AGRONEGÓCIO
Preços ao Produtor Industrial recuam 1,25% em junho, puxados por alimentos, combustíveis e setor agropecuário
AGRONEGÓCIO
O Índice de Preços ao Produtor (IPP) das Indústrias Extrativas e de Transformação registrou queda de 1,25% em junho de 2025, na comparação com maio, marcando o quinto mês consecutivo de retração. Entre as 24 atividades industriais avaliadas, 13 apresentaram redução nos preços. No acumulado do ano, a indústria já acumula recuo de 3,11%, enquanto nos últimos 12 meses o índice registra alta de 3,24%.
Setores que mais influenciaram a queda mensal
Os segmentos que mais impactaram o recuo foram:
- Alimentos: queda de 3,43%, principal influência negativa no índice com -0,88 ponto percentual (p.p.).
- Refino de petróleo e biocombustíveis: recuo de 2,53%, com impacto de -0,25 p.p.
- Metalurgia: queda de 1,85%, influenciando em -0,07 p.p.
- Farmacêutica: única variação positiva entre os setores destacados, com alta de 2,23%, contribuindo com +0,06 p.p. para o índice geral.
Alimentos: maior queda do mês e forte impacto no acumulado
O setor de alimentos registrou a maior queda mensal em junho desde agosto de 2022, influenciado principalmente pela queda nos preços dos açúcares (VHP e cristal), alinhada à baixa nos preços internacionais e à valorização do real frente ao dólar. Além disso, a carne de frango sofreu impacto da gripe aviária, gerando excesso de oferta interna e pressão sobre os preços. Na carne bovina, descontos promocionais e a valorização cambial também reduziram os preços ao produtor.
No acumulado do ano, o setor apresenta queda de 5,93%, e na comparação anual, os preços estão 5,81% maiores, a menor alta registrada desde julho de 2024.
Combustíveis e biocombustíveis seguem em baixa
O refino de petróleo e biocombustíveis teve a quarta maior variação negativa do mês (-2,53%) e acumula queda de 5,43% no ano e de 1,99% nos últimos 12 meses. Produtos como gasolina e óleo diesel registraram recuo nos preços, impactando o índice geral da indústria.
Outros setores em destaque
- Indústrias extrativas: após cinco meses de queda, os preços do setor subiram 0,18% em junho, mas acumulam retração expressiva de 14,88% no ano e 8,92% nos últimos 12 meses, refletindo principalmente a oscilação nos preços de petróleo e minério de ferro, influenciados pela valorização do real frente ao dólar.
- Metalurgia: apresenta a sexta queda mensal consecutiva (-1,07%), acumulando -9,52% no ano, porém mantém alta de 5,8% no comparativo anual. O recuo recente está ligado à queda nos preços do minério de ferro, principal insumo da siderurgia.
- Indústria farmacêutica: os preços aumentaram 2,23% em junho, influenciados pelo reajuste autorizado para 2025, acumulando 4,49% no ano e 3,47% em 12 meses.
- Indústria química: após queda em maio, o setor registrou leve alta de 0,31% em junho, sustentado por aumentos nos preços de defensivos agrícolas, fertilizantes e fungicidas. No acumulado anual, o setor cresceu 0,65%.
Comportamento por categorias econômicas
- Bens de consumo (com peso de 38,22% no índice) registraram queda de 1,78% em junho, principalmente devido à redução nos preços de bens semiduráveis e não duráveis (-2,11%), que responderam por -0,68 p.p. da variação total.
- Bens intermediários caíram 0,98%, com impacto de -0,53 p.p.
- Bens de capital tiveram leve queda de 0,46%, com influência negativa de -0,04 p.p.
No acumulado do ano, os bens intermediários apresentam maior retração (-5,27%), seguidos por bens de consumo (-0,44%) e bens de capital (-0,49%). Já no acumulado em 12 meses, os bens de consumo lideram a alta com 6,66%, puxados principalmente por bens semiduráveis e não duráveis.
