AGRONEGÓCIO
Pressões internacionais desafiam autonomia do agro brasileiro e aumentam custos para produtores
AGRONEGÓCIO
Mercado internacional pressiona o setor agrícola brasileiro
Recentemente, 25 redes de supermercados e distribuidores europeus, incluindo gigantes como Tesco, Sainsbury’s, Greencore, Waitrose, Marks & Spencer, Co-op, Aldi UK, Lidl GB e Asda, enviaram uma carta às principais tradings internacionais de soja do Brasil — ADM, Bunge, Cargill, Louis Dreyfus e Cofco.
O documento exige que essas empresas não adquiram grãos oriundos de áreas desmatadas, mesmo que a chamada Moratória da Soja seja suspensa. Esta moratória, firmada em 2006 entre companhias do setor, organizações da sociedade civil e o governo brasileiro, visa conter o avanço do desmatamento na Amazônia ligado ao cultivo da soja.
Segundo Leandro Weber Viegas, CEO da Sell Agro, a iniciativa evidencia uma nova pressão externa sobre a agricultura nacional, gerando tensão com a decisão do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), que considerou a Moratória uma prática anticoncorrencial e determinou sua suspensão — decisão que, provisoriamente, foi revertida por determinação judicial.
Custos adicionais e insegurança jurídica para produtores
As exigências de rastreamento integral e segregação da produção impõem ao agricultor brasileiro custos adicionais elevados. Para comprovar que sua produção não provém da Amazônia Legal, o produtor precisará apresentar laudos e relatórios técnicos, mesmo já estando em conformidade com o Código Florestal, considerado uma das legislações ambientais mais rigorosas do mundo.
“O produtor brasileiro, que cumpre a lei nacional, acaba punido por não atender critérios impostos por agentes internacionais que não refletem a realidade do campo”, alerta Viegas.
Esse cenário gera insegurança jurídica e pressiona ainda mais as margens de lucro do setor, que já enfrenta custos elevados e competição acirrada no mercado internacional.
Autonomia regulatória em debate
O episódio reacende um debate central: quem define as regras da produção agrícola brasileira? Se o País permitir que interesses externos determinem condições de compra e venda, abre-se um precedente que transforma a sustentabilidade em ferramenta de pressão geopolítica e barreira comercial disfarçada.
A discussão vai além da soja, tocando na soberania nacional e na capacidade do Brasil de estabelecer normas próprias que respeitem tanto a legislação ambiental quanto a realidade do campo.
Sustentabilidade dentro do marco legal brasileiro
Especialistas reforçam que a sustentabilidade é essencial, mas deve ser aplicada dentro do marco legal nacional, levando em conta o conhecimento local, a responsabilidade dos produtores e o cumprimento das normas de preservação ambiental.
“Defender o agro brasileiro não significa abrir mão da sustentabilidade; significa assegurar que a produção continue respeitando nossas próprias leis e realidades, sem subordinação a agendas externas”, afirma Viegas.
Proteger o setor agrícola é, portanto, proteger a soberania nacional, a segurança alimentar global e o direito de produzir de forma responsável.
A pergunta que permanece
Diante das pressões externas, o debate se concentra em uma questão direta: o Brasil continuará ditando as regras da sua produção agrícola ou permitirá que interesses estrangeiros assumam esse papel?
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Certificação RTRS impulsiona soja sustentável e rastreabilidade no Grupo Bom Jesus em parceria com a Bunge
A certificação de soja responsável ganha cada vez mais relevância no agronegócio brasileiro diante da crescente demanda global por cadeias produtivas rastreáveis, transparentes e alinhadas às boas práticas socioambientais. Nesse cenário, o Grupo Bom Jesus e a Bunge fortalecem sua atuação conjunta dentro da agenda de sustentabilidade e agricultura regenerativa.
O destaque do programa é o Núcleo Piúva, localizado em Nova Mutum (MT), que integra o projeto piloto de Sistema de Incentivos Regenerativos (RIS) da Round Table on Responsible Soy (RTRS), voltado à mensuração e desenvolvimento de indicadores de agricultura regenerativa.
Núcleo Piúva produz soja certificada RTRS e amplia rastreabilidade
Com cerca de 5 mil hectares, o Núcleo Piúva registrou na safra 2025/2026 a produção de 19.611 toneladas de soja certificada RTRS, comercializadas para a Bunge. A unidade também adota rotação de culturas na safrinha, incluindo algodão, milho, braquiária e crotalária, fortalecendo práticas de manejo sustentável no sistema produtivo.
