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Pressão da safra e custos logísticos derrubam preços da soja no Brasil e aumentam volatilidade em Chicago

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Mercado da soja recua com aumento da oferta global e avanço da colheita

O mercado da soja registrou queda nas cotações internacionais diante das expectativas de aumento da oferta global. Segundo dados da TF Agroeconômica, o movimento reflete o avanço do plantio nos Estados Unidos e o progresso da safra na América do Sul.

Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos encerraram o pregão em baixa moderada. O vencimento de maio recuou 0,41%, enquanto julho caiu 0,40%. O farelo manteve estabilidade e o óleo de soja apresentou leve recuo.

A pressão vem principalmente da perspectiva de boa safra norte-americana e da consolidação da colheita brasileira, que já se aproxima da fase final em importantes regiões produtoras. Na Argentina, apesar dos atrasos pontuais, os resultados seguem acima das expectativas iniciais.

Brasil enfrenta cenário desigual entre estados produtores

No mercado interno, o comportamento dos preços da soja varia de acordo com as condições regionais de colheita, custos logísticos e capacidade de armazenagem.

Rio Grande do Sul: cenário mais crítico

No Rio Grande do Sul, a colheita atinge cerca de 68% da área, mas enfrenta interrupções devido às chuvas. O alto custo de produção agrava a situação, com o diesel superando R$ 7,35 em algumas regiões.

A limitação de armazenagem também pressiona os produtores, já que silos estão ocupados com estoques de milho, forçando a venda antecipada da soja a preços menores para financiar as operações.

Santa Catarina: integração sustenta preços

Em Santa Catarina, a forte integração com cadeias de proteína animal ajuda a reduzir a exposição às oscilações logísticas. Parte significativa da produção é absorvida internamente, o que contribui para a sustentação dos preços.

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O estado também avança em projetos estruturais para ampliação da capacidade portuária, o que pode fortalecer o escoamento da produção nos próximos ciclos.

Paraná, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso

No Paraná, com 96% da colheita concluída, o diesel acima de R$ 8,00 pressiona fortemente os custos. O cumprimento do calendário agrícola e do vazio sanitário acelera a comercialização, mesmo com margens reduzidas.

Em Mato Grosso do Sul, a proximidade do fim da colheita evidencia gargalos de armazenagem. Já em Mato Grosso, a alta produtividade contrasta com desafios logísticos e custos elevados para a próxima safra.

Chicago volta a oscilar com influência do petróleo e clima nos EUA

Após iniciar o dia em alta, os futuros da soja na Bolsa de Chicago voltaram a operar de forma instável, alternando entre ganhos e perdas. Por volta das 8h30 (horário de Brasília), o contrato de julho subia US$ 1,50, cotado a US$ 11,76, enquanto setembro recuava para US$ 11,49 por bushel.

A pressão adicional veio da queda do óleo de soja e do trigo, que perderam força ao longo da manhã, limitando os ganhos da oleaginosa. Em contrapartida, milho e farelo seguiram em alta.

Petróleo em queda aumenta volatilidade nos mercados agrícolas

O mercado de commodities também foi impactado pela virada no petróleo. Após altas registradas no início do pregão, o barril passou a recuar.

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Por volta das 8h50, o WTI caía 1,1%, cotado a US$ 94,79, enquanto o Brent recuava 0,53%, a US$ 104,55.

A correlação entre energia e grãos reforça a volatilidade no mercado agrícola, especialmente no óleo de soja.

Geopolítica e clima nos EUA seguem no centro das atenções

No cenário internacional, as tensões geopolíticas continuam sendo um dos principais fatores de influência sobre os preços das commodities. A instabilidade no Oriente Médio mantém os mercados cautelosos, com incertezas envolvendo relações entre Estados Unidos, Irã, Líbano e Israel.

Além disso, o clima nos Estados Unidos segue no radar dos investidores, com previsões de chuvas intensas em regiões produtoras, fator decisivo para o desenvolvimento inicial da safra norte-americana.

Outro ponto de atenção é a expectativa para o encontro entre Donald Trump e Xi Jinping no próximo mês. A reunião pode trazer impactos relevantes para o comércio global de commodities, especialmente para o mercado da soja.

Mercado segue volátil diante de oferta global e incertezas externas

O cenário atual combina pressão de oferta na América do Sul, custos elevados no Brasil e incertezas internacionais. Esse conjunto de fatores mantém o mercado da soja volátil, com tendência de ajustes constantes nas cotações tanto no mercado interno quanto na Bolsa de Chicago.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Exportação recorde não impede queda do frango vivo no mercado interno

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O Brasil caminha para estabelecer um novo recorde nas exportações de carne de frango em 2026, mas o avanço das vendas externas ainda não foi suficiente para absorver o aumento da oferta. Com mais animais prontos para o abate, os preços do frango vivo recuaram em algumas das principais regiões produtoras, enquanto as cotações dos cortes permaneceram praticamente estáveis no atacado.

