AGRONEGÓCIO
Milho recua na Bolsa de Chicago e na B3 com alta de estoques do USDA e pressão do petróleo
AGRONEGÓCIO
Milho futuro recua em Chicago com estoques maiores e petróleo em queda
Os contratos futuros de milho na Chicago Board of Trade (CBOT) iniciaram a sexta-feira (12) em território negativo, refletindo a combinação de fundamentos mais frouxos no relatório do governo norte-americano e a desvalorização do petróleo no mercado internacional.
Por volta das 09h11 (horário de Brasília), os principais vencimentos registravam perdas: julho/26 era negociado a US$ 4,11 (-0,50), setembro/26 a US$ 4,18 (-1,25), dezembro/26 a US$ 4,38 (-1,50) e março/27 a US$ 4,52 (-1,25).
O movimento foi influenciado pela divulgação do novo relatório de oferta e demanda do United States Department of Agriculture (USDA), por meio do boletim WASDE, que trouxe leve aumento nas projeções de estoques finais dos Estados Unidos para o ciclo 2026/27, estimados em 1,96 bilhão de bushels — acima dos 1,957 bilhão previstos no mês anterior.
Segundo analistas internacionais, o mercado também reagiu à queda do petróleo, que reduz o apelo do milho destinado à produção de etanol. O barril do WTI recuou 3,9%, enquanto o Brent caiu 3,7%, refletindo a percepção de trégua geopolítica entre EUA e Irã.
Oferta global elevada pressiona preços e reduz apetite comprador
Além dos Estados Unidos, o relatório do USDA reforçou revisões altistas para a produção em países da América do Sul, o que ampliou a percepção de oferta confortável no mercado global.
As projeções também foram ajustadas para Brasil, Argentina e Paraguai, mantendo o cenário de ampla disponibilidade do cereal e limitando qualquer tentativa de recuperação consistente nos preços internacionais.
Milho na B3 acompanha exterior e cai com maior oferta regional
No Brasil, o mercado futuro de milho na B3 também operou em baixa, acompanhando o recuo externo e a leitura de maior oferta regional.
A consultoria TF Agroeconômica aponta que a pressão veio do aumento das estimativas de produção divulgadas tanto pelo USDA quanto pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), especialmente para a safra brasileira 2026/27.
As revisões também incluíram Argentina e Paraguai, com bolsas argentinas indicando produção entre 64 e 68 milhões de toneladas — acima das estimativas anteriores do próprio USDA. Esse cenário reforça o entendimento de abundância de oferta na América do Sul.
A desvalorização do dólar no mercado interno também contribuiu para intensificar o movimento de queda nas cotações.
Cotações do milho na B3
O mercado brasileiro encerrou a sessão com ajustes negativos nos principais vencimentos:
- Julho/26: R$ 64,25 (-R$ 0,37 no dia; -R$ 1,13 na semana)
- Setembro/26: R$ 66,42 (-R$ 0,43 no dia; -R$ 1,78 na semana)
- Novembro/26: R$ 70,01 (-R$ 0,35 no dia; -R$ 1,34 na semana)
Mercado físico segue travado e com liquidez baixa nos estados
No mercado interno físico, a liquidez permanece limitada, com compradores bem abastecidos e produtores mais cautelosos diante do cenário de ampla oferta.
No Rio Grande do Sul, os negócios seguem pontuais, com preços entre R$ 57,00 e R$ 69,00 por saca. A média estadual ficou em R$ 59,27, com alta semanal de 0,87%.
Em Santa Catarina, o descompasso entre ofertas próximas de R$ 65,00 e demandas ao redor de R$ 60,00 impede maior fechamento de negócios.
No Paraná, o avanço da segunda safra segue favorecido pelo clima, mas a expectativa de maior produção mantém o mercado travado. Segundo o Deral, 79% das lavouras estão classificadas como boas.
Em Mato Grosso do Sul, as cotações variam entre R$ 51,38 e R$ 52,50 por saca, com recuperação pontual, mas ainda limitada pelo aumento da oferta e postura cautelosa dos compradores.
Panorama final
O mercado do milho encerra o dia sob pressão tanto no cenário internacional quanto doméstico, com estoques mais elevados nos Estados Unidos, oferta crescente na América do Sul e petróleo em queda, fatores que reforçam o viés baixista no curto prazo.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Plantio da soja começa no Brasil sob risco de El Niño muito forte
O plantio da soja 2026/27 começou de forma pontual no Brasil sob o risco de chuvas irregulares no Centro-Norte e excesso de umidade na Região Sul. Mato Grosso e Paraná já possuem áreas semeadas, enquanto os demais Estados entrarão gradualmente no campo entre setembro e dezembro, de acordo com o calendário estabelecido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
O início da safra coincide com o fortalecimento do El Niño. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) calcula em mais de 90% a probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte durante a primavera e o verão no Hemisfério Sul. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também aponta 90% de chance de intensidade muito forte entre setembro e novembro.
A previsão não significa que todo o país terá falta de chuva. O efeito esperado é diferente em cada região. No Centro-Oeste, no Matopiba e em parte do Norte e do Sudeste, a preocupação está na demora para a regularização das precipitações, nas temperaturas elevadas e na ocorrência de veranicos. No Sul, o principal risco é o excesso de chuva, que pode encharcar o solo, impedir a entrada das máquinas e favorecer doenças.
Mato Grosso abriu o calendário de semeadura em 7 de setembro. As primeiras áreas foram plantadas principalmente em Campo Novo dos Parecis, Diamantino, Brasnorte e outros municípios do oeste que receberam volumes mais expressivos de chuva. Também há trabalhos em áreas irrigadas.
