AGRONEGÓCIO
Poder de compra de fertilizantes recua em maio e índice atinge 1,55, aponta Mosaic
AGRONEGÓCIO
O poder de compra dos fertilizantes pelos produtores brasileiros apresentou leve melhora em maio de 2026. De acordo com dados divulgados pela Mosaic, o Índice de Poder de Compra de Fertilizantes (IPCF) alcançou 1,55 no período, registrando recuo de 0,4% em relação ao mês anterior.
A redução do indicador foi influenciada principalmente pela queda nos preços das commodities agrícolas, das matérias-primas utilizadas na fabricação de fertilizantes e pela leve desvalorização do dólar frente ao real durante o mês.
O IPCF é um dos principais termômetros da relação de troca entre fertilizantes e produtos agrícolas, sendo amplamente utilizado para avaliar a capacidade de compra dos insumos por parte dos produtores rurais.
Commodities agrícolas registram forte retração
Entre os fatores que impactaram o índice, a queda dos preços das commodities foi um dos mais relevantes. O recuo médio ficou próximo de 6%, impulsionado principalmente pela desvalorização do petróleo no mercado internacional, que caiu cerca de 18% no período.
No mercado doméstico, a entrada da safra recorde de soja e o avanço da colheita do milho safrinha aumentaram a oferta de grãos, pressionando as cotações.
Os principais destaques foram:
- Soja: queda de 7%;
- Milho: retração de 3%;
- Cana-de-açúcar: redução de 6%;
- Algodão: alta de 4%.
O desempenho positivo do algodão ajudou a amenizar a queda generalizada observada nas demais commodities analisadas pelo índice.
Fertilizantes também ficaram mais baratos
As matérias-primas utilizadas na formulação dos fertilizantes apresentaram recuo médio de aproximadamente 4% em maio.
Entre os produtos com maiores reduções de preços destacam-se:
- Ureia: queda de 15%;
- Superfosfato Simples (SSP): recuo de 7%.
Por outro lado, alguns nutrientes registraram valorização, limitando uma queda mais expressiva dos custos dos fertilizantes:
- Fosfato Monoamônico (MAP): alta de 1%;
- Cloreto de Potássio (KCl): avanço de 2%.
Segundo a análise da Mosaic, a redução nos custos das matérias-primas contribuiu para manter uma relação de troca relativamente favorável aos produtores, mesmo diante da pressão observada nos preços agrícolas.
Oriente Médio e atraso nas compras preocupam o mercado
Apesar da melhora no indicador, o cenário internacional continua exigindo atenção dos agentes do agronegócio.
As tensões geopolíticas no Oriente Médio seguem sem uma solução definitiva e podem provocar volatilidade nos preços da energia, dos fertilizantes e da logística global nos próximos meses.
Além disso, o mercado entra em uma fase considerada estratégica para o planejamento da próxima safra. Especialistas alertam para a redução da janela de importação de insumos e para o ritmo mais lento das compras por parte dos produtores rurais.
Esse atraso pode gerar desafios relacionados ao abastecimento, aos custos de produção e ao potencial produtivo das lavouras da temporada 2026/27.
O que é o IPCF?
O Índice de Poder de Compra de Fertilizantes (IPCF) é divulgado mensalmente pela Mosaic e mede a relação entre os preços dos fertilizantes e os preços das principais commodities agrícolas produzidas no Brasil.
A metodologia utiliza como base o ano de 2017. Quanto menor o índice, mais favorável é a relação de troca para o produtor, indicando maior capacidade de aquisição de fertilizantes.
O cálculo considera as principais culturas consumidoras de nutrientes no país:
- Soja;
- Milho;
- Cana-de-açúcar (açúcar e etanol);
- Algodão.
Como o índice é calculado?
Os preços dos fertilizantes são obtidos a partir de dados da consultoria internacional CRU, utilizando as cotações nos portos brasileiros.
Já os preços das commodities agrícolas são calculados com base nas médias do mercado nacional em dólar, utilizando informações publicadas pela Agência Estado e pelo Cepea.
Na composição do indicador entram os fertilizantes:
- MAP;
- SSP;
- Ureia;
- KCl.
Além disso, o cálculo incorpora o impacto cambial, considerando peso de 70% para os fertilizantes (custos) e 85% para as commodities agrícolas (receitas).
