AGRONEGÓCIO
Minas Gerais consolida protagonismo no agronegócio e atrai fusão bilionária no setor de fertilizantes
AGRONEGÓCIO
Economia de Minas Gerais ganha força com avanço do agronegócio
O bom desempenho do agronegócio tem impulsionado o desenvolvimento econômico de Minas Gerais e atraído novas indústrias voltadas ao setor. Segundo a Fundação João Pinheiro (FJP), o Produto Interno Bruto (PIB) mineiro alcançou R$ 290,1 bilhões entre julho e setembro de 2025, registrando crescimento real de 1,1% em relação ao trimestre anterior. O destaque foi o setor agropecuário, que avançou 8,8% no período e 11,3% em comparação ao mesmo trimestre de 2024.
Esse cenário positivo vem transformando o estado em um polo estratégico para empresas do agronegócio que buscam expandir operações. Um dos movimentos mais recentes nesse sentido é a fusão entre a Massari Fértil, empresa paulista especializada em fertilizantes naturais, e a Morro Verde, mineradora mineira reconhecida pela produção de fertilizantes fosfatados.
Fusão entre Massari e Morro Verde impulsiona produção e reduz dependência de importações
A fusão marca uma nova fase de expansão da Massari Fértil, que planeja transformar a unidade de Pratápolis (MG) em um centro de produção do seu fertilizante mineral misto, principal produto da companhia.
De acordo com o diretor de operações da Massari, Marcos Gaio, a união das empresas tem como objetivo fortalecer a produção nacional e reduzir a dependência de insumos importados. “Nosso objetivo é trazer para a unidade mineira todo o know-how e tecnologia desenvolvidos pela Massari, potencializando ainda mais a produção da Morro Verde e contribuindo para a autossuficiência do agronegócio brasileiro”, explica.
Com a nova operação, a empresa projeta crescimento de 40% no faturamento e na produção, aproveitando a localização estratégica de Pratápolis. “Minas Gerais é referência na produção de soja, milho, café e cana-de-açúcar — culturas fundamentais para o nosso mercado. A logística da região favorece o atendimento eficiente a esses polos agrícolas”, complementa Gaio.
Investimentos fortalecem operação em Pratápolis
Antes da fusão, a Morro Verde já havia concluído um ciclo de R$ 24 milhões em investimentos destinados à modernização do parque industrial e ampliação da capacidade de produção. Segundo o CEO da empresa, George Kurtinaitis Fernandes, os recursos foram aplicados em novos britadores, moinhos e melhorias estruturais na planta industrial.
Com isso, a capacidade produtiva saltou de 500 mil para 1,5 milhão de toneladas por ano, ampliando a eficiência e o alcance da empresa no mercado de fertilizantes fosfatados. “A expansão permite atender ao crescimento da demanda e reforçar o posicionamento da Morro Verde como referência em qualidade e produtividade”, destaca o executivo.
Novo produto fortalece a cadeia nacional de fósforo
A fusão também resultará no lançamento de um novo fertilizante à base de fosfato natural reativo, extraído da mina da Morro Verde. O produto, rico em fósforo — um dos macronutrientes mais importantes para o desenvolvimento das plantas —, será combinado ao fósforo importado do Peru, criando um composto “semi-brasileiro”, segundo Gaio.
“Com essa união, a Massari se posiciona entre os principais players nacionais de fósforo natural, oferecendo ao mercado uma opção de fertilizante de alta qualidade e origem controlada. Isso contribui para reduzir a necessidade de importação e fortalecer a economia brasileira”, afirma o diretor.
De acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), as importações brasileiras de fertilizantes atingiram 45,5 milhões de toneladas em 2025, o maior volume da série histórica, superando as 44,28 milhões registradas no ano anterior.
Expansão nacional e foco em sustentabilidade
O início das operações em Minas Gerais integra o plano nacional de expansão da Massari Fértil, iniciado em 2022. Segundo o CEO da empresa, Sergio Saurin, o projeto inclui a implantação de novas unidades no Mato Grosso e em Goiás até 2026, reforçando o compromisso da empresa com o desenvolvimento sustentável e a produção de fertilizantes naturais de fonte brasileira.
“Nossa chegada a Minas Gerais consolida um passo importante dentro do plano de crescimento da Massari. Estamos comprometidos em desenvolver tecnologias que aumentem a produtividade agrícola brasileira com qualidade, sustentabilidade e menor dependência de insumos estrangeiros”, afirma Saurin.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia
A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.
O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.
Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.
O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.
Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.
A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.
A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.
Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.
Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.
A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.
Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.
No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.
Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.
A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.
O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.
A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.
O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.
Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.
Fonte: Pensar Agro
-
SEM CATEGORIA7 dias atrásPrefeitura de Rio Branco reforça prevenção às queimadas na APA Raimundo Irineu Serra
-
SEM CATEGORIA7 dias atrásPrefeitura de Rio Branco intensifica recuperação de vias no bairro Bonsucesso com ações do programa Prefeitura nas Ruas
-
FAMOSOS7 dias atrásMarina Ruy Barbosa curte folga e faz topless durante pausa na Toscana
-
SEM CATEGORIA6 dias atrásParque Ambiental Chico Mendes será fechado temporariamente para obras de revitalização
-
ESPORTES6 dias atrásCorinthians volta da paralisação da Copa com goleada sobre o Remo e se aproxima do G5 do Brasileirão
-
POLÍTICA NACIONAL7 dias atrásRetrospectiva: Câmara aprovou propostas de combate à violência contra a mulher
-
FAMOSOS7 dias atrásAry Mirelle diverte seguidores ao mostrar João Gomes em encontro: ‘Prometeu tudo’
-
AGRONEGÓCIO7 dias atrásVazio sanitário vai até 1º de abril, mas é hora de antecipar decisões para a próxima safra