AGRONEGÓCIO
Paraná registra crescimento de 24% no setor florestal e mantém segunda posição nacional
AGRONEGÓCIO
O Paraná reafirma sua importância no cenário florestal brasileiro ao registrar um Valor Bruto da Produção Silvicultural (VBPS) de R$ 6,34 bilhões em 2024, crescimento de 24% em relação ao ano anterior. Com 5,5% do território ocupado por florestas plantadas, o estado se mantém como segunda maior economia silvicultural do país, atrás apenas de Minas Gerais.
Segundo Ailson Loper, diretor executivo da APRE Florestas, o resultado é fruto da integração produtiva e do manejo sustentável, consolidando o Paraná como referência nacional no setor.
Eficiência e sustentabilidade impulsionam o setor
O estado possui 1,17 milhão de hectares de florestas plantadas, divididos entre 713 mil hectares de pinus e 442 mil de eucalipto. As empresas associadas à APRE, responsáveis por quase 50% dessas áreas, mantêm práticas de sustentabilidade rigorosas:
- 1 hectare de floresta nativa para cada hectare plantado;
- 79% das áreas certificadas, garantindo acesso a mercados exigentes;
- Produtividade 11% acima da média nacional para pinus e 27% para eucalipto.
O setor florestal gera mais de 100 mil empregos no estado, movimentando economias locais, especialmente em municípios do interior, onde é muitas vezes o principal empregador.
Cadeia integrada gera valor e inovação
O desempenho paranaense se destaca pela integração das cadeias produtivas de pinus e eucalipto, abastecendo madeira serrada, celulose, painéis, portas e molduras. Essa integração garante maior valor agregado e geração de renda em todas as etapas, mantendo a competitividade mesmo diante de desafios logísticos e regulatórios.
“O diferencial do Paraná está na capacidade de transformar a produção florestal em uma cadeia produtiva eficiente e sustentável”, afirma Loper.
Expedição Silvicultura: levantamento nacional do setor
O evento Expedição Silvicultura, realizado em 27 de outubro na Embrapa Florestas, em Colombo (PR), apresentou dados atualizados sobre a atividade florestal no estado. A iniciativa, promovida pela Canopy em parceria com a Embrapa Florestas e associações estaduais, percorre 14 estados e mais de 40 mil km, coletando informações sobre:
- Estoque de madeira;
- Produtividade;
- Sanidade e manejo das florestas;
- Percepção dos produtores.
“O Paraná se destaca não apenas pelo volume de produção, mas também pela qualidade técnica e ambiental dos plantios, sendo referência para o setor florestal brasileiro”, comenta Fábio Gonçalves, CEO da Canopy.
A coleta de dados utiliza tecnologias avançadas, como inventário digital e imagens de satélite, e permitirá um planejamento mais assertivo e estratégico para a silvicultura nacional. O relatório final da expedição será divulgado em dezembro de 2025.
Paraná como modelo de desenvolvimento florestal sustentável
Com participação de especialistas, empresários, produtores e órgãos públicos, a Expedição Silvicultura reforça a relevância do Paraná no setor, demonstrando que tecnologia, sustentabilidade e integração são os pilares que mantêm o estado na segunda posição nacional e projetam crescimento contínuo para os próximos anos.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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