AGRONEGÓCIO
Multiplica leva R$ 200 milhões em crédito estruturado para o agronegócio mineiro
AGRONEGÓCIO
A Multiplica Crédito & Investimentos aposta em soluções financeiras fora dos centros tradicionais, com foco no Triângulo Mineiro. A empresa planeja atingir R$ 200 milhões em ativos sob gestão local até o fim de 2025, oferecendo crédito estruturado para o agronegócio, indústria e comércio exterior.
Expansão no Triângulo Mineiro
Com R$ 16,2 bilhões sob administração, a Multiplica lançou em janeiro de 2024 uma plataforma de atuação no Triângulo Mineiro, região estratégica para o agronegócio brasileiro. Nos primeiros meses, foram originados R$ 300 milhões em operações, com uma carteira ativa de R$ 100 milhões.
A região foi escolhida devido à força de setores que enfrentam dificuldades com o crédito tradicional, como usinas, frigoríficos, agropecuárias e tradings.
Crédito estruturado adaptado ao ciclo produtivo
As operações da Multiplica utilizam instrumentos como recebíveis, ativos reais, FIDCs e CRAs, sempre calibrados à geração de caixa de cada negócio. Prazos, valores e garantias são ajustados ao ciclo produtivo, criando soluções mais flexíveis que as linhas bancárias convencionais.
“Trabalhamos com fluxo estruturado de pagamentos e produtos ajustados ao risco dos setores estratégicos locais, sempre com lastro produtivo e análise criteriosa das garantias”, afirma Rafael Dallaqua, superintendente executivo comercial da Multiplica.
Estratégia de expansão regional
O sucesso no Triângulo Mineiro abre caminho para novas frentes em Minas Gerais. A partir de 2026, a companhia pretende atuar em Belo Horizonte, voltada a indústrias e serviços, e no Norte de Minas, próximo à divisa com a Bahia, considerada nova fronteira agrícola.
Essa estratégia acompanha a expansão do crédito estruturado em outros polos, como o Centro-Oeste e Matopiba, onde a Multiplica inaugurou escritório em Goiânia em 2023, que hoje responde por 30% do volume de operações comerciais da empresa.
Vantagens do crédito estruturado
O crédito estruturado oferece soluções alinhadas ao perfil de cada setor, reduzindo burocracia e permitindo operações como antecipação de contratos e securitização de recebíveis agrícolas, adaptadas ao ciclo de safra.
“Ao atuar com análise individualizada, conseguimos entregar soluções mais alinhadas à realidade operacional das companhias”, reforça Dallaqua.
Combinação de escala nacional e presença local
O modelo da Multiplica combina robustez nacional para estruturar operações complexas com conhecimento local para atender às demandas regionais. Minas Gerais se torna, assim, um campo de prova para demonstrar que o crédito estruturado pode prosperar além dos centros financeiros tradicionais, como a Faria Lima em São Paulo.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Cerrado Mineiro tem um dos melhores rendimentos dos últimos anos
A colheita do café arábica chegou a 99% nas propriedades acompanhadas pela Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer), no Cerrado Mineiro. Além do avanço dos trabalhos, o beneficiamento apresenta rendimento médio de 455 litros de café colhido para a formação de uma saca de 60 quilos, um dos melhores resultados registrados nos últimos anos.
O levantamento considera a situação das lavouras até 11 de setembro. Aproximadamente 90% da produção já passou pelo beneficiamento, etapa em que são retiradas a casca, a palha e as impurezas para obtenção dos grãos que serão classificados e comercializados.
O resultado de 455 litros por saca indica uma relação favorável entre o volume retirado da lavoura e a quantidade de café beneficiado. Quanto menor o volume de frutos necessário para formar uma saca de 60 quilos, melhor tende a ser o aproveitamento industrial da produção.
Esse rendimento ajuda a compensar parte dos custos da colheita, da secagem e do beneficiamento. Para o produtor, significa obter mais sacas comerciais a partir do mesmo volume colhido, embora o resultado financeiro também dependa da qualidade da bebida, da classificação dos grãos e dos preços negociados.
O Cerrado Mineiro reúne cerca de 4,5 mil produtores em 55 municípios e possui aproximadamente 255 mil hectares cultivados. A região produz, em média, 6 milhões de sacas por ano, equivalentes a 12,7% da produção brasileira, e comercializa café com mais de 30 países.
A cafeicultura regional também se diferencia pela Denominação de Origem Cerrado Mineiro, a primeira reconhecida para cafés no Brasil. O selo identifica produtos cultivados dentro da área delimitada e que atendem aos critérios de origem, rastreabilidade e qualidade.
A etapa final da colheita está concentrada principalmente no recolhimento dos frutos que caíram no chão. A Expocacer estima que esse café represente cerca de 30% do volume da safra. Aproximadamente 80% dessa parcela já foi recuperada.
O índice médio de catação, que representa a retirada de grãos defeituosos durante o beneficiamento, está próximo de 21%. O percentual foi influenciado justamente pela maior participação do café recolhido do chão, normalmente mais sujeito à umidade, fermentação e contato com impurezas.
As chuvas registradas entre os dias 5 e 9 de setembro impediram o encerramento completo da colheita. A umidade elevada do solo dificultou o tráfego das máquinas e interrompeu temporariamente o recolhimento em algumas propriedades. Como a maioria das áreas já concluiu o trabalho, o avanço do percentual restante ocorre de forma mais lenta.
As precipitações, por outro lado, estimularam a abertura das primeiras flores da próxima safra. A florada observada corresponde, em média, a 33% do potencial estimado para as lavouras acompanhadas pela cooperativa.
Nas áreas que produziram menos nesta temporada, a abertura das flores foi mais intensa e uniforme. Nas lavouras que sustentaram cargas elevadas, a florada apresentou menor intensidade, comportamento relacionado ao esforço realizado pelas plantas durante a formação da safra atual.
A continuidade das chuvas poderá favorecer uma segunda florada de proporção semelhante. O restante do potencial deve se distribuir entre outubro e novembro, conforme a disponibilidade de umidade e as condições de temperatura.
A abertura das flores é uma sinalização positiva, mas ainda não garante o tamanho da próxima produção. Para que se transformem em frutos, as lavouras precisarão de umidade suficiente durante o pegamento, a formação dos chumbinhos e o início da granação.
Com a safra atual praticamente recolhida, rendimento de beneficiamento favorável e as primeiras flores abertas, o Cerrado Mineiro encerra um ciclo e inicia outro. O acompanhamento das chuvas e o manejo nutricional e fitossanitário das lavouras serão decisivos para transformar o potencial observado agora em produção na próxima colheita.
Fonte: Pensar Agro
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