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Mercados Globais Despencam com Alta do Petróleo e Ibovespa Reage ao Cenário Externo
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Mercados Internacionais Ampliam Queda após Escalada Geopolítica
Os mercados acionários ao redor do mundo abriram e fecharam em forte queda nesta quinta‑feira (19/03/2026), alinhados a um cenário de aversão ao risco impulsionado pela intensificação do conflito no Oriente Médio. O ambiente global foi marcado pela alta acentuada dos preços do petróleo Brent, que chegou a superar US$ 119 por barril, influenciada por ataques a infraestruturas energéticas estratégicas na região do Golfo — incluindo a planta de GNL de Ras Laffan, no Catar. Essa escalada dos preços de energia contribuiu para o sentimento de cautela nos mercados financeiros.
Na Wall Street, os índices futuros apontaram para abertura em queda, refletindo o nervosismo dos investidores frente à deterioração das perspectivas de estabilidade global. O Dow Jones, o S&P 500 e o Nasdaq 100 operaram com perdas antes da abertura, diante do cenário de incertezas econômicas e geopolíticas.
Bolsas da Europa e Ásia Registram Perdas Significativas
As principais bolsas europeias também encerraram no negativo, pressionadas pelo impacto do conflito e pela contínua elevação dos preços de energia que alimentam temores inflacionários. Os mercados acionários reagiram com volatilidade enquanto investidores avaliam possíveis mudanças na política monetária dos principais bancos centrais, como o Banco Central Europeu e o Banco da Inglaterra.
Na Ásia, a situação foi semelhante, com várias praças acionárias registrando quedas expressivas. Os índices de Xangai, Hong Kong, Tóquio e Seul, entre outros, mostraram ampla desvalorização, refletindo a redução do apetite por risco entre os investidores diante da escalada do conflito e das incertezas sobre o crescimento econômico global.
Ibovespa em Queda: Cenário Externo Pesa sobre a Bolsa Brasileira
No Brasil, o Ibovespa também registrou queda influenciado pelas condições globais e pelo impacto do aumento nos preços da energia. Após uma série de decisões de política monetária tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil, o índice segue em um viés corretivo de curto prazo, com pressão de fatores externos e atento a níveis técnicos importantes. Entre os pontos de destaque para o mercado brasileiro estão:
- Tendência Técnica: o índice opera abaixo das médias móveis de curto prazo, indicando um viés baixista.
- Níveis de Suporte e Resistência: resistência próxima a 182.800 pontos; perda do patamar de 177.300 pontos pode intensificar a correção.
- Influência dos Preços do Petróleo: a valorização do Brent eleva preocupações com inflação global e impacto em custos de energia e produção.
- Ações de Destaque: Petrobras (PETR4), bancos (como Bradesco e Banco do Brasil — BBDC4 e BBAS3) e mineradora Vale (VALE3) são referências de volume e desempenho no índice.
Petróleo em Alta e Impactos na Economia Global
O forte movimento de alta dos preços do petróleo, com o Brent chegando a níveis não vistos desde 2024, foi um dos grandes catalisadores das quedas nos mercados globais. A elevação decorre diretamente da interrupção de fluxos de energia e ataques a campos e instalações de gás e petróleo no Oriente Médio. Isso não só pressiona os custos de energia, mas também aumenta o risco de pressões inflacionárias globais e pode alterar expectativas sobre decisões futuras de juros pelos principais bancos centrais.
Essa dinâmica tem alimentado debates sobre os potenciais impactos econômicos de longo prazo caso o conflito persista, inclusive com riscos negativos para o comércio global e a estabilidade econômica, especialmente se rotas como o Estreito de Ormuz permanecerem ameaçadas.
Conclusão: Investidores Permanecem Cautelosos
O cenário atual dos mercados financeiros reflete uma forte aversão ao risco em escala global, impulsionada por fatores geopolíticos e pela alta dos preços de energia. A volatilidade deve permanecer elevada enquanto o conflito no Oriente Médio seguir em curso, com investidores atentos aos desdobramentos políticos e econômicos que possam influenciar o humor dos mercados e as decisões de política monetária nos próximos dias.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia
A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.
O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.
Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.
O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.
Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.
A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.
A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.
Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.
Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.
A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.
Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.
No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.
Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.
A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.
O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.
A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.
O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.
Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.
Fonte: Pensar Agro
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