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Milho reage no mercado internacional com apoio do petróleo, enquanto mercado interno mostra resistência mesmo com volatilidade
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Os mercados de milho iniciaram esta terça-feira (17) com recuperação nas cotações internacionais, influenciados principalmente pela alta do petróleo em meio às tensões no Oriente Médio. No Brasil, os preços também avançaram na B3 durante a manhã, enquanto o mercado físico segue sustentado, mesmo diante da volatilidade recente nos contratos futuros.
Alta do petróleo impulsiona milho na Bolsa de Chicago
Os contratos futuros do milho negociados na Chicago Board of Trade operavam em leve alta no início do pregão, refletindo o impacto da valorização do petróleo sobre o mercado de commodities.
Por volta das 10h02 (horário de Brasília), os principais vencimentos registravam ganhos:
- Maio/26: US$ 4,55 (+1 ponto)
- Julho/26: US$ 4,66 (+1 ponto)
- Setembro/26: US$ 4,68 (+1,50 ponto)
- Dezembro/26: US$ 4,82 (+2 pontos)
Segundo a Reuters, a recuperação dos preços do petróleo — impulsionada pelas tensões envolvendo o Irã — ajudou a compensar as preocupações com a demanda chinesa, que haviam pressionado o mercado no dia anterior.
O avanço da commodity energética aumenta o interesse por biocombustíveis, setor que utiliza milho como matéria-prima, além de influenciar diretamente o fluxo de investimentos em commodities agrícolas.
B3 acompanha Chicago e registra valorização
No mercado brasileiro, os contratos futuros do milho também operavam em alta na manhã desta terça-feira na B3.
As principais cotações giravam entre R$ 70,85 e R$ 75,05:
- Maio/26: R$ 72,95 (+0,80%)
- Julho/26: R$ 70,85 (+0,64%)
- Setembro/26: R$ 71,16 (+0,34%)
- Janeiro/26: R$ 75,05 (+0,29%)
O movimento acompanha a recuperação externa e reflete também ajustes técnicos após oscilações recentes.
Volatilidade marca contratos futuros, apesar de suporte no físico
Apesar da alta observada no início desta terça-feira, o mercado futuro vinha de um movimento de queda nos principais vencimentos, pressionado pela desvalorização em Chicago e pela queda do dólar frente ao real.
O contrato maio/26, por exemplo, encerrou o pregão anterior a R$ 72,37, com recuo de R$ 2,92. Os vencimentos julho/26 e setembro/26 também fecharam em baixa, evidenciando a volatilidade do mercado.
Oferta restrita sustenta preços no mercado físico
No mercado físico brasileiro, os preços do milho seguem sustentados, mesmo diante das oscilações nos contratos futuros.
Levantamentos do Cepea indicam redução da oferta disponível no curto prazo, o que tem intensificado a disputa entre compradores e contribuído para a manutenção dos preços.
Essa restrição ocorre mesmo com a colheita da safra de verão em andamento e estoques considerados confortáveis. Entre os fatores que limitam a oferta imediata estão:
- Prioridade logística para o escoamento da soja
- Ritmo de plantio da segunda safra
- Custos de frete elevados, impactados pelos preços dos combustíveis
Mercado regional apresenta baixa liquidez
O comportamento do mercado físico varia entre as regiões, mas de forma geral ainda apresenta baixa liquidez.
No Sul do Brasil:
- Rio Grande do Sul: preços entre R$ 56,00 e R$ 62,00 por saca, com leve alta semanal
- Santa Catarina: descompasso entre ofertas e pedidos, travando negociações
- Paraná: cenário semelhante, com ajustes pontuais e pouca evolução nas vendas
No Centro-Oeste:
- Mato Grosso do Sul: cotações entre R$ 55,00 e R$ 57,00 por saca, com leve recuperação
- A demanda do setor de bioenergia ajuda a sustentar os preços, embora a comercialização siga lenta
Perspectiva: mercado atento ao petróleo e à demanda
O mercado de milho segue altamente sensível ao cenário externo, especialmente às oscilações do petróleo e às tensões geopolíticas, que impactam diretamente o setor de biocombustíveis e o fluxo de investimentos.
Ao mesmo tempo, fatores internos como logística, ritmo da colheita e comportamento da demanda continuam determinantes para a formação de preços no Brasil.
A tendência no curto prazo é de manutenção da volatilidade, com suporte no mercado físico e oscilações nos contratos futuros acompanhando o ambiente internacional.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia
A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.
O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.
Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.
O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.
Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.
A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.
A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.
Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.
Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.
A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.
Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.
No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.
Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.
A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.
O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.
A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.
O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.
Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.
Fonte: Pensar Agro
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