Com o IPCF em 1,55, o mercado segue monitorando os movimentos das commodities, do câmbio e dos fertilizantes, fatores que serão determinantes para a formação dos custos de produção e para a rentabilidade da próxima safra brasileira.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Crédito privado do agro supera R$ 1,34 trilhão e CPR lidera financiamento
O estoque dos principais instrumentos privados de financiamento do agronegócio superou R$ 1,34 trilhão em julho, primeiro mês da safra 2026/27. O resultado mostra o aumento da participação do mercado de capitais no custeio da produção, na comercialização antecipada da safra e no financiamento de empresas ligadas às cadeias agroindustriais.
Os dados foram divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e abrangem as Cédulas de Produto Rural (CPR), as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA).
A CPR manteve a liderança entre os instrumentos analisados, com estoque de R$ 580,78 bilhões. O volume estava distribuído em 372 mil títulos, com valor médio de R$ 1,56 milhão por cédula.
Somente em julho foram emitidos R$ 37,53 bilhões em novas CPR. Esse é o dado que melhor indica o ingresso de operações no primeiro mês da nova temporada. O estoque total também inclui títulos emitidos anteriormente que ainda não foram liquidados.
A CPR permite ao produtor ou à cooperativa antecipar recursos para financiar a atividade. Na modalidade física, o compromisso pode ser liquidado com a entrega futura do produto agropecuário. Na CPR financeira, a quitação ocorre em dinheiro. O instrumento também é usado como garantia em operações para a compra de sementes, fertilizantes, defensivos e outros insumos.
O avanço das CPR amplia as alternativas ao crédito rural bancário, especialmente em períodos de juros elevados ou de maior restrição nas linhas oficiais. Ao mesmo tempo, exige atenção às condições estabelecidas no contrato, como taxa de juros, forma de liquidação, garantias, vencimento e consequências em caso de frustração da safra.
As Letras de Crédito do Agronegócio apresentaram o segundo maior estoque, com R$ 560,37 bilhões. As LCA são emitidas por instituições financeiras para captar dinheiro de investidores e financiar operações relacionadas ao setor.
Pelas regras atuais do Manual de Crédito Rural, pelo menos 60% do estoque das LCA deve ser reaplicado no financiamento da atividade agropecuária. Isso representa aproximadamente R$ 336,22 bilhões.
Dentro desse volume, ao menos 45% devem ser destinados ao crédito rural oficial, o equivalente a R$ 151,30 bilhões. Os valores incluem tanto operações da safra 2026/27 quanto contratos de temporadas anteriores que continuam em aberto.
Isso significa que o estoque divulgado não corresponde integralmente a recursos novos disponíveis para contratação imediata. Parte representa financiamentos já concedidos e títulos que ainda não chegaram ao vencimento.
Os Certificados de Recebíveis do Agronegócio somaram R$ 174,20 bilhões em julho. O CRA permite transformar créditos originados em negócios do setor em títulos negociados com investidores, aproximando empresas e cadeias produtivas do mercado de capitais.
Já os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio alcançaram estoque de R$ 30,21 bilhões. O CDCA é emitido por cooperativas e empresas que atuam na comercialização, no beneficiamento ou na industrialização de produtos agropecuários e tem como lastro direitos de crédito ligados ao setor.
Fora da soma de R$ 1,34 trilhão, os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro) também avançaram como fonte privada de recursos. Os dados mais recentes, referentes a junho, mostram patrimônio líquido de R$ 64,13 bilhões distribuído entre 285 fundos.
Os Fiagro podem investir em imóveis rurais, participações em empresas, direitos creditórios e outros ativos ligados ao agronegócio. Para o setor produtivo, funcionam como uma ponte entre investidores e projetos de produção, armazenagem, logística, agroindústria e aquisição de ativos.
O crescimento desses instrumentos reforça a diversificação do financiamento rural, historicamente concentrado nos bancos e nos recursos do Plano Safra. Para o produtor, porém, maior oferta de alternativas não elimina a necessidade de comparar custos, garantias e riscos. O volume disponível no mercado é elevado, mas o acesso e as condições de pagamento variam conforme a atividade, o porte da operação e a capacidade financeira de cada tomador.
Fonte: Pensar Agro
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