AGRONEGÓCIO
Paraná lidera produção de erva-mate e registra crescimento superior a outros estados do Sul
AGRONEGÓCIO
O Paraná consolidou-se como maior produtor de erva-mate do Brasil, com produção em crescimento robusto, superando Rio Grande do Sul e Santa Catarina, estados onde a cultura também possui relevância econômica e cultural.
Segundo dados do IBGE, os municípios paranaenses de Cruz Machado (88 mil toneladas) e São Mateus do Sul (63 mil toneladas) são os maiores produtores. No total, dez municípios do estado respondem por 47% da produção nacional, reforçando a importância econômica da erva-mate para geração de renda e empregos.
A taxa de crescimento da produção paranaense entre 2023 e 2024 foi de 5,2%, superior à do Rio Grande do Sul (4,6%) e Santa Catarina (2,5%). A extração da erva-mate, concentrada na Região Sul, gerou R$ 522,8 milhões em valor bruto de produção (VBP) em 2024, representando o segundo maior VBP entre produtos não madeireiros.
O tema foi abordado no Boletim Conjuntural da Agropecuária, produzido pelo Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e do Abastecimento (Seab), divulgado nesta quinta-feira (16/10).
Crescimento da suinocultura no Paraná
O boletim também destacou a expansão da suinocultura no estado. No primeiro semestre de 2025, a produção de carne suína alcançou 612,4 mil toneladas, das quais:
- 85% processados em frigoríficos com inspeção federal (SIF)
- 14,3% em estabelecimentos com inspeção estadual (SIP)
- 0,7% em abatedouros municipais (SIM)
Em relação ao mesmo período do ano passado, o Paraná apresentou 12,2% de crescimento absoluto na produção em SIF, atendendo à demanda interna e externa e reforçando o papel dos grandes frigoríficos estaduais na oferta de carne suína.
Produção de codornas e ovos em destaque
O estado também se destaca na produção de codornas domésticas, ocupando a oitava posição nacional com 510.643 aves. Em 2024, o Paraná respondeu por 3,8% do volume nacional de ovos de codorna, totalizando 9,8 milhões de dúzias e VBP de R$ 17,14 milhões, com Apucarana como principal município produtor.
Os ovos de codorna são comercializados tanto “in natura” quanto beneficiados, aumentando o valor agregado e incentivando o crescimento do setor. A carne e os ovos de codorna, reconhecidos pelo alto valor nutricional, contribuíram para o desenvolvimento dessa atividade nos últimos anos.
Olericultura gera trabalho e renda
A olericultura, presente em todos os municípios paranaenses, gerou R$ 7,2 bilhões em VBP, equivalentes a 3,8% da agropecuária estadual. Entre os principais produtos estão batata, tomate e mandioca.
A região de Curitiba concentra 33,3% da produção, seguida por Guarapuava, Ponta Grossa, Apucarana e Jacarezinho, com São José dos Pinhais liderando na produção.
Por exigir mão de obra intensiva, a olericultura tem grande impacto na geração de emprego e renda nas comunidades locais.
Queda nos preços da tilápia e do leite
Segundo o Deral, o preço da tilápia apresentou redução de 4,1% em setembro de 2025, em comparação com o mesmo mês do ano passado, com o quilo do filé atingindo R$ 52,47 no varejo.
O leite também sofreu queda, com o litro comercializado a R$ 2,66, valor 3,5% menor que em setembro de 2024.
Plantio de soja avança com benefícios das chuvas
As chuvas recentes no Paraná beneficiaram as lavouras já plantadas de soja, embora tenham reduzido o ritmo do trabalho no campo. Até a última semana, o plantio da safra 2025/2026 avançou para 39% da área estimada em 5,77 milhões de hectares.
O preço médio da saca de 60 kg fechou a semana em R$ 118, apresentando queda de 9% em relação a outubro de 2024, quando estava em R$ 129,19.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Safra de cana 2025/26 no Centro-Sul fecha com 611 milhões de toneladas e setor inicia novo ciclo priorizando etanol
A safra 2025/2026 de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil foi encerrada com moagem de 611,15 milhões de toneladas, segundo levantamento da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA). O volume representa uma redução de 10,78 milhões de toneladas frente ao ciclo anterior, impactado principalmente pelas condições climáticas adversas ao longo do desenvolvimento da lavoura.
Apesar da retração, o ciclo se consolida como a quarta maior moagem da história da região, além de registrar a segunda maior produção de açúcar e etanol.
Moagem e produtividade: clima reduz desempenho agrícola
A produtividade média agrícola ficou em 74,4 toneladas por hectare, queda de 4,1% em relação à safra anterior, conforme dados do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC).
O desempenho foi desigual entre os estados:
- Quedas: São Paulo (-4,3%), Goiás (-9,4%) e Minas Gerais (-15,9%)
- Altas: Mato Grosso (+3,2%), Mato Grosso do Sul (+6,0%) e Paraná (+15,5%)
A qualidade da matéria-prima também recuou. O ATR (Açúcares Totais Recuperáveis) ficou em 137,79 kg por tonelada, redução de 2,34% na comparação anual.