Resumo e perspectiva
O desempenho do IPP em junho revela uma pressão de baixa sobre os preços industriais, destacando os setores essenciais de alimentos e combustíveis, ambos com influências significativas sobre o índice geral. A agropecuária, representada pelos alimentos e insumos agrícolas, também reflete essa dinâmica, com destaque para os produtos ligados à alimentação animal e defensivos agrícolas.
Enquanto isso, alguns setores, como a indústria farmacêutica e química, mantêm trajetória de reajustes moderados e recuperação nos preços, evidenciando a complexidade e a diversidade dos movimentos de preços dentro da indústria brasileira.
Com informações do IBGE
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Câmbio mais favorável ao agronegócio pode impulsionar exportações no segundo semestre, aponta Rabobank
O comportamento do câmbio segue como um dos principais fatores de atenção para o agronegócio brasileiro em 2026. Após um primeiro semestre marcado pela valorização do real frente ao dólar, o cenário para os próximos meses pode trazer mudanças importantes para a competitividade das exportações do país.
A análise faz parte do relatório AgroInfo 2026, divulgado pelo Rabobank, que avalia os impactos do ambiente macroeconômico sobre as principais cadeias produtivas do agronegócio nacional.
Valorização do real reduziu ganhos dos exportadores
Segundo o Rabobank, a apreciação da moeda brasileira ao longo da primeira metade do ano teve efeitos distintos entre os setores do agro.
Embora alguns segmentos tenham sido beneficiados pela redução dos custos de insumos importados, diversas cadeias exportadoras enfrentaram compressão das margens devido à menor conversão das receitas obtidas em dólar.
O efeito foi percebido principalmente em commodities como soja, milho, algodão e celulose, cujos preços internacionais não se refletiram integralmente nos valores recebidos pelos produtores brasileiros.
No mercado da soja, por exemplo, mesmo com as cotações internacionais alcançando patamares elevados em Chicago durante o primeiro trimestre, os preços em reais permaneceram relativamente estáveis devido à combinação entre valorização do real e redução dos prêmios de exportação.
Cenário externo segue pressionando o mercado cambial
O relatório aponta que o ambiente internacional continua sendo determinante para o comportamento das moedas emergentes.
Conflitos geopolíticos, tensões comerciais, inflação global e as decisões de política monetária das principais economias do mundo permanecem influenciando diretamente o fluxo de capitais e a cotação do dólar.
Além disso, a desaceleração econômica em diversos mercados consumidores e as incertezas relacionadas ao comércio internacional mantêm elevado o nível de cautela dos investidores.
Exportadores podem ganhar competitividade
Para o segundo semestre de 2026, o Rabobank avalia que existe a possibilidade de enfraquecimento do real frente ao dólar, movimento que tende a favorecer setores fortemente dependentes das exportações.
A expectativa é especialmente positiva para segmentos como celulose, soja, algodão, carnes e demais commodities agrícolas, que podem ampliar a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional.
No caso da celulose, o banco destaca que preços internacionais ligeiramente mais altos, combinados a uma possível desvalorização do real, podem impulsionar as receitas dos exportadores brasileiros ao longo da segunda metade do ano.
Impactos variam entre as cadeias produtivas
Apesar dos possíveis benefícios para as exportações, o efeito cambial não é uniforme entre todos os segmentos do agronegócio.
No milho, por exemplo, a valorização do real já vem sendo apontada como um fator que limita a competitividade das vendas externas brasileiras diante da concorrência de países como Estados Unidos e Argentina.
Já no mercado da soja, o câmbio continua sendo um dos principais componentes da formação de preços ao produtor, juntamente com os prêmios de exportação e as cotações da Bolsa de Chicago.
Gestão de risco será fundamental
Diante de um ambiente marcado por volatilidade cambial e incertezas geopolíticas, o Rabobank reforça a importância do monitoramento constante dos mercados e da adoção de estratégias de gestão de risco.
Para produtores, cooperativas, tradings e agroindústrias, a combinação entre câmbio, preços internacionais, logística e demanda global continuará sendo determinante para a rentabilidade dos negócios nos próximos meses.
O banco avalia que o segundo semestre deverá ser marcado por maior sensibilidade dos mercados às condições macroeconômicas globais, exigindo atenção redobrada dos agentes do agronegócio na tomada de decisões comerciais e financeiras.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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