Além da unidade em destaque, o Grupo Bom Jesus já soma mais de 50 mil hectares certificados no padrão RTRS, distribuídos em cinco fazendas. A certificação integra um conjunto mais amplo de iniciativas de sustentabilidade adotadas pelo grupo.
Segundo a gerente de Sustentabilidade do Grupo Bom Jesus, Bianca Novais Cumpian, o processo de certificação evoluiu de forma gradual e estruturada ao longo dos últimos anos, ampliando a governança ambiental da empresa.
Certificação fortalece gestão, padronização e controle operacional
De acordo com a executiva, a certificação RTRS não apenas amplia o acesso a mercados, mas também fortalece a gestão interna das propriedades rurais.
O processo contribuiu para maior formalização, rastreabilidade e padronização das operações, além de aprimorar sistemas de controle e monitoramento já existentes na empresa.
A cultura organizacional também foi impactada positivamente, com maior engajamento das equipes e fortalecimento do alinhamento interno sobre práticas sustentáveis.
“Muitas práticas já faziam parte da rotina operacional, e a certificação ajudou a organizar e reconhecer esse trabalho”, destacou Bianca.
Práticas sustentáveis incluem tecnologia, solo e energia renovável
Entre as principais práticas adotadas pelo Grupo Bom Jesus estão o sistema de mínima mobilização do solo, fixação biológica de nitrogênio, agricultura de precisão, uso de insumos biológicos e monitoramento digital das lavouras.
Outro destaque é o uso de energia 100% renovável contratada no mercado, além da realização de inventário anual de emissões de gases de efeito estufa, com segregação por unidade produtiva.
A fazenda também mantém mais de 5 mil hectares destinados à conservação ambiental, reforçando o compromisso com a preservação da vegetação nativa.
Parceria com Bunge conecta produção sustentável e mercado global
A participação no projeto de agricultura regenerativa foi impulsionada pela parceria entre o Grupo Bom Jesus e a Bunge, alinhada à estratégia de fortalecimento de cadeias produtivas de baixo carbono.
A iniciativa conecta produtores rurais a ferramentas digitais, assistência técnica, tecnologias de agricultura de precisão e apoio ao uso de insumos sustentáveis, promovendo ganhos ambientais e econômicos.
Segundo a diretora de Sustentabilidade da Bunge, Pamela Moreira, o avanço da agricultura regenerativa depende de uma atuação conjunta entre diferentes elos da cadeia produtiva.
A proposta busca atender tanto às metas de redução de emissões das empresas quanto às exigências crescentes dos mercados consumidores por matérias-primas sustentáveis.
Agricultura regenerativa amplia eficiência e valor na produção de soja
Além da sustentabilidade ambiental, o programa também busca gerar benefícios produtivos, como aumento de produtividade, redução de custos e maior resiliência dos sistemas agrícolas frente às mudanças climáticas.
A adoção de práticas regenerativas contribui ainda para melhorar a saúde do solo e ampliar o potencial de geração de valor no campo, criando novas oportunidades para o produtor rural.
RTRS revisa indicadores e integra métricas regenerativas
O Núcleo Piúva e a Bunge também tiveram participação ativa no processo de revisão dos indicadores do projeto piloto de agricultura regenerativa da RTRS.
Segundo a consultora externa da associação, Helen Estima Lazzari, a contribuição da propriedade foi essencial para reforçar a importância dos indicadores já existentes no padrão RTRS, além de apoiar a evolução das métricas regenerativas.
A iniciativa buscou aprimorar a forma de mensurar avanços sustentáveis no campo, garantindo que a avaliação considere não apenas novas práticas, mas também a evolução contínua dos produtores certificados.
“A experiência contribui para desenvolver indicadores mais consistentes e aplicáveis à realidade do setor produtivo”, destacou a gerente global de padrões e assurance da RTRS, Ana Laura Andreani.
Integração entre certificação e agricultura regenerativa ganha força
A integração entre certificação RTRS e agricultura regenerativa representa um avanço na consolidação de modelos produtivos mais sustentáveis e rastreáveis no agronegócio brasileiro.
A experiência do Grupo Bom Jesus reforça o papel das propriedades rurais na construção de sistemas agrícolas de baixo carbono, alinhados às exigências do mercado internacional e às metas globais de sustentabilidade.
O movimento indica uma tendência crescente de valorização da soja certificada e da adoção de práticas regenerativas como diferencial competitivo no setor.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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