AGRONEGÓCIO
Queda do petróleo pressiona açúcar, mas etanol mantém alta; safra no Centro-Sul se aproxima do fim com foco na produção de biocombustíveis
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Petróleo em baixa derruba preços do açúcar no mercado internacional
O mercado global de açúcar segue pressionado pela forte desvalorização do petróleo, que atingiu nesta terça-feira (16) o menor nível em quase cinco anos. O recuo nos preços do barril reflete as preocupações com a demanda mundial de energia e as projeções de excesso de oferta, o que afeta diretamente o setor sucroenergético.
Segundo analistas de mercado, a queda do petróleo reduz a atratividade do etanol, levando usinas ao redor do mundo a direcionarem mais cana-de-açúcar para a produção de açúcar, aumentando a oferta global e pressionando as cotações do adoçante.
Na ICE Futures de Nova York, o contrato março/26 do açúcar bruto foi negociado a 14,82 centavos de dólar por libra-peso, queda de 13 pontos frente à véspera. O contrato maio/26 recuou 14 pontos, cotado a 14,44 cts/lb. Em Londres, o açúcar branco também registrou baixas: o contrato março/26 encerrou o dia a US$ 423 por tonelada, retração de US$ 3,40, enquanto o maio/26 caiu para US$ 420,50 por tonelada.
Tentativa de recuperação no dia seguinte não reverte tendência
Nesta quarta-feira (17), o açúcar tentou recuperar parte das perdas, mas o movimento de alta foi limitado. Em Nova York, o contrato março/26 foi negociado a 14,80 cts/lb (-0,13%), e em Londres, o preço ficou em US$ 422,90 por tonelada (-0,02%).
Mesmo com o leve ajuste, o mercado permanece sob influência da pressão externa do petróleo e da mudança no mix de produção das usinas brasileiras, que têm priorizado o etanol em meio à boa demanda doméstica e ao cenário favorável do mercado de créditos de descarbonização (CBios).
Safra 2025/26 desacelera no Centro-Sul com foco no etanol
De acordo com a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), a safra 2025/26 caminha para o encerramento na região Centro-Sul do Brasil. Na segunda quinzena de novembro, foram processadas 15,99 milhões de toneladas de cana, abaixo das 20,27 milhões registradas no mesmo período do ciclo anterior.
No acumulado desde abril, a moagem soma 592,27 milhões de toneladas, o que representa queda de 1,92% frente à safra passada. O número de usinas em operação caiu significativamente: 52 unidades encerraram atividades na quinzena, restando 144 em funcionamento — bem menos que as 196 registradas no mesmo período de 2024.
Segundo Luciano Rodrigues, diretor de Inteligência Setorial da Unica, até o início de dezembro cerca de dois terços das unidades já haviam finalizado a safra.
Produção de açúcar recua, e etanol ganha protagonismo
O volume de açúcar produzido na segunda quinzena de novembro caiu 32,94%, totalizando 724,06 mil toneladas. O mix de produção continuou favorecendo o etanol, com 64,48% da cana direcionada ao biocombustível e 35,52% ao açúcar.
No acumulado da safra, a produção de açúcar soma 39,90 milhões de toneladas, ligeiramente acima das 39,46 milhões registradas no ciclo anterior. Já a produção de etanol alcança 29,53 bilhões de litros, recuo de 5,43%, sendo 18,33 bilhões de hidratado (-7,86%) e 11,20 bilhões de anidro (-1,15%).
Durante a quinzena, as usinas fabricaram 1,18 bilhão de litros de etanol, com destaque para o etanol de milho, que respondeu por 31,64% do total. As vendas totais de biocombustível em novembro somaram 2,70 bilhões de litros, com queda de 11,14% nas vendas de hidratado e aumento de 7,60% no anidro.
A qualidade da cana apresentou melhora pontual: o ATR (Açúcar Total Recuperável) subiu 6,8% na quinzena, atingindo 133,78 kg/t, embora no acumulado da safra ainda haja retração de 2,5%.
Açúcar e etanol sobem no mercado doméstico
Enquanto o mercado internacional do açúcar segue pressionado, os preços internos apresentaram reação positiva. Segundo o Indicador Cepea/Esalq (USP), a saca de 50 kg do açúcar cristal foi negociada a R$ 109,74, alta de 0,59% frente ao dia anterior.
O etanol hidratado também fechou em leve alta, de 0,07%, sendo negociado a R$ 3.012,50/m³ pelo Indicador Diário Paulínia. O movimento reflete o bom desempenho do mercado interno e o interesse crescente das usinas em direcionar a cana para o biocombustível, em meio ao cenário de transição energética e valorização dos CBios.
Setor mantém confiança apesar da volatilidade
Apesar do recuo nas cotações internacionais do açúcar, o setor sucroenergético mantém otimismo com os fundamentos de médio prazo. A demanda por etanol deve seguir sustentada pela expansão do mercado de combustíveis renováveis e pelas metas ambientais do programa RenovaBio.
