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Pesquisadores criam tecnologia que usa IA e satélites para mapear impactos de geadas em lavouras com alta precisão

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Uma nova tecnologia desenvolvida por pesquisadores da Unesp, em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e a Universidade de Michigan, promete revolucionar o monitoramento agrícola no Brasil.

O método combina dados de sensoriamento remoto e modelos matemáticos baseados em inteligência artificial para detectar com rapidez e precisão os danos causados por geadas em lavouras de milho, além de estimar a área total cultivada.

De acordo com o estudo, a ferramenta pode agilizar o trabalho de órgãos públicos na revisão das estimativas de safra, auxiliar o setor de seguros rurais e apoiar decisões estratégicas dos produtores diante de fenômenos climáticos extremos.

Estudo de caso no Paraná mostra impacto de 70% nas lavouras de milho

O novo método foi testado na mesorregião Oeste do Paraná, área frequentemente atingida por geadas. O estudo analisou dados da safra 2020/2021, quando o estado enfrentou duas fortes ondas de frio, em maio e junho, que afetaram severamente as lavouras de milho.

Os resultados mostraram que 69,6% da área total cultivada foi impactada — 3,5% na primeira geada e 66,1% na segunda, mais intensa. Apenas 30,4% das plantações escaparam dos danos, sendo que 13,8% já haviam sido colhidas e 16,7% não sofreram efeitos climáticos diretos.

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O levantamento indicou uma área total de 740 mil hectares de milho de segunda safra, valor 1,7% superior aos dados oficiais, demonstrando a alta precisão da tecnologia.

Safrinha: o trunfo brasileiro e seus desafios climáticos

A pesquisa destacou também o papel estratégico da segunda safra, conhecida como safrinha, na agricultura brasileira. Tradicionalmente, esse ciclo era considerado secundário, mas nas últimas duas décadas ganhou protagonismo devido a avanços tecnológicos, uso de cultivares mais resistentes e melhor manejo do solo.

Segundo o MapBiomas, a área plantada fora da safra principal triplicou desde o ano 2000, sendo o milho responsável por 62,2% da produção da safrinha em 2024. O Paraná ocupa o segundo lugar no ranking nacional da cultura, com grande parte do plantio ocorrendo após a colheita da soja.

O problema, porém, é que o calendário da safrinha avança sobre os meses mais frios, aumentando o risco de geadas e perdas produtivas — como as registradas no estudo.

Geadas de 2021: atraso no plantio e prejuízos generalizados

As fortes geadas de 2021 foram agravadas por um atraso no plantio. A seca que atingiu o Paraná no início daquela safra obrigou os produtores a postergar a colheita da soja e, consequentemente, o plantio do milho para meados de fevereiro.

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Esse atraso empurrou a colheita para o inverno, período mais propenso a baixas temperaturas. O impacto foi evidente: segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), 58,7% do milho colhido foi classificado como de qualidade ruim e 35,3% de qualidade média, confirmando os prejuízos apontados pelo novo modelo de detecção.

Ferramenta pode antecipar decisões e reduzir perdas no campo

De acordo com o professor Michel Eustáquio Dantas Chaves, da Unesp de Tupã e coordenador do estudo, o objetivo é usar a tecnologia para detectar problemas ainda durante o ciclo da safra, permitindo ações preventivas antes da colheita.

“Nossa meta é mapear culturas e identificar impactos climáticos em tempo real. Isso pode ajudar tanto os produtores quanto os órgãos de planejamento agrícola a agir rapidamente e minimizar perdas”, explica Chaves, que também é pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Agronegócio e Desenvolvimento (PGAD).

O artigo completo foi publicado na revista Remote Sensing Applications: Society and Environment e é o primeiro estudo científico a mapear o impacto de geadas no milho usando dados de sensoriamento remoto.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Cerrado Mineiro tem um dos melhores rendimentos dos últimos anos

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A colheita do café arábica chegou a 99% nas propriedades acompanhadas pela Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer), no Cerrado Mineiro. Além do avanço dos trabalhos, o beneficiamento apresenta rendimento médio de 455 litros de café colhido para a formação de uma saca de 60 quilos, um dos melhores resultados registrados nos últimos anos.

O levantamento considera a situação das lavouras até 11 de setembro. Aproximadamente 90% da produção já passou pelo beneficiamento, etapa em que são retiradas a casca, a palha e as impurezas para obtenção dos grãos que serão classificados e comercializados.

O resultado de 455 litros por saca indica uma relação favorável entre o volume retirado da lavoura e a quantidade de café beneficiado. Quanto menor o volume de frutos necessário para formar uma saca de 60 quilos, melhor tende a ser o aproveitamento industrial da produção.

Esse rendimento ajuda a compensar parte dos custos da colheita, da secagem e do beneficiamento. Para o produtor, significa obter mais sacas comerciais a partir do mesmo volume colhido, embora o resultado financeiro também dependa da qualidade da bebida, da classificação dos grãos e dos preços negociados.

O Cerrado Mineiro reúne cerca de 4,5 mil produtores em 55 municípios e possui aproximadamente 255 mil hectares cultivados. A região produz, em média, 6 milhões de sacas por ano, equivalentes a 12,7% da produção brasileira, e comercializa café com mais de 30 países.

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A cafeicultura regional também se diferencia pela Denominação de Origem Cerrado Mineiro, a primeira reconhecida para cafés no Brasil. O selo identifica produtos cultivados dentro da área delimitada e que atendem aos critérios de origem, rastreabilidade e qualidade.

A etapa final da colheita está concentrada principalmente no recolhimento dos frutos que caíram no chão. A Expocacer estima que esse café represente cerca de 30% do volume da safra. Aproximadamente 80% dessa parcela já foi recuperada.

O índice médio de catação, que representa a retirada de grãos defeituosos durante o beneficiamento, está próximo de 21%. O percentual foi influenciado justamente pela maior participação do café recolhido do chão, normalmente mais sujeito à umidade, fermentação e contato com impurezas.

As chuvas registradas entre os dias 5 e 9 de setembro impediram o encerramento completo da colheita. A umidade elevada do solo dificultou o tráfego das máquinas e interrompeu temporariamente o recolhimento em algumas propriedades. Como a maioria das áreas já concluiu o trabalho, o avanço do percentual restante ocorre de forma mais lenta.

As precipitações, por outro lado, estimularam a abertura das primeiras flores da próxima safra. A florada observada corresponde, em média, a 33% do potencial estimado para as lavouras acompanhadas pela cooperativa.

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Nas áreas que produziram menos nesta temporada, a abertura das flores foi mais intensa e uniforme. Nas lavouras que sustentaram cargas elevadas, a florada apresentou menor intensidade, comportamento relacionado ao esforço realizado pelas plantas durante a formação da safra atual.

A continuidade das chuvas poderá favorecer uma segunda florada de proporção semelhante. O restante do potencial deve se distribuir entre outubro e novembro, conforme a disponibilidade de umidade e as condições de temperatura.

A abertura das flores é uma sinalização positiva, mas ainda não garante o tamanho da próxima produção. Para que se transformem em frutos, as lavouras precisarão de umidade suficiente durante o pegamento, a formação dos chumbinhos e o início da granação.

Com a safra atual praticamente recolhida, rendimento de beneficiamento favorável e as primeiras flores abertas, o Cerrado Mineiro encerra um ciclo e inicia outro. O acompanhamento das chuvas e o manejo nutricional e fitossanitário das lavouras serão decisivos para transformar o potencial observado agora em produção na próxima colheita.

Fonte: Pensar Agro

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