AGRONEGÓCIO
Planejamento e manejo corretos garantem silagem de qualidade e nutrição do gado o ano todo
AGRONEGÓCIO
A produção de silagem tornou-se uma prática indispensável para assegurar a alimentação do gado durante períodos de escassez, como a seca, e também para complementar a dieta de bovinos em confinamento ou na produção de leite. Quando bem planejada, essa técnica garante maior estabilidade na produção e na rentabilidade das fazendas ao longo do ano.
De acordo com o zootecnista e diretor técnico industrial da Connan, Bruno Marson, a eficiência da silagem depende da integração das equipes na lavoura, desde o plantio até o armazenamento.
“Além de ser uma alternativa ao pasto, a silagem é excelente para a alimentação de gado confinado, apresentando alto valor nutritivo quando todas as etapas são realizadas corretamente”, explica Marson.
Produção própria aumenta eficiência e reduz riscos
Produzir silagem dentro da propriedade oferece vantagens estratégicas, como a manutenção de maior número de animais por área, redução de custos com alimentação e melhor aproveitamento da terra. Além disso, o armazenamento de grandes volumes em espaços reduzidos garante segurança alimentar para o rebanho.
“O planejamento é fundamental para que o produtor avalie custos e riscos, pois é preciso organizar maquinário, equipe e logística. A silagem deve ser vista como uma estratégia de aumento de produtividade”, ressalta Marson.
Solo fértil e controle de pragas são a base da qualidade
A qualidade da silagem começa no solo. As forrageiras precisam absorver nutrientes adequados em quantidade e forma corretas. Por isso, é essencial realizar análises periódicas de solo, fazer as correções necessárias e adotar o controle de pragas e plantas daninhas. Esses cuidados garantem matéria-prima saudável para um volumoso de alta qualidade.
Ponto ideal de colheita define o valor nutritivo
A colheita é uma das fases mais decisivas do processo. O momento certo de corte maximiza o valor nutricional e favorece a fermentação adequada.
Segundo Marson, no caso do milho para silagem, o corte deve ser feito quando a matéria seca estiver entre 30% e 35%, o que ocorre de 100 a 120 dias após o plantio.
“Esse ponto pode ser identificado quando a espiga apresenta dois terços da linha do leite ou cerca de 70% de amido acumulado”, orienta o especialista.
Compactação e vedação garantem fermentação eficiente
Durante a ensilagem e vedação, é essencial que a equipe adote boas práticas de armazenamento e compactação adequada para eliminar o oxigênio do material. Isso assegura uma fermentação eficiente e reduz perdas de qualidade.
Caso a silagem apresente material escuro ou com odor de decomposição, ela deve ser descartada imediatamente, pois indica presença de fungos e bactérias prejudiciais à saúde do rebanho.
Tipos de silagem e suas vantagens nutricionais
Após a fermentação correta, a silagem pode ser fornecida ao gado imediatamente, evitando longos intervalos entre a retirada e o consumo.
Entre as opções mais utilizadas estão:
- Milho: maior teor energético e ótima digestibilidade;
- Sorgo: alternativa resistente à seca;
- Capim: indicado para conservar o excesso de forragem do período chuvoso.
“Independentemente da escolha, quando a silagem é bem feita, ela garante um volumoso nutritivo e de qualidade para o rebanho durante todo o ano”, finaliza Marson.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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