O avanço ainda é inferior a 1% dos aproximadamente 13 milhões de hectares previstos pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). A expectativa é de que a semeadura ganhe força somente na primeira quinzena de outubro, quando as chuvas deverão estar mais bem distribuídas.
O problema é que as precipitações registradas até agora são muito localizadas. Enquanto algumas propriedades receberam volume suficiente para acumular água, áreas situadas a poucos quilômetros continuaram secas. Plantar após uma chuva isolada, sem umidade adequada nas camadas mais profundas do solo, aumenta o risco de falhas na germinação, perda de sementes e necessidade de replantio.
A pressa em Mato Grosso está ligada à soja, mas também ao milho e ao algodão cultivados depois da oleaginosa. Quanto mais cedo a soja for colhida, maior será a possibilidade de instalar a segunda safra dentro da janela de menor risco climático. O produtor tenta evitar que o milho e o algodão atravessem o período reprodutivo quando as chuvas já estiverem diminuindo.
O Imea projeta produção próxima de 49 milhões de toneladas de soja em Mato Grosso. Apesar do pequeno aumento de área, a estimativa considera redução de 5,4% na produtividade média em relação à temporada anterior. O Estado também já comercializou antecipadamente cerca de 39% da nova safra, acima da média histórica de 30,55% para o período, o que aumenta a necessidade de compatibilizar contratos de venda com o volume que poderá ser efetivamente colhido.
No Paraná, o plantio começou no Norte, Noroeste e Oeste, onde a semeadura está autorizada desde 1º de setembro. Até o levantamento mais recente do Departamento de Economia Rural (Deral), aproximadamente 81 mil hectares haviam sido plantados, o equivalente a 1,4% dos 5,76 milhões de hectares previstos para o Estado.
O Sudoeste paranaense foi liberado para plantar em 11 de setembro. Nos municípios mais ao sul, a autorização começa em 20 de setembro. A umidade disponível pode favorecer a emergência da soja, mas chuvas persistentes aumentam o risco de interrupções, compactação, erosão, doenças fúngicas e replantio. O excesso de precipitação também pode atrasar a colheita do trigo e, consequentemente, a entrada da soja nas mesmas áreas.
Rondônia e Amazonas estão autorizados a plantar desde sexta-feira (11), embora ainda não tenham divulgado avanço significativo da semeadura. Em São Paulo, o calendário começou em 1º de setembro na primeira região produtiva, será aberto neste domingo (13) na segunda e chegará à terceira região no dia 16.
Mato Grosso do Sul poderá iniciar o plantio na quarta-feira (16). No mesmo dia, a semeadura será liberada no sul do Pará. O Acre entra no calendário em 21 de setembro, parte de Santa Catarina no dia 22, Goiás no dia 25 e o Rio de Janeiro no dia 29.
Em 30 de setembro, começa a primeira janela do Piauí. Distrito Federal, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Tocantins poderão plantar a partir de 1º de outubro. A mesma data vale para o sul do Maranhão, incluindo Balsas e outros importantes municípios produtores.
No oeste da Bahia, onde estão Barreiras, Luís Eduardo Magalhães, Formosa do Rio Preto e São Desidério, o calendário começa em 8 de outubro. Outras regiões de Bahia, Maranhão, Pará, Piauí, Paraná, Santa Catarina e São Paulo possuem datas próprias, definidas conforme o clima e o histórico da ferrugem-asiática.
Alagoas, Amapá, Ceará e Roraima têm calendários mais tardios, com início da semeadura somente em 2027. Por isso, essas áreas não participam da atual largada da safra nacional.
As datas indicam apenas quando a semeadura é permitida do ponto de vista fitossanitário. Elas não significam que o solo já tenha umidade suficiente nem substituem as orientações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). A decisão de plantar depende das condições de cada propriedade e da previsão de continuidade das chuvas.
No Centro-Oeste, Sudeste e Matopiba, o maior perigo é uma precipitação antecipada estimular a semeadura e ser seguida por vários dias de calor e tempo seco. Além de prejudicar a formação inicial da lavoura, um veranico pode obrigar o produtor a repetir operações e elevar os gastos com sementes, combustível, máquinas e mão de obra.
Caso as chuvas demorem a se regularizar, o problema será transferido para a segunda safra. O atraso na colheita da soja reduz o tempo disponível para o milho e o algodão, enquanto uma interrupção antecipada das chuvas pode atingir essas culturas durante fases de maior necessidade de água.
No Rio Grande do Sul, Santa Catarina e parte do Paraná, o El Niño tende a aumentar a disponibilidade hídrica, mas chuvas frequentes podem produzir o efeito contrário ao desejado. Solo saturado, dificuldade de pulverização, menor luminosidade e aumento da pressão de doenças podem limitar o potencial das lavouras mesmo sem falta de água.
Uma simulação apresentada pelo economista Alexandre Mendonça de Barros, da consultoria EY, calcula que um cenário de estresse climático semelhante ao de 2015 poderia retirar até 12 milhões de toneladas da safra brasileira. O número representa cerca de 6,5% das 186 milhões de toneladas projetadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos para o país.
A estimativa de perda não é uma previsão consolidada, mas uma simulação de risco. O resultado final dependerá da distribuição das chuvas, das temperaturas, da duração dos veranicos e do manejo adotado em cada região. Em uma safra marcada por extremos opostos, o principal desafio não será apenas saber quanto vai chover, mas onde, quando e com que regularidade essa chuva chegará.
Fonte: Pensar Agro
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