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Parceria amplia rastreabilidade na pecuária e monitora 44 milhões de hectares no Brasil

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A crescente demanda internacional por cadeias produtivas mais transparentes tem impulsionado a rastreabilidade socioambiental como um dos principais pilares da pecuária brasileira. Nesse contexto, a Serasa Experian e a MBRF estabeleceram uma parceria estratégica que já permite o monitoramento de 44 milhões de hectares em todo o país, assegurando conformidade ambiental nas operações rastreadas.

Monitoramento em larga escala reforça controle socioambiental

A área monitorada equivale a mais de 60 milhões de campos de futebol e quase o dobro do território do estado de São Paulo, evidenciando a dimensão do desafio operacional e tecnológico.

Atualmente, o sistema acompanha 69.928 propriedades rurais, incluindo 35.082 fornecedores diretos e indiretos da cadeia pecuária. O monitoramento contínuo garante que os animais adquiridos sejam provenientes de áreas em conformidade, sem registros de desmatamento ilegal, sobreposição com terras indígenas ou embargo por práticas ilegais.

Plataforma integra dados públicos e imagens de satélite

A solução foi desenvolvida sob medida pela Serasa Experian e combina diferentes fontes de dados, como bases públicas, informações territoriais e imagens de satélite.

Entre os sistemas utilizados estão o PRODES e o DETER, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, responsáveis por identificar desmatamento consolidado e emitir alertas quase em tempo real sobre alterações na vegetação.

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Validação técnica reduz falhas e garante confiabilidade

Apesar do uso de tecnologia avançada, fatores como nuvens, fumaça e limitações de resolução podem gerar inconsistências nos alertas, conhecidos como “falsos positivos”.

Para evitar distorções, o sistema conta com validação humana especializada. A equipe técnica da Serasa Experian analisa cada ocorrência suspeita, assegurando precisão nas decisões de compliance e garantindo evidências auditáveis para auditorias e clientes.

Regularização permite reinclusão de produtores na cadeia

Além do monitoramento, a iniciativa também contribui para a inclusão produtiva. Ao identificar inconsistências socioambientais, o sistema estimula a regularização das propriedades.

Até o momento, cerca de 4.300 produtores foram adequados aos critérios exigidos e reintegrados à cadeia de fornecimento, fortalecendo a transparência e a sustentabilidade do setor.

Histórico reforça credibilidade do modelo

O modelo adotado pelas empresas já acumula 13 anos consecutivos com 100% de aprovação em auditorias socioambientais, demonstrando a robustez e a confiabilidade do sistema implementado.

Preparação para exigências internacionais, como a EUDR

A iniciativa também posiciona a cadeia pecuária brasileira de forma estratégica diante de regulamentações internacionais mais rigorosas, como o Regulamento Europeu Antidesmatamento, que exige rastreabilidade completa para exportações ao mercado europeu.

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Tecnologia e dados fortalecem competitividade do agro

O uso integrado de tecnologia, dados geoespaciais e validação técnica especializada mostra que é possível transformar desafios ambientais em vantagem competitiva.

A experiência reforça a reputação do agronegócio brasileiro no cenário global e amplia o acesso a mercados cada vez mais exigentes em termos de sustentabilidade e transparência.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Seguro rural mais forte pode evitar nova crise bilionária de dívidas no campo

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Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) articula mudanças na Medida Provisória 1.376/2026 e a aprovação de um novo marco para o seguro rural como parte de uma estratégia para enfrentar a crise de endividamento no campo. A bancada avalia que a renegociação é necessária, mas precisa ser acompanhada de mecanismos capazes de proteger o produtor contra novas perdas climáticas e impedir a repetição do problema nos próximos anos.

O debate ganhou força após estudo do Centro de Estudos em Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) mostrar que o impacto fiscal anual da renegociação, estimado pelo governo em até R$ 3,6 bilhões, permitiria proteger R$ 112,6 bilhões em produção caso o mesmo valor fosse aplicado no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

A comparação não significa que o seguro possa substituir a renegociação. A conclusão dos pesquisadores é que a medida emergencial deve funcionar como uma ponte para uma política permanente de gestão de riscos. Sem essa mudança, o produtor pode voltar ao crédito com a mesma exposição às perdas climáticas e enfrentar novas dificuldades no próximo choque.

