AGRONEGÓCIO
Pastagens no Rio Grande do Sul mantêm pastejo, mas risco de restrição hídrica preocupa produtores
AGRONEGÓCIO
Situação das pastagens varia conforme região do RS
O Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, divulgado em 5 de fevereiro, aponta que o desenvolvimento das pastagens no Rio Grande do Sul apresenta variação entre localidades devido à irregularidade das chuvas, restrição hídrica e temperaturas elevadas registradas na segunda quinzena de janeiro.
Nos campos nativos, os impactos foram mais leves, permitindo a manutenção do pastejo, mas há alerta para agravamento da situação caso não ocorram chuvas significativas nas próximas semanas.
Bagé e São Gabriel: pastagens toleram calor e seca
Na região de Bagé e São Gabriel, a Emater/RS-Ascar observa que áreas com tifton, braquiárias, capim-elefante e panicuns mantêm boa oferta de forragem, mesmo diante da falta de chuvas regulares.
Também foram registradas condições favoráveis para pastagens de milheto e capim-sudão. Produtores já se preparam para as semeaduras de aveia e azevém previstas para março.
Frederico Westphalen e Caxias do Sul: pastejo segue possível, mas há limitações
Em Frederico Westphalen, o desenvolvimento das pastagens tem permitido a realização de pastejos normalmente.
Já em Caxias do Sul, as altas temperaturas e o tempo seco limitam a brotação e o crescimento das plantas, embora a quantidade e a qualidade da forragem ainda possibilitem o pastejo, especialmente em espécies perenes, campos nativos e áreas melhoradas.
Ijuí e Passo Fundo: cortes para fenação mantêm qualidade da forragem
Produtores em Ijuí realizaram cortes de pastagens para fenação, com resultado de boa qualidade.
Em Passo Fundo, tanto os campos nativos quanto pastagens cultivadas mantêm a capacidade de pastejo, mas a irregularidade das chuvas preocupa quanto à continuidade do crescimento das forragens, situação semelhante à observada em Erechim, onde também houve cortes para fenação de verão.
Pelotas e Soledade: chuvas favorecem oferta, mas há pontos críticos
Nas regiões de Pelotas e Soledade, a qualidade e a disponibilidade de forragem são favoráveis em locais com ocorrência de chuvas e volumes acumulados.
Entretanto, em áreas sem precipitação, os níveis críticos de umidade do solo afetam a rebrota e a qualidade das forragens, exigindo ajustes de lotação dos rebanhos.
Porto Alegre, Santa Rosa e Santa Maria: diferenças no crescimento das pastagens
Em Porto Alegre e Santa Rosa, os campos nativos e pastagens anuais de verão apresentam ampla oferta de forragem, beneficiados por temperaturas elevadas e umidade adequada do solo.
Na região de Santa Maria, a taxa de crescimento das pastagens diminuiu em diversas localidades devido à irregularidade e baixos volumes de chuva, impactando o desenvolvimento das plantas.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja
A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.
A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.
O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui
Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.
A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.
Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br
Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.
O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.
Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.
Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.
Isan Rezende
Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.
O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.
“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.
“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.
Fonte: Pensar Agro
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