AGRONEGÓCIO
Mulheres fortalecem a floricultura brasileira e lideram protagonismo no agronegócio
AGRONEGÓCIO
Floricultura: um setor liderado por mulheres
No Dia Internacional da Mulher, falar de floricultura vai além de presentear com flores: significa reconhecer a participação feminina em um setor que emprega, valoriza e transforma a vida de mulheres em todo o Brasil. Estudos realizados pelo Cepea/Esalq-USP em parceria com o Ibraflor indicam que mais da metade da força de trabalho da floricultura nacional é composta por mulheres, presentes em todos os elos da cadeia – produção, distribuição e vendas.
O Dia da Mulher representa cerca de 8% das vendas anuais do setor, com expectativa de crescimento de 5 a 6% em relação a 2025. Segundo Raquel Steltenpool, produtora de flores e diretora de mercado do Ibraflor, “o setor permite que muitas mulheres conquistem autonomia financeira, fortaleçam a permanência das famílias no campo e assumam papéis estratégicos dentro e fora da porteira”.
Liderança feminina no cooperativismo
Na Cooperativa Veiling Holambra (CVH), em Santo Antônio da Posse (SP), mulheres desempenham papel estratégico no fortalecimento do cooperativismo no setor de flores e plantas ornamentais. Desde a criação do Comitê de Mulheres, em março de 2021, cerca de 140 cooperadas participam de encontros, capacitações e eventos nacionais, promovendo desenvolvimento pessoal e profissional e incentivando a ocupação de espaços estratégicos na cooperativa.
“Mais do que um espaço de troca, o Comitê constrói bases sólidas para a ocupação natural de posições estratégicas pelas mulheres, contribuindo para o crescimento sustentável da cooperativa e do setor”, afirma Raíssa Swalmen, coordenadora do Comitê de Mulheres.
Protagonismo feminino na gestão das cooperativas
Na Cooperflora, cerca de 45% dos cooperados são mulheres ou contam com mulheres à frente da gestão das propriedades. Além disso, quase 50% do quadro de colaboradores da sede são mulheres, muitas delas ocupando posições estratégicas. Exemplos de liderança incluem Mariela Grisotto, que conduz uma equipe majoritariamente feminina, e Dorian Reijers, sócia fundadora da cooperativa, referência histórica na participação feminina no setor.
Empreendedorismo feminino na produção de rosas no Ceará
No Ceará, Lucivanda Fernandes Siqueira, produtora de rosas em Ubajara, venceu o 1º lugar na categoria “Pequena Propriedade” do 8º Prêmio Mulheres do Agro 2025. Sua Fazenda Santo Expedito alia produção sustentável, turismo rural e economia criativa, com ênfase na geração de emprego e impacto social.
A propriedade conta com 12 hectares de estufas, tanques de armazenamento, sistema de captação de água da chuva e reaproveitamento de pétalas em compostagem ou experiências sensoriais. Além disso, a fazenda oferece passeio turístico imersivo, marca própria de cosméticos e aromaterapia (Aromas da Fazenda) e restaurante com produtos regionais, totalizando cerca de 178 colaboradores entre a fazenda e unidades urbanas.
Inovação e melhoramento genético em plantas ornamentais
A trajetória de Tereza Alves Cordeiro de Campos, fundadora da Estância Vitória, em Urupá (RO), é marcada por inovação e empreendedorismo. Com 40.000 m² de estufas, a estância produz espécies tropicais como Caladium, Aglaonema, Syngonium, Euphorbia e Dracena, além de desenvolver novas variedades por meio de melhoramento genético autoral, sem uso de laboratórios externos.
Seu mais recente desenvolvimento é o Caladium Lança, resistente ao frio, compacto e ideal para cultivo em vasos, com lançamento previsto para setembro. A estância fornece mudas para produtores de diferentes regiões e comercializa produtos diretamente em pontos de venda como o Ceaflor (Jaguariúna, SP).
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia
A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.
O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.
Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.
O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.
Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.
A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.
A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.
Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.
Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.
A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.
Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.
No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.
Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.
A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.
O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.
A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.
O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.
Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.
Fonte: Pensar Agro
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