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Porto do Açu realiza primeira exportação de milho do Mato Grosso para a Europa

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O Porto do Açu, localizado no norte do Rio de Janeiro, registrou em setembro a primeira exportação de milho proveniente do Mato Grosso. A operação envolveu 25 mil toneladas de milho não transgênico (Non-GMO), com destino à Europa, marcando a abertura de um novo corredor logístico para o escoamento de grãos do estado brasileiro.

O embarque ocorreu no Terminal Multicargas (T-Mult), que já movimentou mais de 20 tipos diferentes de carga desde o início de suas operações. Para garantir a integridade do milho Non-GMO, o terminal mantém protocolos rígidos para que o produto não tenha contato com grãos transgênicos durante o armazenamento.

Estrutura e capacidade do Terminal Multicargas

Atualmente, o T-Mult conta com dois armazéns cobertos em área alfandegada, com capacidade estática total de 60 mil toneladas, além de mais dois armazéns na retroárea do terminal, com a mesma capacidade.

Segundo João Braz, diretor comercial e de terminais do Porto do Açu, a operação representa um avanço estratégico:

“A abertura desse novo corredor logístico para o escoamento de cargas do Mato Grosso é um passo importante para aumentarmos a eficiência no transporte de grãos brasileiros. Temos flexibilidade para desenvolver soluções logísticas sob medida, com operação 100% privada, garantindo confiabilidade, eficiência e segurança. Além disso, oferecemos tempos mínimos de espera para atracação, pranchas acima da média do mercado e agilidade no atendimento rodoviário.”

Crescimento e projeções de movimentação do Porto

No primeiro semestre de 2025, o T-Mult movimentou 1,2 milhão de toneladas, um crescimento de 45% em relação ao mesmo período do ano passado.

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Ainda neste ano, a área de cais operacional do terminal será ampliada para 500 metros, com calado de 13,1 metros e a construção de um segundo berço, permitindo operar simultaneamente dois navios Panamax, cada um com capacidade para até 75 mil toneladas.

Com essas melhorias, a capacidade anual de movimentação do terminal deverá alcançar 2,7 milhões de toneladas, número que poderá ser duplicado nos próximos anos com a expansão da área de armazenagem.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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