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Milho enfrenta pressão da safra recorde no Brasil, enquanto clima nos EUA e exportações limitam quedas do mercado

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O mercado de milho vive um momento de equilíbrio entre fatores baixistas e altistas. No Brasil, o avanço acelerado da colheita da segunda safra, especialmente em Mato Grosso, aumenta a oferta do cereal e mantém pressão sobre as cotações. No cenário internacional, entretanto, preocupações com o clima nos Estados Unidos, oscilações nas commodities e a expectativa pelo relatório mensal do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) impedem quedas mais intensas nos preços.

O resultado é um mercado atento tanto ao desempenho da safra brasileira quanto às condições das lavouras norte-americanas, fatores que devem definir a tendência das cotações nas próximas semanas.

Safra recorde amplia oferta e pressiona preços em Mato Grosso

Maior produtor nacional de milho, Mato Grosso segue registrando forte avanço da colheita da safra 2025/26.

Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), os trabalhos alcançaram 44,27% da área cultivada até o início de julho, impulsionados pelo bom desempenho das lavouras e pelas elevadas produtividades obtidas nesta temporada.

A produção estadual está estimada em 53,35 milhões de toneladas, um dos maiores volumes já registrados no estado.

Com a entrada desse volume expressivo no mercado, o preço médio recebido pelos produtores caiu para R$ 40,44 por saca, representando recuo semanal de 1,53%.

A maior disponibilidade do cereal amplia a oferta interna e exerce pressão sobre as negociações, mesmo diante de perspectivas positivas para o consumo.

Demanda cresce, mas ainda não absorve toda a produção

Apesar da queda dos preços, existem fatores que podem contribuir para elevar o consumo de milho nos próximos meses.

A entrada em operação de duas novas usinas de etanol de milho em Mato Grosso deverá aumentar significativamente a demanda estadual pelo cereal, fortalecendo o segmento de bioenergia.

Além disso, problemas climáticos registrados em estados como Goiás e Minas Gerais, que enfrentaram atraso no plantio e baixos volumes de chuva, podem ampliar a procura interestadual pelo milho mato-grossense.

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Ainda assim, o volume produzido permanece superior à capacidade de absorção do mercado interno, mantendo o ambiente favorável à continuidade da pressão sobre os preços.

Mercado internacional acompanha clima nos Estados Unidos

Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros do milho iniciaram a quarta-feira próximos da estabilidade.

Os investidores seguem concentrados na divulgação do próximo relatório de oferta e demanda do USDA, considerado um dos principais indicadores para o mercado mundial de grãos.

Ao mesmo tempo, as previsões meteorológicas para o Meio-Oeste norte-americano permanecem no radar.

Modelos climáticos indicam calor intenso e redução das chuvas ao longo da segunda quinzena de julho, cenário que pode comprometer a fase de polinização das lavouras e reduzir o potencial produtivo da safra dos Estados Unidos.

Esse risco climático tem limitado movimentos mais intensos de baixa nas bolsas internacionais, mesmo diante da ampla oferta global.

B3 registra recuperação dos contratos futuros

Enquanto Chicago opera praticamente estável, a Bolsa Brasileira (B3) iniciou o pregão com valorização nos principais contratos futuros.

O movimento acompanha a combinação entre a alta do dólar, a expectativa de maior demanda externa pelo milho brasileiro e as preocupações com o desenvolvimento da safra norte-americana.

Apesar da recuperação observada nos contratos futuros, analistas destacam que o avanço da colheita da segunda safra continua sendo o principal fator de pressão para o mercado doméstico.

Colheita da segunda safra avança no Brasil

Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a colheita da segunda safra brasileira atingiu aproximadamente 28,5% da área cultivada, ampliando a disponibilidade do cereal no mercado interno.

Esse avanço contribui para pressionar os contratos de curto prazo, especialmente aqueles com vencimentos mais próximos.

Por outro lado, o cenário internacional continua oferecendo sustentação parcial às cotações, principalmente diante das incertezas climáticas no Hemisfério Norte e da possibilidade de maior competitividade das exportações brasileiras.

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Mercado regional apresenta comportamentos distintos

O mercado físico segue refletindo as diferenças entre as principais regiões produtoras.

No Rio Grande do Sul, compradores permanecem abastecidos, limitando os negócios e mantendo as negociações em ritmo lento.

Em Santa Catarina, o mercado continua travado pelo desencontro entre preços pedidos pelos vendedores e ofertas apresentadas pelos compradores, reduzindo a liquidez.

No Paraná, a elevada umidade dos grãos e as chuvas recentes desaceleram a colheita da segunda safra, mantendo o ritmo abaixo da média histórica.

Já em Mato Grosso do Sul, o tempo firme favoreceu o avanço dos trabalhos, embora a colheita ainda permaneça abaixo da média registrada nos últimos anos.

Exportações podem ganhar força

Especialistas avaliam que o Brasil pode ampliar sua participação no mercado internacional caso persistam os problemas climáticos nos Estados Unidos e na Europa.

O calor intenso previsto para o cinturão produtor norte-americano, aliado aos impactos sobre a qualidade das lavouras europeias, pode aumentar a demanda global pelo milho brasileiro ao longo do segundo semestre.

Esse cenário tende a favorecer os embarques e contribuir para reduzir parte da pressão provocada pela safra recorde nacional.

Perspectivas para o mercado de milho

O mercado deve continuar operando sob influência de fatores distintos nas próximas semanas.

De um lado, a entrada da maior safra da história em importantes estados produtores amplia a oferta e mantém pressão sobre os preços internos.

De outro, o comportamento do clima nos Estados Unidos, a evolução das exportações brasileiras, a expansão da indústria de etanol de milho e os próximos relatórios do USDA serão determinantes para definir a direção das cotações no mercado internacional.

Enquanto esses fatores permanecem em análise, produtores e compradores seguem monitorando atentamente o ritmo da colheita, a demanda doméstica e as oportunidades de comercialização tanto no mercado interno quanto nas exportações.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

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A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

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Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

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O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

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