A pressão ocorre em uma cadeia que produziu 15,3 milhões de toneladas de carne de frango em 2025 e faturou cerca de R$ 50 bilhões somente com exportações, considerando a receita de R$ 9,8 bilhões convertida pelo câmbio de R$ 5,10. O Brasil ocupa a terceira posição entre os maiores produtores mundiais e lidera o comércio internacional da proteína.

No ano passado, o país exportou o volume recorde de 5,324 milhões de toneladas. Para 2026, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) projeta embarques de até 5,5 milhões de toneladas, além de uma produção próxima de 15,6 milhões de toneladas. A disponibilidade no mercado interno pode alcançar 10,1 milhões de toneladas.

O avanço da oferta já aparece nos abates. No primeiro trimestre deste ano, o peso das carcaças chegou a 3,73 milhões de toneladas, crescimento de 6,9% em relação ao mesmo período de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Paraná respondeu por 35% da produção, seguido por Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo.

A ampliação dos abates ajuda a explicar por que os preços não acompanham o desempenho das exportações. A demanda internacional segue aquecida, mas o mercado doméstico precisa absorver cerca de dois terços de toda a carne produzida no país. O consumo estimado para 2026 é de 47,3 quilos por habitante, um dos maiores do mundo, mas ainda insuficiente para provocar uma reação mais forte diante da oferta atual.

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Levantamento mostra que o frango vivo foi negociado a R$ 5,20 por quilo em São Paulo. No oeste do Paraná, a referência ficou em R$ 4,60. Goiás e Mato Grosso do Sul registraram queda de R$ 4,65 para R$ 4,55, enquanto Minas Gerais e Distrito Federal passaram de R$ 4,70 para R$ 4,60 por quilo.

No Sul, as referências ficaram em R$ 4,75 no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Os preços mais elevados continuam concentrados no Nordeste e no Norte, variando de R$ 6,80 no Ceará a R$ 7,20 no Pará. As diferenças refletem custos logísticos, disponibilidade regional de aves e características próprias de cada mercado.

No atacado paulista, o peito congelado permaneceu em R$ 8,50 por quilo, a coxa em R$ 6,90 e a asa em R$ 11. Os cortes resfriados foram negociados por R$ 8,60, R$ 7 e R$ 11,10, respectivamente. A estabilidade, porém, não representa recuperação, porque as indústrias encontram dificuldade para elevar os preços diante da quantidade de carne disponível.

O principal instrumento para ajustar o mercado é o controle dos alojamentos. O termo corresponde ao número de pintinhos de um dia colocados nas granjas para engorda. Como as aves chegam ao peso de abate em aproximadamente 40 a 45 dias, um alojamento elevado hoje se transforma em maior oferta de carne poucas semanas depois.

A redução dos lotes permite diminuir gradualmente a quantidade de animais disponíveis e recuperar o equilíbrio entre produção, consumo e exportações. O ajuste precisa ser planejado porque uma redução excessiva também pode provocar falta de produto e aumento repentino dos preços no futuro.

A pressão não alcança todos os avicultores da mesma maneira. No sistema de integração, predominante nas principais regiões produtoras, a indústria normalmente fornece pintinhos, ração, medicamentos e assistência técnica. O produtor entra com as instalações, mão de obra, energia e manejo, recebendo conforme o desempenho do lote e as condições estabelecidas em contrato.

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Por isso, a cotação do frango vivo não corresponde diretamente ao valor recebido por todos os integrados. Ainda assim, o excesso de oferta reduz a rentabilidade geral da cadeia e pode afetar o ritmo dos alojamentos, a remuneração dos contratos e a capacidade das empresas de repassar custos. O impacto é mais direto sobre produtores independentes, que compram os insumos e comercializam os animais por conta própria.

A disponibilidade de milho e farelo de soja ajuda a conter parte da pressão. Os dois produtos formam a base da ração e representam a maior parcela do custo de produção. Com oferta elevada de grãos, a alimentação das aves está menos onerosa do que em períodos de escassez, evitando uma deterioração maior das margens.

No comércio exterior, os embarques continuam funcionando como principal sustentação do setor. Nos primeiros 13 dias úteis de julho, o Brasil exportou 299,2 mil toneladas de carne de aves e miudezas, com receita equivalente a R$ 2,73 bilhões. A média diária cresceu 41% em relação a julho de 2025, embora o preço médio tenha recuado 1,3%.

O cenário indica que a avicultura brasileira permanece competitiva e deve ampliar sua presença internacional. No curto prazo, porém, o recorde das exportações terá de ser acompanhado por um controle mais preciso dos alojamentos. Sem esse ajuste, a expansão da produção continuará chegando ao mercado antes que a demanda consiga absorvê-la, mantendo os preços do frango vivo sob pressão.

Fonte: Pensar Agro

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