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Perspectivas do Agronegócio em 2026: Cepea destaca tendências para açúcar, soja, café e outras commodities

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Panorama geral do agronegócio em 2026

O Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) divulgou as Agromensais de janeiro de 2026, com projeções para os principais setores do agronegócio brasileiro. O relatório aponta que o ano será marcado por recuperação em algumas culturas, ajuste de oferta e demanda em outras e movimento de cautela em setores sensíveis ao cenário internacional.

Açúcar: oferta global mais folgada e moagem em alta no Brasil

O mercado mundial de açúcar deve registrar melhor equilíbrio entre oferta e demanda na safra 2026/27. No Brasil, maior produtor e exportador global, a moagem de cana tende a crescer no Centro-Sul, impulsionada por chuvas mais regulares no fim de 2025 e pela expansão moderada das lavouras.

A produção pode superar 620 milhões de toneladas de cana, o que amplia o potencial de oferta do adoçante, embora o resultado final dependa do comportamento climático nos próximos meses.

Algodão: Brasil mantém protagonismo nas exportações

Mesmo com uma demanda global mais moderada, o Brasil deve continuar entre os líderes mundiais na produção e exportação de algodão em 2025/26.

Embora a produção nacional possa registrar ligeira redução em relação ao recorde anterior, as exportações seguem firmes. Segundo a Conab, a retração na área do Centro-Sul pode ser compensada pelo avanço do cultivo no Norte e Nordeste.

Arroz: retração na produção nacional e mundial

A produção de arroz tende a diminuir no Brasil e no exterior em 2025/26, reflexo dos preços baixos e das margens apertadas em 2025.

A falta de acionamento efetivo da política de preços mínimos e restrições de crédito também desestimularam o plantio.

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Boi: demanda firme e preços sustentados

O consumo interno e as exportações de carne bovina devem continuar crescendo em 2026. Apesar dos desafios na produção, é esperada nova expansão moderada do rebanho. Os preços do boi gordo e da carne devem se manter em patamares elevados, sustentados pela demanda aquecida.

Café: volatilidade e expectativas de boa safra

O início de 2026 é marcado por forte volatilidade nos preços do café. Os estoques globais seguem apertados, mantendo as cotações elevadas, embora as expectativas de safra favorável no Brasil em 2026/27 possam exercer pressão de baixa nos próximos meses.

Etanol: entressafra com preços firmes e atenção ao açúcar

Durante a entressafra 2025/26 (janeiro a março), o mercado de etanol tende a manter preços firmes devido à demanda aquecida e estoques menores no Centro-Sul.

Para a safra 2026/27, que começa em abril, o Cepea destaca cenário de cautela, com atenção especial ao comportamento do açúcar no mercado internacional e ao ritmo de crescimento da produção frente à demanda.

Feijão: ampliação do monitoramento de preços

O Cepea prevê que 2026 será o ano de consolidação do acompanhamento dos preços do feijão, com ampla divulgação de cotações diárias em diferentes regiões.

O levantamento também pretende expandir o monitoramento para o feijão-caupi, que representa cerca de 20% da produção nacional, segundo a Conab.

Frango: crescimento condicionado à sanidade

A avicultura brasileira deve manter ritmo de expansão em 2026, apoiada por exportações sólidas e margens positivas ao produtor.

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Contudo, o setor permanece em alerta para possíveis focos de Influenza Aviária, especialmente durante o período migratório de aves, que pode afetar o comércio externo.

Milho: elevada oferta e preços em ajuste

O mercado de milho inicia 2026 com grande disponibilidade interna, resultado dos altos estoques de passagem.

Mesmo com expectativa de aumento na produção da primeira safra, os contratos futuros na B3 indicam valores abaixo dos da safra anterior, refletindo o cenário de oferta abundante.

Ovinos: produção segue em ritmo lento

A produção nacional de ovinos deve crescer apenas 1% em 2026, segundo estimativas do Cepea com base em dados do IBGE.

A demanda ainda enfraquecida e a ausência de estímulos de mercado limitam o avanço da atividade.

Soja: Brasil caminha para novo recorde histórico

As projeções apontam que o Brasil deve atingir nova produção recorde de soja na safra 2025/26.

Com a redução de oferta nos Estados Unidos e na Argentina, o país reforça seu papel de principal fornecedor global, podendo atender até 60% da demanda mundial.

Trigo: baixa atratividade e dependência de importações

A forte queda nos preços em 2025 desestimulou o plantio de trigo no país.

Sem expectativa de aumento de área em 2026, o Brasil deve seguir dependente das importações para abastecer o mercado interno.

As exportações, por outro lado, continuam essenciais para equilibrar os preços domésticos, mesmo com a paridade de importação como principal referência de mercado.

Agromensais de JANEIRO/2026

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

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A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

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Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

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O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

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