prazo

Publicados

AGRONEGÓCIO

O mercado internacional de fertilizantes começa a dar sinais de ajuste e reorganização, com diferentes trajetórias entre os principais nutrientes e influência direta de fatores como custos energéticos, clima e logística global.

Segundo análise de Alê Delara, especialista em Geopolítica Aplicada ao Mercado de Commodities e Agronegócio, o cenário mostra uma retomada de firmeza em algumas frentes, especialmente na ureia, enquanto outros produtos, como o potássio, seguem enfrentando pressão conjuntural.

Ureia ganha força no mercado internacional

A ureia, um dos principais fertilizantes nitrogenados, voltou a registrar movimentos de alta nas cotações futuras em importantes regiões produtoras e consumidoras, como Estados Unidos, Oriente Médio e Brasil.

O aumento dos preços está relacionado ao avanço dos custos de produção, especialmente no mercado norte-americano. As previsões de frio intenso no Leste dos EUA elevam a demanda por gás natural, principal insumo da indústria de nitrogenados, pressionando o custo marginal de produção e, consequentemente, os preços internacionais da ureia.

De acordo com Delara, o movimento é típico de períodos de temperaturas extremas, quando o consumo energético cresce e impacta a competitividade do setor químico.

Leia Também:  Trigo mantém preços firmes no Brasil e Mercosul com prêmios elevados e expectativa de alta no Sul
Demanda aquecida reforça tendência de alta

Além do custo energético, o mercado físico de ureia também apresenta maior sustentação nos preços. Negociações recentes nos Estados Unidos indicam valores gradualmente mais altos, enquanto no Oriente Médio as cotações FOB seguem firmes, refletindo um ambiente de maior equilíbrio entre oferta e demanda.

No lado da demanda, os estoques da Índia continuam em queda, o que aumenta a probabilidade de novas importações pelo país — um dos maiores consumidores globais de fertilizantes.

Esse movimento pode coincidir com maior demanda na Austrália, nos Estados Unidos e na Europa, reduzindo a folga do mercado internacional e reforçando o viés de alta nas curvas futuras da ureia.

Potássio enfrenta desafios logísticos e demanda fraca

Enquanto a ureia mostra sinais de recuperação, o mercado de potássio (KCl) apresenta um quadro mais fraco e desafiador.

Nos Estados Unidos, as condições climáticas adversas têm limitado a aplicação no campo, reduzindo o consumo imediato. Além disso, o baixo nível do rio Mississippi tem restringido o escoamento de cargas que chegam a Nova Orleans, um importante polo de distribuição de fertilizantes, criando gargalos logísticos que pressionam os preços locais.

Leia Também:  Novas regras do crédito rural ampliam exigências e impulsionam uso de inteligência territorial em bancos no Brasil

Na China, os estoques seguem relativamente baixos, o que indica que a fraqueza atual dos preços pode ser temporária, dependendo de uma retomada mais firme da demanda no médio prazo.

Perspectivas de curto prazo

Com a combinação de custos energéticos elevados, estoques reduzidos e gargalos logísticos, o mercado global de fertilizantes tende a permanecer volátil nas próximas semanas.

Para os analistas, o comportamento da ureia deve continuar ditando o ritmo do mercado no curto prazo, enquanto o potássio poderá reagir apenas com a normalização das condições logísticas e maior firmeza na demanda asiática.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

AGRONEGÓCIO

Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

Publicados

em

Por

A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

Leia Também:  Volta da guerra EUA x Irã ameaça abastecimento de fertilizantes no Brasil

Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

Leia Também:  Mercado de trigo no Sul segue lento e com preços pressionados pela valorização do real

A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

RIO BRANCO

ACRE

POLÍCIA

FAMOSOS

MAIS LIDAS DA SEMANA