“O mercado de CBios continua sólido. Somando os créditos disponíveis e aposentados, o setor já conta com 116% dos títulos necessários para cumprir a meta de 2025”, destacou a Unica.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Abelhas elevam produtividade da soja em até 18%
A presença de abelhas nas proximidades das lavouras pode aumentar, em média, 13% a produtividade da soja, segundo estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Em alguns experimentos, o ganho chegou a 18%, resultado obtido sem ampliação da área plantada.
Embora a soja seja considerada uma planta capaz de se autopolinizar, as visitas das abelhas às flores melhoram o processo de fecundação. Os efeitos podem aparecer no aumento do número de grãos por vagem, na redução de vagens vazias e, ao final do ciclo, na quantidade colhida por hectare.
Os percentuais não representam uma garantia automática para todas as propriedades. O resultado depende da cultivar, das condições climáticas, da população de polinizadores, da paisagem ao redor da lavoura e das práticas adotadas durante o florescimento. Ainda assim, as pesquisas mostram que a polinização deve ser considerada parte do sistema produtivo, e não apenas um benefício ambiental.
A contribuição econômica das abelhas vai muito além da produção de mel. Um estudo citado pela Embrapa estimou em aproximadamente R$ 43 bilhões o valor anual do serviço de polinização para a produção brasileira de alimentos, com base nos dados agrícolas de 2018.
Entre 141 espécies cultivadas no Brasil para alimentação humana, produção animal, fibras e biocombustíveis, cerca de 85 dependem, em algum grau, da polinização realizada por animais. As abelhas são os principais agentes desse processo. Café, laranja, maçã, melão, maracujá, castanha-do-brasil, canola e algodão estão entre as culturas beneficiadas.
A dimensão desse serviço também começou a ser mais bem compreendida nas áreas de soja. Pesquisa divulgada pela Embrapa em 2026 identificou 53 espécies de abelhas em lavouras e fragmentos de vegetação nativa no sudoeste de Goiás. Desse total, 27 eram novos registros de espécies associadas à cultura na região.
O levantamento mostra que a soja não recebe apenas a visita da abelha-africanizada, normalmente utilizada na produção comercial de mel. Diferentes espécies nativas também percorrem as flores e participam da polinização. Essa diversidade reduz a dependência de um único polinizador e aumenta a capacidade de o ambiente responder a mudanças de temperatura, umidade e disponibilidade de alimento.
A manutenção de vegetação nativa próxima às áreas produtivas tem papel importante nesse processo. Matas, reservas legais, áreas de preservação permanente, corredores de vegetação e faixas com plantas floridas oferecem abrigo e alimento às abelhas antes e depois da florada da cultura comercial.
Para o produtor, essas áreas podem funcionar como infraestrutura biológica da propriedade. A contribuição será maior quando houver conexão entre os ambientes naturais e a lavoura, permitindo que os insetos encontrem locais para nidificação, água e fontes de néctar e pólen durante diferentes períodos do ano.
A integração também pode abrir uma fonte complementar de renda. Dados da Embrapa indicam que apicultores com bom manejo e colmeias instaladas próximas às lavouras podem obter até 50 quilos de mel por colmeia durante a florada da soja. Ao mesmo tempo que as abelhas encontram alimento, o produtor de grãos recebe o serviço de polinização.
A convivência, entretanto, exige planejamento. A localização dos apiários precisa ser conhecida, e agricultores, responsáveis técnicos e apicultores devem manter comunicação sobre o calendário da lavoura e as aplicações de defensivos.
O manejo integrado de pragas ajuda a evitar pulverizações desnecessárias. Quando o controle químico for indispensável, devem ser respeitados o registro do produto, as orientações da bula, as condições meteorológicas e as técnicas destinadas a reduzir deriva. Sempre que tecnicamente possível, a aplicação deve considerar os horários de menor atividade das abelhas.
O vento, a temperatura e a umidade interferem diretamente na dispersão da calda. Uma pulverização feita em condições inadequadas pode atingir flores, vegetação próxima e fontes de água frequentadas pelos insetos, mesmo quando as colmeias estão fora da área cultivada. Por isso, regulagem do equipamento, escolha correta das pontas e acompanhamento das condições ambientais são medidas decisivas.
Também cabe ao apicultor manter as colmeias identificadas, bem manejadas e instaladas em locais adequados. A comunicação antecipada permite avaliar medidas de proteção sem comprometer as necessidades fitossanitárias da lavoura.
A preservação das abelhas não deve ser tratada como uma obrigação separada da produção. Os estudos mostram que esses insetos participam da formação da safra e podem melhorar o aproveitamento da área já cultivada. Para o produtor, proteger os polinizadores significa conservar um serviço natural capaz de elevar a produtividade, diversificar a renda e fortalecer a estabilidade do sistema agrícola.
Fonte: Pensar Agro
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