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Mudança no regime de drawback pode reduzir exportações de derivados de cacau e colocar milhares de empregos em risco

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Proposta do governo pode impactar a cadeia do cacau no Brasil

Uma possível alteração no regime de drawback estudada pelo Governo Federal tem gerado preocupação entre os agentes da cadeia produtiva do cacau. A proposta prevê a redução do prazo do mecanismo de até dois anos para apenas seis meses, o que pode comprometer a competitividade da indústria nacional de derivados no mercado internacional.

Segundo estimativas do setor, a mudança pode resultar em perda de até R$ 3,5 bilhões em exportações de derivados de cacau nos próximos cinco anos, além de colocar em risco mais de 5 mil empregos em diferentes etapas da cadeia produtiva.

Dependência de cacau importado pressiona indústria

O debate ocorre em um cenário em que a produção nacional de cacau não é suficiente para abastecer toda a capacidade da indústria brasileira de processamento.

Atualmente, cerca de 22% das amêndoas utilizadas no país são importadas, sendo que 99% dessas operações ocorrem por meio do regime de drawback, mecanismo que permite a suspensão de tributos sobre insumos importados destinados à produção de bens que serão exportados.

Sem esse instrumento, o setor avalia que a indústria nacional perde competitividade frente a outros países produtores e exportadores de derivados de cacau.

Entenda o que é o regime de drawback

O drawback é um mecanismo amplamente utilizado no comércio internacional para estimular exportações industriais. O sistema permite suspender ou eliminar impostos incidentes sobre insumos importados que serão utilizados na fabricação de produtos destinados à exportação.

Essa política evita a cumulatividade de tributos ao longo da cadeia produtiva e contribui para que as empresas brasileiras possam competir em condições semelhantes às de outros países no mercado global.

Redução do prazo pode gerar descompasso com o ciclo da indústria

De acordo com representantes do setor, reduzir o prazo do drawback para apenas seis meses criaria um descompasso entre as exigências fiscais e o funcionamento real da cadeia produtiva.

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O processo de produção de derivados de cacau envolve diferentes etapas, que incluem:

  • Importação das amêndoas
  • Processamento industrial
  • Cumprimento de contratos de exportação firmados com antecedência

Dados do setor indicam que 92% dos contratos internacionais de exportação possuem prazo superior a 180 dias, o que tornaria inviável o cumprimento das regras caso a mudança seja implementada.

Projeções indicam queda na moagem e nas exportações

Levantamento da Associação Nacional da Indústria Processadora de Cacau (AIPC) aponta que, caso a alteração seja confirmada, os impactos podem se intensificar ao longo dos próximos anos.

As projeções indicam que, em um horizonte de cinco anos, o setor pode enfrentar:

  • Redução da moagem entre 10% e 20%
  • Aumento da ociosidade industrial para mais de 35%
  • Perda de exportações entre US$ 400 milhões e US$ 700 milhões, equivalente a até R$ 3,5 bilhões

Além disso, a retração da atividade industrial pode provocar queda na demanda por cacau nacional, com redução estimada entre 40 mil e 80 mil toneladas no consumo interno da amêndoa.

Indústria alerta para risco à competitividade

A presidente-executiva da AIPC, Anna Paula Losi, afirma que mudanças estruturais nos custos da indústria podem gerar efeitos negativos em toda a cadeia produtiva.

Segundo ela, a indústria brasileira possui atualmente capacidade instalada para processar cerca de 275 mil toneladas de cacau por ano, mas em 2025 processou aproximadamente 195 mil toneladas, operando com quase 30% de ociosidade.

De acordo com Losi, alterações regulatórias sem base técnica e sem previsibilidade podem levar empresas a suspender investimentos ou redirecioná-los para outros mercados, como o Equador, que também atua fortemente na produção e exportação de cacau.

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Estudo aponta impacto econômico e perda de empregos

Os possíveis efeitos da mudança também foram analisados no estudo “Cadeia de cacau no Brasil: Avaliação de impacto das medidas de proteção comercial”, elaborado pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG).

A análise econômica indica que a medida pode resultar em:

  • Perda de mais de 5 mil empregos formais e informais
  • Redução da atividade econômica do setor
  • Queda nas exportações de derivados de cacau
  • Pressão inflacionária devido ao aumento dos custos da matéria-prima

Segundo o economista-chefe da FIEMG, João Gabriel Pio, os resultados apontam que o efeito geral da medida tende a ser negativo para a economia brasileira, uma vez que eleva custos e reduz a competitividade da indústria.

Setor defende soluções estruturais para apoiar produtores

Para a AIPC, a recente queda nos preços do cacau exige políticas mais estruturais e construídas com diálogo entre governo, produtores e indústria.

A entidade defende alternativas como:

  • Políticas de preço mínimo para o produtor
  • Programas de estocagem da produção
  • Linhas de crédito direcionadas ao setor
  • Ampliação do acesso a mercados internacionais para o cacau brasileiro

Segundo a associação, a indústria processadora pode desempenhar papel estratégico no fortalecimento da cadeia produtiva, desde que as decisões sejam baseadas em dados técnicos e diálogo institucional.

Moagem, importações e exportações de cacau no Brasil
  • Moagem de cacau (toneladas)
    • 2021: 274.168
    • 2022: 226.015
    • 2023: 253.507
    • 2024: 229.334
    • 2025: 195.882
  • Importações de amêndoas (toneladas)
    • 2021: 59.768
    • 2022: 11.011
    • 2023: 43.106
    • 2024: 25.500
    • 2025: 42.143
  • Exportações de derivados (toneladas)
    • 2021: 54.755
    • 2022: 47.915
    • 2023: 47.335
    • 2024: 50.257
    • 2025: 52.951

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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