Segundo a UNICA, a menor moagem já era esperada diante das condições climáticas observadas durante o ciclo.
Produção de açúcar e etanol: estabilidade e leve recuo
A produção de açúcar totalizou 40,43 milhões de toneladas, praticamente estável frente às 40,18 milhões do ciclo anterior, mas abaixo do recorde histórico de 42,42 milhões registrado em 2023/2024.
Já a produção total de etanol somou 33,72 bilhões de litros, recuo de 3,56% na comparação anual.
O detalhamento mostra movimentos distintos:
- Etanol hidratado: 20,83 bilhões de litros (-7,82%)
- Etanol anidro: 12,89 bilhões de litros (+4,22%), segunda maior marca da série histórica
O etanol de milho ganhou ainda mais relevância, com produção de 9,19 bilhões de litros (+12,26%), representando 27,28% do total produzido no Centro-Sul.
Vendas de etanol: mercado interno segue dominante
No mês de março, as vendas de etanol totalizaram 2,79 bilhões de litros, com forte predominância do mercado doméstico.
- Mercado interno: 2,75 bilhões de litros (-0,06%)
- Exportações: 45,11 milhões de litros (-71,22%)
No consumo interno:
- Etanol hidratado: 1,66 bilhão de litros (+20,25% ante fevereiro)
- Etanol anidro: 1,09 bilhão de litros (+4,80%)
- No acumulado da safra:
- Hidratado: 20,34 bilhões de litros
- Anidro: 13,04 bilhões de litros (+7,08%)
O avanço do anidro foi impulsionado, entre outros fatores, pela implementação da mistura E30 (30% de etanol na gasolina) a partir de agosto de 2025.
Além do impacto econômico — estimado em R$ 4 bilhões de economia para proprietários de veículos flex — o consumo de etanol evitou a emissão de 50 milhões de toneladas de gases de efeito estufa, recorde histórico do setor.
Nova safra 2026/27 começa com moagem mais forte
A safra 2026/2027 já começou com ritmo acelerado. Na primeira quinzena de abril de 2026, a moagem atingiu 19,56 milhões de toneladas, crescimento de 19,67% frente ao mesmo período do ciclo anterior.
Ao todo, 195 unidades estavam em operação:
- 177 com moagem de cana
- 10 dedicadas ao etanol de milho
- 8 usinas flex
A qualidade da matéria-prima permaneceu estável, com ATR de 103,36 kg por tonelada.
Novo ciclo prioriza etanol e reduz produção de açúcar
O início da nova safra mostra uma mudança clara de estratégia industrial. Apenas 32,93% da cana foi destinada à produção de açúcar na primeira quinzena, enquanto mais de dois terços foram direcionados ao etanol.
- Como consequência:
- Produção de açúcar: 647,21 mil toneladas (-11,94%)
- Produção de etanol: 1,23 bilhão de litros (+33,32%)
- Desse total:
- Hidratado: 879,87 milhões de litros (+18,54%)
- Anidro: 350,20 milhões de litros
- Etanol de milho: 411,94 milhões de litros (+15,06%), com participação de 33,49%
O movimento reflete um cenário de mercado mais favorável ao biocombustível neste início de ciclo.
Vendas na nova safra e expectativa de alta no consumo
Na primeira quinzena da safra 2026/2027, as vendas totalizaram 1,28 bilhão de litros:
- Hidratado: 820,15 milhões de litros
- Anidro: 460,87 milhões de litros
No mercado interno, foram comercializados 1,25 bilhão de litros, enquanto as exportações somaram 28,88 milhões de litros (+18,03%).
A expectativa é de aceleração nas vendas nas próximas semanas, à medida que a queda de preços nas usinas seja repassada ao consumidor final, aumentando a competitividade do etanol frente à gasolina.
CBios: setor já avança no cumprimento das metas do RenovaBio
Dados da B3 até 29 de abril indicam a emissão de 14 milhões de Créditos de Descarbonização (CBios) em 2026.
O volume disponível para negociação já soma 25,13 milhões de créditos. Considerando os CBios emitidos e os já aposentados, o setor já disponibilizou cerca de 60% do total necessário para o cumprimento das metas do RenovaBio neste ano.
Análise: etanol ganha protagonismo em meio a incertezas globais
O início da safra 2026/2027 confirma uma tendência estratégica: maior direcionamento da cana para a produção de etanol, impulsionado por fatores como:
- demanda doméstica consistente
- políticas de descarbonização
- maior previsibilidade no mercado interno
- cenário internacional de incertezas energéticas
Com isso, o setor sucroenergético reforça seu papel na matriz energética brasileira, ao mesmo tempo em que ajusta sua produção às condições de mercado, buscando maior rentabilidade e segurança comercial.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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