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Mercado global do açúcar segue pressionado apesar de leve alta projetada na produção dos EUA, aponta USDA

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USDA projeta leve aumento na oferta de açúcar para 2025/26

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou, nesta terça-feira (10), o novo boletim WASDE (World Agricultural Supply and Demand Estimates), indicando uma leve alta na oferta de açúcar nos EUA para o ciclo 2025/26. O aumento na produção deve compensar a redução nas importações, resultando em uma produção total estimada de 9,410 milhões de toneladas curtas (STRV).

A produção de açúcar de cana na Louisiana foi revisada para cima em 29 mil STRV, reflexo de uma avaliação mais detalhada da safra. Já as produções na Flórida e de açúcar de beterraba permanecem estáveis.

Por outro lado, as importações totais caíram para 2,243 milhões de STRV, uma redução de 11.583 STRV em relação ao relatório anterior, influenciada principalmente por menores embarques das Filipinas. O déficit de cotas tarifárias aumentou em 50.342 STRV, compensado parcialmente por importações adicionais de açúcar bruto com tarifa mais alta (38.759 STRV).

Estoque final e uso permanecem estáveis

O USDA manteve inalterado o uso de açúcar nos Estados Unidos para o período 2025/26. Os estoques finais devem ficar em 1,940 milhão de STRV, representando uma relação estoque/uso de 15,89%.

No relatório anterior, o órgão havia identificado um erro nas declarações das refinarias, que relataram entregas incorretas para consumo humano. Após a correção, o ajuste reduziu as entregas em 186.607 STRV, sem afetar o uso total ou os estoques finais.

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México reduz previsão de safra por menor área de colheita

O México, um dos principais fornecedores de açúcar para o mercado norte-americano, teve sua produção revisada para baixo em 23 mil toneladas métricas, totalizando 5,024 milhões de toneladas.

A redução decorre da menor área colhida, o que impactou as projeções de entrega e estoques finais. Ainda assim, as exportações sob licença para os Estados Unidos não sofreram alterações.

Queda nas bolsas internacionais após leve recuperação

Mesmo com as projeções de oferta mais equilibrada, o mercado internacional de açúcar voltou a recuar nesta terça-feira (10), após breve recuperação no início da semana.

Na ICE Futures, em Nova York, o contrato março/26 do açúcar bruto fechou a 14,12 centavos de dólar por libra-peso, queda de 0,23 cent. O maio/26 encerrou em 13,76 cents/lbp, e o julho/26, em 13,72 cents/lbp.

Em Londres, o comportamento foi semelhante: o açúcar branco recuou US$ 7,30 no contrato março/26, cotado a US$ 398,10 por tonelada, enquanto os vencimentos de maio e agosto também registraram baixas, reforçando o movimento negativo nas cotações globais.

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Mercado brasileiro reage, mas ainda acumula perdas

No Brasil, o açúcar cristal teve alta no mercado físico, segundo o Indicador Cepea/Esalq, alcançando R$ 101,65 por saca de 50 kg — avanço diário de 1,55%. Apesar do ganho pontual, o acumulado de fevereiro ainda mostra queda de 3,09%, refletindo o impacto das recentes desvalorizações externas.

Oferta global elevada mantém preços sob pressão

De acordo com o analista Jack Scoville, da Price Futures Group, o mercado segue pressionado pela ampla disponibilidade global.

Boas condições climáticas em regiões produtoras de cana-de-açúcar e beterraba têm sustentado expectativas de uma safra abundante em 2025/26, especialmente em países como Índia e Tailândia.

O consumo mundial, por sua vez, deve crescer em ritmo mais lento, limitando o potencial de valorização do açúcar no curto prazo.

Etanol hidratado segue em queda no mercado doméstico

No setor de biocombustíveis, o etanol hidratado manteve tendência negativa. Segundo o Indicador Diário de Paulínia (SP), o produto foi negociado a R$ 3.130,50 por m³ na terça-feira (10), recuo de 0,14% em relação ao pregão anterior.

