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PIB do Brasil desacelera no 3º trimestre, mas agro puxa crescimento em 2025

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Crescimento modesto reflete efeitos da política monetária

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 0,1% no terceiro trimestre de 2025 em relação ao trimestre anterior, segundo análise do RaboResearch. O resultado, alinhado à projeção do banco, confirma a terceira alta consecutiva, mas também reforça a desaceleração uniforme da economia, impactada pelos efeitos defasados da política monetária restritiva.

Na comparação anual, o PIB avançou 1,8% frente ao mesmo período de 2024, sustentando a décima nona variação positiva consecutiva. Mesmo com o ritmo mais lento, o PIB brasileiro atingiu o maior nível da série histórica iniciada em 1996, posicionando-se 13,2% acima do pré-pandemia (4º trimestre de 2019).

Agropecuária é destaque e garante contribuição positiva

O setor agropecuário voltou a surpreender e foi o principal motor do crescimento. No trimestre, a agropecuária cresceu 10,1% na comparação anual, representando 0,5 ponto percentual da expansão total do PIB. O desempenho foi impulsionado principalmente por milho (+23%), laranja (+13,5%), algodão (+10,6%) e trigo (+4,5%), com ganhos significativos de produtividade.

Na indústria, houve alta de 1,7%, puxada pelo setor extrativo mineral (+11,9%), beneficiado pela produção de petróleo. Já o setor de serviços avançou 1,3%, com destaque para informação (+5,3%), transporte (+4,2%) e atividades imobiliárias (+2,0%).

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Consumo das famílias desacelera, mas segue positivo

Pelo lado da demanda, o consumo das famílias cresceu 0,4%, refletindo uma combinação de fatores. Segundo o relatório, programas de transferência de renda, crescimento do crédito às famílias e o pagamento de precatórios pelo governo compensaram parcialmente o impacto negativo de juros elevados, endividamento das famílias e inflação ainda alta.

A formação bruta de capital fixo (investimentos) cresceu 2,3%, impulsionada pela importação de bens de capital, enquanto as exportações líquidas contribuíram com 0,8 ponto percentual, favorecidas pelo bom desempenho de commodities minerais, veículos automotores, celulose e produtos agrícolas.

Rabobank eleva projeção para 2025 e mantém cautela para 2026

Com base nas revisões positivas dos dados de 2025, o Rabobank elevou sua projeção de crescimento do PIB para 2,2% neste ano, ante 2,0% anteriormente. Para 2026, a estimativa foi mantida em 1,6%.

O banco alerta, no entanto, que a economia deve perder fôlego no quarto trimestre de 2025, pressionada pela alta dos juros, crédito mais caro e inadimplência crescente. As tarifas norte-americanas sobre exportações brasileiras e o cenário geopolítico incerto também podem limitar o avanço do PIB.

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Por outro lado, o mercado de trabalho ainda aquecido e o pagamento de R$ 70 bilhões em precatórios no segundo semestre, somados às medidas do Plano Brasil Soberano, podem evitar uma desaceleração mais acentuada.

Resumo das projeções do Rabobank
  • PIB 2025: +2,2%
  • PIB 2026: +1,6%
  • Setor agropecuário: +10,1% a/a no 3º tri
  • Indústria: +1,7% a/a
  • Serviços: +1,3% a/a

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Corrida global por terras raras leva Senado a discutir estratégia para minerais críticos

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O avanço da disputa internacional por minerais críticos e terras raras mobilizou a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que participou nesta semana de um debate no Senado sobre os caminhos para ampliar a presença do Brasil nas etapas de maior valor agregado da cadeia mineral.

A discussão ocorre em um cenário de crescente competição global por recursos considerados estratégicos para a produção de baterias, veículos elétricos, equipamentos eletrônicos, inteligência artificial, sistemas de defesa e geração de energia renovável. Nos últimos anos, Estados Unidos, China e União Europeia intensificaram políticas voltadas à segurança das cadeias de suprimentos e à redução da dependência externa desses insumos.

O Brasil aparece nesse cenário como um dos países com maior potencial geológico do mundo. Além de reservas de nióbio, grafita e lítio, o país possui importantes ocorrências de terras raras, grupo de minerais utilizados em equipamentos de alta tecnologia e considerados estratégicos pelas principais economias globais.

Durante audiência pública realizada pela Comissão de Relações Exteriores do Senado, integrantes da FPA defenderam a construção de uma política nacional voltada não apenas à extração mineral, mas também ao processamento industrial e à agregação de valor dentro do país. A avaliação apresentada durante o debate é que o Brasil corre o risco de repetir o modelo histórico de exportação de matéria-prima caso não avance em tecnologia, industrialização e segurança jurídica.

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INTERESSE MUNDIAL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio, engenheiro agrônomo Isan Rezende, os minerais críticos e as terras raras deixaram de ser apenas uma questão mineral para se tornarem um tema de soberania econômica.

“O mundo vive uma corrida por recursos essenciais para a produção de baterias, semicondutores, inteligência artificial, sistemas de defesa e transição energética. O Brasil possui algumas das maiores reservas do planeta e precisa decidir se continuará exportando matéria-prima ou se avançará para ocupar posições mais estratégicas nessa cadeia.”

“O que preocupa é que as principais economias do mundo estão adotando políticas cada vez mais agressivas para garantir acesso a esses minerais. Os Estados Unidos ampliam sua pressão por acordos de fornecimento, a China mantém forte controle sobre etapas de processamento e diversos países passaram a restringir exportações para proteger suas próprias indústrias. O Brasil não pode assistir a esse movimento apenas como fornecedor de recursos naturais. É necessário construir uma política nacional que estimule pesquisa, industrialização, inovação e geração de valor dentro do país.”

“A discussão conduzida pela Frente Parlamentar da Agropecuária vai além da mineração. Estamos falando de desenvolvimento regional, atração de investimentos, geração de empregos qualificados e fortalecimento da competitividade brasileira. O país reúne reservas minerais, conhecimento técnico e capacidade produtiva para se tornar um protagonista global nesse mercado. Mas isso exige segurança jurídica, previsibilidade regulatória e uma estratégia de longo prazo que transforme riqueza geológica em riqueza econômica para os brasileiros.”

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Os Estados Unidos ampliaram programas de incentivo à produção doméstica e à diversificação de fornecedores, enquanto a China mantém posição dominante em etapas estratégicas do processamento de terras raras. Outros países produtores também passaram a restringir exportações de matérias-primas para estimular investimentos industriais locais.

No Senado, a discussão abordou ainda o Projeto de Lei 4.443/2025, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A proposta busca estabelecer diretrizes para pesquisa, exploração, industrialização e atração de investimentos para o setor.

Entre os pontos destacados pelos participantes estão a necessidade de ampliar o conhecimento geológico do território brasileiro, fortalecer a pesquisa científica, estimular o desenvolvimento tecnológico e criar um ambiente regulatório capaz de atrair investimentos de longo prazo.

Para a FPA, o debate ultrapassa a questão mineral e passa a integrar uma agenda estratégica relacionada à competitividade da economia brasileira, à segurança das cadeias produtivas e ao posicionamento do país em um mercado que deve ganhar relevância crescente nas próximas décadas.

Fonte: Pensar Agro

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