A FPA tem maioria entre os integrantes da comissão mista instalada pelo Congresso para analisar a MP. Dos 26 titulares, 14 pertencem à bancada. Integrantes da frente também apresentaram 126 das 144 emendas protocoladas, demonstrando a intenção de ampliar o alcance e corrigir limitações da medida.

A MP foi construída em uma negociação entre a FPA, o Ministério da Fazenda e a presidência da Câmara. O acordo prevê linhas para liquidação ou amortização de operações de crédito rural e Cédulas de Produto Rural (CPRs), além da participação da União em um fundo garantidor.

A expectativa inicial era de que aproximadamente R$ 100 bilhões pudessem ser renegociados. A portaria de equalização de juros publicada pelo governo, porém, autorizou R$ 25,8 bilhões, equivalentes a apenas 13% dos R$ 197,2 bilhões classificados pelo Banco Central como carteira problemática do setor. O cálculo não inclui dívidas privadas representadas por CPRs emitidas para fornecedores e empresas de comercialização.

Isan Rezende

INDISPENSÁVEL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende, a renegociação é indispensável para preservar produtores que sofreram perdas sucessivas, mas não pode ser tratada como solução definitiva. “O produtor não está pedindo perdão da dívida. Ele precisa de prazo, juros compatíveis e condições para continuar produzindo. Sem esse fôlego imediato, perde capacidade de financiar a safra, reduz investimentos e coloca em risco a própria continuidade da atividade”.

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Segundo Rezende, a crise atual evidencia a fragilidade da política brasileira de proteção da produção. “Se renegociarmos o passivo e devolvermos o produtor ao campo sem seguro adequado, o próximo evento climático poderá criar exatamente o mesmo problema. A renegociação resolve a urgência; o seguro, a assistência técnica e uma política consistente de gestão de risco diminuem a possibilidade de uma nova crise”.

Rezende defende que os recursos para o seguro rural tenham estabilidade e não sejam submetidos a cortes no decorrer do ano. “Não existe seguro eficiente sem previsibilidade orçamentária. Produtores, seguradoras e resseguradoras precisam saber quanto estará disponível e quando a subvenção será liberada. Proteger a lavoura custa menos ao País do que socorrer repetidamente o produtor depois que a perda já ocorreu”.

O exercício realizado pela FGV Agro mostra o tamanho da diferença. Com base no desempenho do PSR em 2025, uma dotação de R$ 3,6 bilhões permitiria proteger 20,47 milhões de hectares, contratar cerca de 398 mil apólices e gerar R$ 10,16 bilhões em prêmios de seguro.

No ano passado, o programa alcançou somente 3,3 milhões de hectares e pouco mais de R$ 18,1 bilhões em importância segurada. A subvenção federal ficou em R$ 581,1 milhões. Em 2021, quando atingiu seu maior alcance, o PSR protegeu 14,23 milhões de hectares.

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Os pesquisadores ressalvam que a expansão não ocorreria automaticamente. Seria necessário ampliar a capacidade de seguradoras e resseguradoras, garantir recursos no Orçamento e estimular a contratação pelos produtores. O custo fiscal da renegociação também pode variar ao longo do tempo, conforme o pagamento das parcelas.

Apesar dessas limitações, o estudo sustenta que políticas de valores semelhantes produzem resultados diferentes. A renegociação age depois da perda, reduzindo o peso do passivo. O seguro atua antes do choque e evita que parte do prejuízo se transforme em inadimplência, recuperação judicial, perda de garantias ou pressão por novo socorro público.

Além das mudanças na MP, a FPA trata como prioridade o Projeto de Lei 2.951/2024, que moderniza o seguro rural. A proposta impede o bloqueio dos recursos destinados à subvenção, oferece estímulos para produtores segurados e reformula o Fundo de Estabilidade do Seguro Rural, que passaria a funcionar como Fundo de Catástrofe.

Para a bancada, a saída da crise depende das duas frentes. A renegociação precisa chegar rapidamente aos produtores que perderam capacidade de pagamento, enquanto o fortalecimento do seguro deve reduzir a exposição das próximas safras. O objetivo é evitar que o País apenas adie o passivo atual e tenha de discutir, em poucos anos, uma nova renegociação das mesmas dívidas.

Fonte: Pensar Agro

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