Com o resultado, o etanol acumula queda de 0,86% em fevereiro, acompanhando a fraqueza observada no mercado açucareiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Corrida global por terras raras leva Senado a discutir estratégia para minerais críticos

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O avanço da disputa internacional por minerais críticos e terras raras mobilizou a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que participou nesta semana de um debate no Senado sobre os caminhos para ampliar a presença do Brasil nas etapas de maior valor agregado da cadeia mineral.

A discussão ocorre em um cenário de crescente competição global por recursos considerados estratégicos para a produção de baterias, veículos elétricos, equipamentos eletrônicos, inteligência artificial, sistemas de defesa e geração de energia renovável. Nos últimos anos, Estados Unidos, China e União Europeia intensificaram políticas voltadas à segurança das cadeias de suprimentos e à redução da dependência externa desses insumos.

O Brasil aparece nesse cenário como um dos países com maior potencial geológico do mundo. Além de reservas de nióbio, grafita e lítio, o país possui importantes ocorrências de terras raras, grupo de minerais utilizados em equipamentos de alta tecnologia e considerados estratégicos pelas principais economias globais.

Durante audiência pública realizada pela Comissão de Relações Exteriores do Senado, integrantes da FPA defenderam a construção de uma política nacional voltada não apenas à extração mineral, mas também ao processamento industrial e à agregação de valor dentro do país. A avaliação apresentada durante o debate é que o Brasil corre o risco de repetir o modelo histórico de exportação de matéria-prima caso não avance em tecnologia, industrialização e segurança jurídica.

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INTERESSE MUNDIAL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio, engenheiro agrônomo Isan Rezende, os minerais críticos e as terras raras deixaram de ser apenas uma questão mineral para se tornarem um tema de soberania econômica.

“O mundo vive uma corrida por recursos essenciais para a produção de baterias, semicondutores, inteligência artificial, sistemas de defesa e transição energética. O Brasil possui algumas das maiores reservas do planeta e precisa decidir se continuará exportando matéria-prima ou se avançará para ocupar posições mais estratégicas nessa cadeia.”

“O que preocupa é que as principais economias do mundo estão adotando políticas cada vez mais agressivas para garantir acesso a esses minerais. Os Estados Unidos ampliam sua pressão por acordos de fornecimento, a China mantém forte controle sobre etapas de processamento e diversos países passaram a restringir exportações para proteger suas próprias indústrias. O Brasil não pode assistir a esse movimento apenas como fornecedor de recursos naturais. É necessário construir uma política nacional que estimule pesquisa, industrialização, inovação e geração de valor dentro do país.”

“A discussão conduzida pela Frente Parlamentar da Agropecuária vai além da mineração. Estamos falando de desenvolvimento regional, atração de investimentos, geração de empregos qualificados e fortalecimento da competitividade brasileira. O país reúne reservas minerais, conhecimento técnico e capacidade produtiva para se tornar um protagonista global nesse mercado. Mas isso exige segurança jurídica, previsibilidade regulatória e uma estratégia de longo prazo que transforme riqueza geológica em riqueza econômica para os brasileiros.”

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Os Estados Unidos ampliaram programas de incentivo à produção doméstica e à diversificação de fornecedores, enquanto a China mantém posição dominante em etapas estratégicas do processamento de terras raras. Outros países produtores também passaram a restringir exportações de matérias-primas para estimular investimentos industriais locais.

No Senado, a discussão abordou ainda o Projeto de Lei 4.443/2025, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A proposta busca estabelecer diretrizes para pesquisa, exploração, industrialização e atração de investimentos para o setor.

Entre os pontos destacados pelos participantes estão a necessidade de ampliar o conhecimento geológico do território brasileiro, fortalecer a pesquisa científica, estimular o desenvolvimento tecnológico e criar um ambiente regulatório capaz de atrair investimentos de longo prazo.

Para a FPA, o debate ultrapassa a questão mineral e passa a integrar uma agenda estratégica relacionada à competitividade da economia brasileira, à segurança das cadeias produtivas e ao posicionamento do país em um mercado que deve ganhar relevância crescente nas próximas décadas.

Fonte: Pensar Agro

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