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Produção de leite desacelera no Brasil, mas margens seguem positivas para produtores

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A produção de leite no Brasil registrou forte avanço no segundo trimestre de 2025, com crescimento anualizado de 9,3% — o ritmo mais acelerado em mais de uma década. O desempenho foi impulsionado por condições climáticas favoráveis e custos menores de insumos, como farelo de soja e milho, que garantiram margens positivas aos produtores.

No entanto, o Rabobank aponta que o ritmo deverá perder força no segundo semestre. Dados preliminares do IBGE mostram que a produção aumentou 6,8% no primeiro semestre, mas a estimativa para a segunda metade do ano é de crescimento de 6,2%, reflexo da base elevada de comparação.

Preços do leite em queda, mas demanda sustenta mercado

Com a oferta maior nos principais estados produtores, o preço do leite começou a cair no terceiro trimestre. Segundo o Cepea, o valor médio pago ao produtor em julho foi de R$ 2,65 por litro, abaixo dos R$ 2,82 registrados em abril (ambos ajustados pela inflação).

Apesar da retração, a demanda mais forte que o esperado ajuda a segurar as cotações. Para o Rabobank, essa firmeza pode conter novas quedas entre o fim do terceiro trimestre e o início do quarto, período em que a produção sazonalmente mais alta costuma pressionar ainda mais os preços.

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Cenário macroeconômico influencia setor de laticínios

A economia brasileira também contribui para o desempenho do setor. A última pesquisa do Banco Central, divulgada em 25 de agosto, projeta crescimento de 2,18% para o PIB em 2025, abaixo dos 3,4% de 2024, mas acima do esperado diante das condições monetárias restritivas.

A inflação, por sua vez, deve fechar o ano em 4,86%, ante 5,68% projetados em março. O real se valorizou 12% frente ao dólar desde janeiro, favorecendo o poder de compra interno. Já o desemprego segue em patamares historicamente baixos, abaixo de 7%. Mesmo com a desaceleração da renda real, o consumo de alimentos se manteve estável, sustentando a perspectiva de vendas moderadas de laticínios no segundo semestre.

Comércio exterior e clima: pontos de atenção

Entre janeiro e julho, as importações e exportações de lácteos caíram 6% em relação ao mesmo período de 2024. Esse equilíbrio no comércio internacional reforça o foco no mercado doméstico como principal destino da produção.

Outro fator relevante para o setor é o clima. O Rabobank alerta que as condições de La Niña previstas para os próximos meses podem trazer temperaturas mais baixas e aumento das chuvas no Sudeste e no Centro-Oeste, o que deve impactar a produção e a logística no campo.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Entidade diz que o campo preserva, mas há excesso de regras travando os produtores

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A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) decidiu reagir às críticas sobre o impacto ambiental do agronegócio e levou ao debate público um conjunto de dados para sustentar que a produção agrícola no Brasil ocorre com preservação relevante dentro das propriedades rurais.

A iniciativa ocorre em um momento de maior pressão sobre o setor, especialmente em mercados internacionais, e busca reposicionar a narrativa com base em números do próprio campo.

Entre os dados apresentados, levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) indica que 65,6% do território brasileiro permanece coberto por vegetação nativa, enquanto a agricultura ocupa cerca de 10,8% da área total. A entidade usa o dado para reforçar que a produção ocorre em uma parcela limitada do território.

No recorte estadual, a Aprosoja-MT destaca um levantamento próprio que identificou mais de 105 mil nascentes em 56 municípios de Mato Grosso, com 95% delas preservadas dentro das propriedades rurais . O dado é usado como exemplo prático de conservação dentro da atividade produtiva.

A entidade também aponta que o avanço tecnológico tem permitido aumento de produção sem expansão proporcional de área. O Brasil deve colher mais de 150 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26, mantendo a liderança global, com Mato Grosso respondendo por cerca de 40 milhões de toneladas.

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Segundo a Aprosoja-MT, práticas como plantio direto, rotação de culturas e uso de insumos biológicos têm contribuído para esse ganho de produtividade, reduzindo a pressão por abertura de novas áreas.

Isan Rezende, presidente do IA

A associação também cita investimentos em prevenção de incêndios dentro das propriedades e manejo de solo como parte da rotina produtiva, argumentando que a preservação é uma necessidade econômica, e não apenas uma exigência legal.

Na avaliação de Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA) a preservação ambiental no campo deixou de ser uma pauta teórica e passou a ser parte direta da gestão da propriedade rural. Segundo ele, o produtor brasileiro já incorporou práticas que garantem produtividade com conservação, muitas vezes acima do que é exigido.

“Quem está na lida sabe que sem água, sem solo bem cuidado e sem equilíbrio ambiental não existe produção. O produtor preserva porque precisa produzir amanhã. Isso não é discurso, é sobrevivência da atividade”, afirma.

Rezende aponta, no entanto, que o ambiente institucional ainda cria distorções que dificultam o reconhecimento desse esforço. Para ele, há excesso de exigências, insegurança jurídica e regras que mudam com frequência, o que acaba penalizando quem já produz dentro da lei.

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“O produtor cumpre, investe, preserva, mas continua sendo tratado como problema. Falta coerência. Quem está regular não pode continuar pagando a conta de um sistema que não diferencia quem faz certo de quem está fora da regra”, diz.

Na avaliação do dirigente, o debate sobre sustentabilidade no Brasil precisa avançar com base em dados e realidade de campo, e não em generalizações. Ele defende que o país já possui uma das legislações ambientais mais rígidas do mundo, mas enfrenta falhas na aplicação e na comunicação dessas informações.

“O Brasil tem uma das produções mais eficientes e sustentáveis do planeta. O que falta é organização e clareza nas regras, além de uma comunicação mais firme para mostrar o que já é feito dentro da porteira”, conclui.

Fonte: Pensar Agro

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